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Construtoras de capital aberto retomam vendas e lançamentos, mas patinam na bolsa

Construtoras de capital aberto retomam vendas e lançamentos, mas patinam na bolsa

Após o pior da crise econômica e sanitária, as construtoras de capital aberto conseguiram reverter as dificuldades e retornamaram as vendas e os lançamentos, segundo as prévias operacionais do quarto trimestre.

Para 2021, a expectativa é de que o setor imobiliário siga acompanhando a retomada da economia brasileira.

Entretanto na bolsa, as ações das companhias de construção ainda sofrem perdas, registrando o pior desempenho entre os índices setoriais.

O IMOB acumula desvalorização de 4,85% este ano, a pior entre os índices setoriais, enquanto o Ibovespa sobe 0,53%, até 20 de janeiro, conforme levantamento da Wisir Research.

Outros índices também caem, mas em menor proporção: IFNC (financeiro), -3,14%; UTIL (utilidade públicas), -4,04%; e IEEX (energia elétrica), -2,30%.

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Como comparação, registeram altas o IMAT (materiais básicos), +7,03%; INDX (industrial), +4,24%; e o ICON (consumo), +2,34%.

Financiamento em alta

Parte do desempenho pode ser atribuído o crescimento no número de financiamentos imobiliários, refletindo a Selic na mínima histórica.

Os financiamentos imobiliários no Brasil registraram crescimento de 51,4% em relação a 2019 até o término do mês de novembro, conforme dados da Abecip.

O resultado dá continuidade ao ritmo expressivo de crescimento do setor no ano de 2020.

A queda na taxa de juros Selic, atualmente em 2% ao ano, foi a principal responsável pelo novo “boom” no País, mas o mercado ainda tem potencial de crescimento, segundo Danilo Caffaro, diretor de crédito imobiliário do Itaú.

Possíveis empecilhos

Dois pontos podem impedir que o mercado de financiamentos imobiliários, ainda engatinhando no Brasil, continuem a exponencial subida.

O primeiro deles é a alta do desemprego, que já está acima de 14% no País e pode crescer ainda mais com a possível explosão da pandemia da Covid-19 e o retorno das medidas de isolamento social mais rígidas.

O segundo é o medo de que a taxa Selic não se mantenha nos atuais padrões, os mais baixos da história, e volte a subir para índices de antigamente, acima dos dois dígitos anuais.

Uma pesquisa do Banco Central apontou que a taxa básica de juros chegar em 3% em 2021, 4,5% em 2022 e 6% em 2023.

As ameaças, no entanto, não devem causar o mesmo cenário do último boom de financiamentos imobiliários no País, que acabou com as construtoras tomando de volta casas e prédios inteiros por falta de pagamento.

Veja o desempenho das prévias

EmpresaTickerVendas LíquidasVSO (%)Lançamentos (VGV)
MRVMRVE3R$ 2 bilhões (+49,1%)18,6%R$ 2,1 bilhões (-10,2%)
CyrelaCYRE3R$ 1,8 bilhões (+34%)48,4%R$ 2,8 bilhões (+105,6%)
EztecEZTC3R$ 282,3 milhões (-52,2%)13,1%R$ 381 milhões (-59,2%)
EvenEVEN3R$ 402 milhões (-67%)17%R$ 482 milhões (59,6%)
MitreMTRE3R$ 283,3 milhões (+34%)46,9%R$ 463,7 milhões (+46%)
DirecionalDIRR3R$ 523 milhões (+41%)17%R$ 697,3 milhões (+25,6%)
HelborHBOR3R$ 254 milhões (-47%)15,2%R$ 433,4 milhões (-19,7%)
LavviLAVV3R$ 353,9 milhões (+264,7%)57%R$ 497,5 milhões (+162,3%)
TendaTEND3R$ 795,2 milhões (+29,1%)32,5%R$ 885,2 milhões (+5,9%)
Plano & Plano(PLPL3)R$ 284 milhões (+25,3%)32,7%R$ 509 milhões (+3,8%)
RNI(RNDI3)R$ 177,8 milhões (+222%)20%R$ 240,8 milhões (-20%)
Gafisa(GFSA3)R$ 271,8 milhões (+354,3%)Não informadoR$ 627,2 milhões (não houve lançamentos em 2019)
Cury(CURY3)R$ 404,6 milhões (+22,8%)35,1%R$ 675 milhões (+78,1%)

Desempenho em bolsa

Apenas três construtoras fazem parte do Ibovespa, são elas: MRV (MRVE3), Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3).

Delas, somente a Cyrela terminou 2020 no positivo. Já no acumulado de janeiro até o dia 19, a MRV é única com ganhos no mês.

Fora do Ibovespa, apenas Lavvi e Cury registraram alta em 2020. Enquanto isso, em janeiro a Cury é única no campo positivo.

Apesar da melhora operacional registrada no último trimestre, o desempenho das construtoras em Bolsa continua aquém.

