O consumo de energia elétrica deverá sofrer um corte de até 12% este ano, aponta a empresa de consultoria especializada RegE, com base nos impactos na economia decorrentes da pandemia global, segundo o portal G1.
Margem elástica
Ao lançar uma margem elástica – entre 5% e 12% – para tal contenção de demanda, a previsão negativa da RegE é bem pior do que a apresentada, antes, pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), segundo a qual a queda seria em torno de 2,9%.
Impacto profundo
Esse corte de demanda deverá produzir, segundo comercializadores do setor, um impacto negativo de R$ 5 bilhões, decorrente do crescimento dos pedidos de flexibilização ou renegociação de contratos para os próximos meses, além de se refletir no crescimento da inadimplência.
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Mercado em queda livre
Entre os mercados mais afetados pelo ‘apagão econômico’, a consultoria RegE aponta redução significativa de consumo no mercado livre de eletricidade, em que grandes clientes industriais negociam diretamente com geradores e comercializadores.
Estabilidade ilusória
Até o final de março, a estimativa, tanto da EPE, quanto do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicava uma retração de 0,9% ou quase estabilidade.
Queda ‘otimista’
Mesmo diante da perspectiva de economia desacelerada, a RegE – que tem como um dos sócios um ex-diretor da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Tiago de Barros – aposta num cenário ‘otimista’ de um recuo de 4,7% no consumo.
Avançando a trajetória negativa de demanda, esta passaria de otimista a moderada, na casa de 7,9%, até tombar 12,3%, nas piores previsões.
A consultoria RegE, que tem entre os sócios um ex-diretor da Aneel, Tiago de Barros, avaliou que a desaceleração da economia impactará fortemente o consumo de energia elétrica, que poderia cair 4,7% em cenário considerado ‘otimista’.
Em visão ‘moderada’, o recuo na demanda seria de 7,9%, mas que passaria a ‘pessimista’, ou um tombo de 12,3%.
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Pandemia out
Caso a situação não fosse viral, o consumo, avalia a consultoria, fecharia este ano em alta de 4,5%, confirmando projeções realizadas pela EPE, ONS e CCEE em 2019.
PIB declinante
Superado o clima otimista inicial, que previa queda de 3,6% no PIB em 2020, as avaliações mais recentes variam entre um cenário ‘moderado, de -6,1%, até o pessimista, de -9,5%.
Já para analistas de mercado ouvidos pelo boletim Focus, publicado pelo Banco Central, a expectativa é de que o PIB recue 5,89% este ano, o que representa um avanço em relação às previsões da semana anterior, de 5,12%.
Teto de R$ 15,5 bi
Para evitar o colapso da atividade, o BNDES anunciou, nesta segunda-feira (25), que pretende participar em até 25% dos empréstimos emergenciais, necessários ao ‘socorro’ às distribuidoras de energia elétrica, atingidas, também, pelo efeitos pandêmicos daninhos, segundo o Estadão.
Como a ideia do BNDES é viabilizar a operação, por meio da constituição de um pool de bancos (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander), esse percentual poderá ser reduzido.
Até o momento, ficou acertado que o BNDES participaria com R$ 3,9 bilhões, uma vez que o teto de financiamento foi fixado em R$ 15,5 bilhões.
Só em junho
Inicialmente, a previsão é que os recursos comecem a ser liberados a partir da segunda quinzena de junho.
Para que o pacote de empréstimos saia do papel, porém, será cumprido um ritual normativo, começando pela edição de uma resolução da Aneel, a leitura de seu teor, nessa terça-feira (26), em uma reunião ordinária do órgão, e a fixação do período de uma semana para a conclusão da consulta pública.
Só então, será aprovada a resolução.
A normal da agência é que vai estabelecer o teto máximo para a operação, assim o quanto caberá a cada empresa.
Road show time
Antes mesmo do encerramento das consultas públicas, o BNDES pretende iniciar um ‘road show’ a respeito da operação para instituições financeiras, o que inclui bancos de investimento nacionais e estrangeiros.
A maior competição entre os bancos, na avaliação da diretoria do BNDES, poderá reduzir sua participação na operação, o que induziria a uma baixa dos juros cobrados às empresas.
No que toca à remuneração dos empréstimos, estes estariam sujeitos a juros e spreads vinculados ao CDI (taxa interbancária de referência), que acompanha a trajetória da Selic (taxa básica de juros), atualmente em 3% a.a, mais juros de 2% a 2,5% ao ano.
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