O ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou, nesta sexta (15), o governo do presidente Jair Bolsonaro. Teich concedeu uma entrevista coletiva agora há pouco e declarou: “Achei que poderia ajudar o país”.
“A vida é feita de escolhas. Escolhi deixar a pasta”, disse Teich, num pronunciamento curto e sem responder às perguntas de jornalistas.
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Impacto na bolsa, que operava em queda
A saída de Teich, anunciada pela manhã, impactou na bolsa, que estava em queda: o Ibopesva operava, às 16h40, em queda de 1,03%. aos 78.193,06 pontos.
O dólar comercial, em alta, era negociado a R$ 5,84 às 16h45.
Conflitos com Bolsonaro
Teich chegou a ser questionado sobre a justificativa para pedir demissão, mas se retirou do auditório e não fez nenhuma menção a um eventual conflito entre ele e Bolsonaro.
O ex-ministro é contra o posicionamento do presidente pelo uso da cloroquina em todos os estágios no tratamento contra o coronavírus.
Após uma reunião de 15 minutos com o presidente, em que o agora ex-ministro externou a sua opinião contrária ao novo protocolo sobre a cloroquina, Teich entregou o pedido de demissão.
Teich também é favorável ao isolamento social e o fechamento do comércio de serviços não essenciais como estratégia de combate ao coronavírus. Bolsonaro vem pedindo a reabertura das atividades econômicas.
Teich, médico do setor privado, ficou 30 dias no cargo. Entrou no lugar do ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta, que também saiu do governo por discordar das estratégias de Bolsonaro sobre como frear o avanço do novo coronavírus.
Balanço da gestão
“Agradeço ao presidente a oportunidade de fazer parte do Ministério da Saúde. Seria muito ruim não poder atuar no ministério pelo SUS [Sistema Único de Saúde]. Minhas escolas foram públicas, minha faculdade foi pública”, afirmou.
Ele agradeceu à sua equipe, que “sempre o apoiou”, e destacou a importância do trabalho conjunto do governo federal com os conselhos de secretários estaduais e municipais de Saúde.
Terminou defendendo o Sistema SUS, observando que é “cria do sistema público”.
O agora ex-ministro fez um balanço da sua curta gestão. Começou destacando que “não é simples estar à frente de ministério como este num momento difícil”.
Mas ressaltou as ações que realizou, como o plano de diretrizes para o distanciamento, o plano de testagem e as medidas de apoios aos locais mais afetados pelo surto.
“Deixo um plano de trabalho pronto para auxiliar os secretários estaduais e municipais a tentar entender o que está acontecendo e pensar próximos passos. Quais são os pontos que precisam ser avaliados, os pontos críticos para considerar na tomada de decisão”, declarou.
Programa de testagem
Teich elencou também o programa de testagem, que está “pronto para ser implementado”. “Isso vai ser importante para entender a situação da Covid-19, o que é fundamental para definir estratégias e ações”, acrescentou.
O ex-ministro enfatizou a importância da ida a locais muito afetados pela pandemia.
“É fundamental estar na ponta, entender o que acontece no dia a dia, ver o que está sendo feito. Esse entendimento foi importante para desenho de ações implementadas em seguida. Cada cidade que a gente vai a gente está melhor preparado para o desafio”, disse.
Ele lembrou que, para além das respostas à pandemia, atuou também em outros temas.
“Traçamos aqui um plano estratégico. As ações foram iniciadas e [isso] deve ser seguido. É importante lembrar que durante este período tivemos foco total na Covid-19, num sistema que envolveu várias outras doenças”, disse.
Demissão e cloroquina
Teich é contrário ao uso indiscriminado da medicação e isso levou a uma discordância entre o ministro e o presidente.
Por fim, vale lembrar que, em coletiva realizada no início da semana, Teich foi pego de surpresa ao saber que o presidente tinha incluído academias em serviços essenciais.
O secretário executivo, general Eduardo Pazuello, deve assumir interinamente.
Coronavírus no mundo
Segundo o último boletim da Organização Mundial da Saúde (OMS) há, até este momento mais de 4,4 milhões de infectados por coronavírus e mais de 302 mil mortes.
Brasil
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem, até esta quinta (14), 202.918 casos e 13.993 mortes.
Alemanha registra nova alta de infecções
A Alemanha registrou ontem a maior número de casos confirmados de coronavírus. Segundo o Instituto Robert Koch, foram registrados 927 novos casos.
Isso acontece depois que o governo flexibilizou a política de quarentena e o pais retomou as atividades.
Com isso, o número total de casos confirmados subiu para 174.098. O número de mortes está 123.
Coreia do Sul
A Coreia do Sul, que também estava retomando as atividades, registrou 29 novos casos.
O número total de infecções subiu para 10.991 e 260 mortes.
Por fim, o governo da Coreia do Sul teme uma nova segunda onda e estuda impor políticas de isolamento.
Segunda onda de coronavírus na China
O governo da China anunciou que vai dar início a uma política de testagem em massa para evitar uma segunda onda do vírus.
As autoridades sanitárias da China acreditavam que tinham achatado a curva, porém, surgiram casos nas províncias do nordeste do país.
O surgimento de uma segunda onda de contágios por coronavírus na China acendeu a luz amarela do governo.
Espanha registra o menor número de mortos
O Ministério da Saúde registrou 138 mortes até esta sexta-feira (15). O menor índice desde o início da pandemia.
De acordo com o órgão, o número total de vítimas do Covid-19 é de 27.459.
Por fim, o número total de infectados registrado pelo Ministério da Saúde é de 229.540, informa a CNBC.
Rússia registra mais de 260 mil casos de coronavírus
De acordo com dados divulgados pelo governo da Rússia, o país tem 262.843.
Por conta do salto, o governo anunciou uma força tarefa para conter a pandemia.
Por fim, o número de mortes saltou de 113 para 2.418.
*Com Agência Brasil