Confira o desempenho das ações:

Empresa2020 (%)Janeiro (%)
Direcional (DIRR3)-12,73%+7,10%
MRV (MRVE3)-10,36%+4,17%
Even (EVEN3)-22,75%-3,49%
Cyrela (CYRE3)+5,46%-4,14%
Mitre (MTRE3)-18,27%-5,12%
Eztec (EZTC3) -17,34% -7,69%
Lavvi (LAVV3)+2,11%-7,73%
Helbor (HBOR3) -46,24% -13,98%
Tenda (TEND3)0,00%-1,09%
Plano & Plano (PLPL3)-19,15%-8,55%
RNI (RDNI3)-26,14%-0,34%
Gafisa (GFSA3)-44,47%-5,52%
Cury (CURY3)+9,94%+9,52%

Construtora Even (EVEN3)

As vendas do 4T20 da Even (EVEN3) totalizaram R$ 402 milhões, representando uma VSO consolidada de 17%. As vendas de estoque somaram R$ 230 milhões com uma VSO de 12%.

Dos empreendimentos lançados no trimestre, foram vendidos R$ 171 milhões.

Em 2020, as vendas da Even totalizaram R$ 1,4 bilhão.

No 4T20 foram lançados 2 empreendimentos em São Paulo, com VGV de R$ 444 milhões.

Em 2020 a empresa lançou 13 empreendimentos/fases, totalizando R$ 1,4 bilhão.

Construtora MRV (MRVE3)

A MRV (MRVE3) divulgou sua prévia operacional nesta quinta-feira. A empresa registrou o maior volume de vendas em um ano da história da MRV&Co em 2020.

Foram 46 mil vendas líquidas (R$ 7,5bilhões) e 52 mil vendas brutas (R$ 8,7bilhões).

Só no 4TRI20 foram R$ 2,061 bi em vendas líquidas. Ou seja, aumento de 49,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

O ano de 2020 foi marcado pelo maior volume de lançamentos da história da MRV&Co, totalizando R$ 7,7 Bilhões em VGV lançado, incluindo todos os negócios do  grupo. O 4T20 registrou novo aumento no volume de lançamentos, dando continuidade à recuperação apresentada no trimestre anterior.

Com o aumento dos lançamentos no 4T20, a VSO do período sofreu uma contração de 2,6p.p. no comparativo com o trimestre anterior, atingindo 18,6%. Essa marca representa uma velocidade de vendas 5,8 p.p. mais alta que o 4T19.

A geração de caixa de 2020 atingiu o patamar de R$ 76,2 milhões.

Por fim, o landbank da empresa fechou 2020 em R$ 64,2 bilhões.

Eztec (EZTC3)

A construtora EzTec (EZTC3) divulgou que os lançamentos e vendas líquidas somaram R$ 1,2 bilhão em 2020.

A prévia operacional da empresa mostra que as vendas brutas no segundo semestre cresceram 11% em relação ao primeiro semestre de 2020.

O VGV de lançamentos do 4TRI20 foi de R$ 381 milhões. Ou seja, superior aos R$ 206 milhões do 3TRI20. Mas abaixo dos R$ 934 milhões do 4TRI19.

Em dezembro a Ez Tec lançou quatro empreendimentos.

As vendas líquidas do 4TRI20 foram de R$ 282,3 milhões decompostas em R$ 317,2 milhões de vendas brutas.

A empresa atualizou o guidance para 2021 com lançamento esperado de R$ 2,8 bilhões a R$ 3,3 bilhões.

Em relatório, o BTG (BPAC11) escreveu que os resultados operacionais da Eztec foram fracos, com lançamentos e vendas sem brilho.

Apesar disso, o banco vê a construtora bem posicionada para realizar muito neste ano. Isso porque, a Eztec possui um banco de terrenos considerável, balanço patrimonial forte e gestão de alto nível.

Direcional (DIRR3)

A Direcional (DIRR3) registrou recorde de vendas líquidas no quarto trimestre de 2020. Foram vendidos R$ 523 milhões. Ou seja, um crescimento de 41% em comparação ao mesmo período de 2019. A prévia operacional foi divulgada nesta terça-feira (12) pela empresa.

As vendas líquidas cresceram 27% no acumulado do ano de 2020.

Os últimos meses de 2020 foram também o melhor trimestre de lançamentos da história da Direcional: R$ 697 milhões, crescimento de 26% sobre o 4T19 e de 21% em relação ao trimestre anterior. Este foi um recorde absoluto ao longo dos 40 anos da companhia.

Em 2020, os lançamentos atingiram R$ 1,8 bilhão. Ou seja, declínio de 9% em relação ao registrado no ano de 2019.

A velocidade de vendas líquidas do 4T20, medida pelo indicador VSO (Vendas Líquidas sobre Oferta), atingiu índice de 17% no consolidado. Já a VSO dos projetos da Direcional, excluindo o Legado, alcançou 18% no trimestre.

