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Dólar supera R$ 5,05 e fecha na máxima desde 1994

Dólar supera R$ 5,05 e fecha na máxima desde 1994

O dólar abriu a semana em alta e avançou hoje 4,90%, alavancado pela fuga dos ativos de risco no Brasil.

A moeda americana à vista fechou no final da tarde de hoje cotada a R$ 5,0523, uma máxima histórica desde que o Plano Real foi implantado em 1994.

O dólar valorizou-se hoje frente a todas as moedas de países emergentes, até frente ao peso mexicano, que é a moeda mais usada na América Latina.

O Banco Central, até às 17h30, não deu sinais de intervenção.

Valorização

Até a sexta-feira passada (13 de março), o dólar acumulava valorização de 19,90% em 2020. O Ibovespa acumula desvalorização de -38,46% neste ano.

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Dólar em um ano:

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A moeda americana tinha cenário de alta hoje no Brasil mesmo após o Federal Reserve ter reduzido a taxa de juros nos Estados Unidos para entre zero e 0,25% e o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que seu país pode entrar em recessão.

O fortalecimento do dólar é mundial e não ocorre apenas no Brasil. Segundo a CNBC News, o valor do dólar avançou 16% no ano passado frente a uma cesta de moedas fortes, na qual estão o euro, o franco suíço e a libra esterlina.

“A moeda de um país é o reflexo, em parte, de como a economia deste país está indo. E até o momento os Estados Unidos ditam o ritmo do crescimento para o resto do mundo”, comenta a CNBC.

Na avaliação de economistas entrevistados pela emissora americana, o crash nos preços do petróleo fortalece o dólar.

“O preço do petróleo é feito em dólares. Como é possível comprar mais petróleo com a mesma quantidade de dólares, isto aumenta o poder de compra da moeda em relação a outras moedas também usadas para comprar a matéria-prima”, avalia.

Euro e iene mais fortes

Este cenário, contudo, começa a mudar em 2020. Nesta segunda-feira, por exemplo, o dólar caiu -0,61% frente ao euro, com a moeda europeia cotada a US$ 1,1174 em Nova York.

Já o iene japonês, sempre considerado uma moeda estável, valorizou-se hoje 1,93% ante ao dólar, com 105,8 ienes valendo US$ 1.

O dólar teve essa queda em Nova York porque cresceu entre os próprios investidores americanos a percepção que os EUA podem estar entrando em recessão.

Cenário no Brasil

No Brasil sempre que a bolsa de valores cai o investidor foge para o dólar. Esta regra é seguida em 2020.

A pesquisa Focus divulgada hoje pelo Banco Central mostra que o mercado elevou sua projeção para o dólar até o final do ano, de R$ 4,20 na semana passada para R$ 4,35 na pesquisa atual.

Quer dizer: mesmo que a moeda americana oscile nos próximos dias e semanas, a projeção é que no final do ano fechará valorizada frente ao real. Mas esta projeção vale para o real, que reflete a economia brasileira.

Para outros países, até mesmo a China, onde começou a pandemia do coronavírus, o cenário é mais complexo.

Iuan se fortalecerá

Um relatório da consultoria americana Alpine Macro prevê que a moeda chinesa se fortalecerá frente ao dólar no segundo semestre deste ano.

O motivo é que a economia chinesa, embora duramente atingida no começo do ano pela pandemia, tende a se recuperar mais rápido.

Já a economia dos Estados Unidos, que cresceu 3% por ano desde 2017, agora tende a crescer menos ou até a estagnar.

“Nós já prevíamos que o dólar se enfraqueceria no segundo semestre, quando o Federal Reserve começasse a cortar os juros. A pandemia acelerou os cortes para março”, analisa o relatório.

“Com isto, o mercado do dólar mostrará stress. A China tem sido mais generosa no apoio fiscal à sua moeda, que tende a se valorizar quando o país retomar o crescimento”, avalia o relatório.

O iuan chinês (CNY) não é uma moeda mundial. Seu uso é regional na Ásia e sua cotação, historicamente, se situa ao redor de 7 iuanes por dólar.

Mas se os Estados Unidos realmente entrarem em recessão, o dólar tende a se enfraquecer frente ao euro, ao franco suíço e até ao iene japonês, que é considerado uma moeda estável.