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Saiba investir como Taleb: pé no chão e ousadia

Saiba investir como Taleb: pé no chão e ousadia

Ter caixa permite atravessar momentos difíceis sem pressa e, eventualmente, aproveitar oportunidades que surgem quando o medo domina as decisões

Em tempos de incerteza, a tentação de investir de forma moderada pode ser a armadilha mais perigosa de todas. É essa a essência da estratégia Barbell, popularizada pelo filósofo, ensaísta e ex-trader de derivativos Nassim Nicholas Taleb – e tema central do último relatório da Ágora Investimentos, que adaptou o conceito ao cenário atual de conflito geopolítico e juros elevados.

“O risco moderado é o mais traiçoeiro porque parece seguro, mas não é”, resume o próprio Taleb, citado logo na abertura do relatório.

Um mundo que mudou de fase

A Ágora parte de um diagnóstico claro: o cenário global que caminhava para maior previsibilidade no início de 2026 foi abruptamente interrompido pelo agravamento das tensões no Oriente Médio.

“Conflitos nessa região têm um impacto que vai muito além do noticiário internacional, porque afetam diretamente o preço da energia, os custos de transporte, as cadeias globais de produção e, em última instância, a inflação no mundo inteiro”, aponta o relatório.

No Brasil, esse ambiente externo mais tenso se soma a desafios internos. A inflação segue sensível a choques, a Selic permanece elevada e o ano eleitoral amplia a incerteza fiscal.

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O resultado é um cenário em que o crescimento segue existindo, mas cercado por dúvidas, e no qual decisões baseadas em previsões muito específicas se tornam particularmente arriscadas“, avalia a Ágora.

A lógica do halter

A estratégia Barbell — cujo nome vem da metáfora do halter de musculação — divide a carteira em dois extremos opostos, sem nada no meio.

De um lado, a maior parte do patrimônio vai para ativos conservadores.

“Produtos como Tesouro Selic, CDBs de bancos sólidos, fundos atrelados ao CDI e uma parcela em títulos ligados à inflação cumprem bem esse papel”, recomenda o relatório — ressaltando que os juros elevados atuais tornam esse lado da carteira especialmente atraente sem necessidade de assumir grandes riscos.

A liquidez também é destacada como elemento central.

“Em períodos de tensão, os mercados frequentemente exageram para baixo ou para cima. Ter caixa permite atravessar momentos difíceis sem pressa e, eventualmente, aproveitar oportunidades que surgem quando o medo domina as decisões“, aponta a Ágora.

Ousadia controlada no outro extremo

No lado oposto do halter, uma parcela menor é direcionada a ativos com maior potencial de ganho — bolsa brasileira, ativos internacionais e temas estruturais como tecnologia.

“Se o conflito se prolongar ou novos choques surgirem, o impacto negativo é limitado. Se houver uma normalização mais rápida do que o esperado, o retorno pode ser desproporcionalmente positivo”, detalha o relatório.

A grande vantagem da estratégia, segundo a Ágora, é evitar a ilusão de estabilidade.

“Investimentos que ficam no meio do caminho costumam sofrer tanto quando a situação piora quanto quando o cenário melhora de forma abrupta”, conclui o relatório — reforçando que, mais do que prever o futuro, o objetivo da estratégia Barbell é se preparar para atravessar períodos difíceis sem comprometer a capacidade de capturar as surpresas positivas quando elas surgirem.