Assim, a empresa encerrou o 4T20 com 13.381unidades em estoque, totalizando VGV de R$ 2,5 bilhões

Cyrela (CYRE3)

No trimestre quarto trimestre de 2020, a Cyrela (CYRE3) lançou 25 empreendimentos, totalizando um volume de R$ 2,87 bilhões. Os números representam uma alta de 106% sobre o mesmo período do ano anterior, com volume de R$ 1,39 bilhão.

O VGV de lançamentos alcançou R$ 5,84 bilhões no ano, sendo maior que o ano de 2019. Enquanto as vendas sobre oferta (VSO) ficaram em 38% no trimestre.

Ainda no quarto trimestre, as vendas líquidas somaram R$ 1,86 bilhão, um avanço de 34% na comparação com o mesmo período de 2019.

Em 2020, as vendas contratadas atingiram R$ 4,93 bilhões, sendo 7% superior ao ano de 2019.

A maior parte das vendas foram em lançamentos (59%). Seguidos de imóveis em construção (24%) e estoque pronto (17%).

O BTG Pactual reforçou a recomendação de compra para as ações da Cyrela (CYRE3). O banco destacou o forte crescimento nos lançamentos e vendas líquidas da construtora.

“Acreditamos que a Cyrela oferece uma combinação única de forte crescimento (uma vez que continua entregando grandes volumes), bons dividendos à frente (alto rendimento de dividendos de um dígito) e uma avaliação atrativa. Daí nossa classificação de compra”, conclui o BTG.

Mitre (MTRE3)

A Mitre (MTRE3) teve vendas líquidas no 4TRI20 34% superiores ao mesmo período de 2019.

Em prévia operacional, a empresa divulgou que, no ano, as vendas líquidas totalizaram R$ 607,8 milhões, 31,6% superiores ao ano de 2019.

A empresa teve lançamento de R$ 920,1milhões em 1.857 unidades em 2020. Ou seja, aumento de 30,4% e 11,5% em relação a 2019, em VGV e unidades lançadas, respectivamente.

Já o Índice de Vendas sobre Oferta (VSO) foi de 46,9%no trimestre, e de 65,4% no ano de 2020.

A companhia, após lançar 930 e vender 656 unidades no trimestre, concluiu o 4T20 com 743 unidades em estoque. Totalizou R$ 408,3 milhões em VGV, em comparação com 469 unidades e R$259 milhões no 3T20.

Plano & Plano (PLPL3)

A prévia operacional do 4TRI20 da Plano & Plano (PLPL3) registra que a empresa teve vendas líquidas contratadas que somaram R$ 284 milhões, valor 25,3% superior ao registrado no 4T19 (R$ 227 milhões).

No ano de 2020, as vendas contratadas atingiram R$ 874 milhões. Ou seja, 28,7% superior ao mesmo período de 2019.

A companhia lançou sete empreendimentos no trimestre, totalizando um volume de R$ 528 milhões, 3,8 % superior ao realizado no 4T19 (R$ 509 milhões).

No acumulado do ano, o total de lançamentos foi de R$ 1,433 bilhão. Ou seja, 14,9% superior ao R$ 1,247 bilhão lançados em 2019.

O VSO medido em 31 de dezembro de 2020 da Plano & Plano está impactado pelo bom volume de lançamentos (em VGV) no 4º trimestre, quando foram lançados o equivalente a R$ 538 milhões em VGV.

As vendas dos empreendimentos lançados no 4º trimestre somaram R$ 27,1 milhões no próprio 4º trimestre.

RNI (RDNI3)

No quarto trimestre, a RNI (RDNI3) lançou três empreendimentos que, juntos, totalizam R$ 240 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV). Isso representa um acréscimo de 57% sobre 2019 e 88% na comparação com o trimestre anterior.

Conforme a construtora, houve recorde de lançamentos, com volume superior aos últimos 5 anos, totalizando R$ 584 milhões em 2020.

As vendas líquidas também registraram recorde, com R$ 560 milhões, o que representa um acréscimo de 222% em relação ao mesmo trimestre de 2019.

Também no quarto trimestre, o VGV lançado somou R$ 241 milhões, uma alta de 88% sobre um ano antes.

Segundo informa a empresa em comunicado oficial, as vendas líquidas contratadas no trimestre somaram R$ 178 milhões.

Esse é um valor 28% acima do registrado no quarto trimestre de 2019, que foi de R$ 139 milhões.

A RNI ainda destaca o bom desempenho comercial, que consequentemente impulsionou a VSO líquida avançando 2 p.p em relação ao 3T20.

“Não podemos deixar de comentar sobre a evolução dos nossos canais digitais (E-Commerce), plataforma fundamental no cenário econômico atual”, destacou a Companhia.

Construtora Tenda (TEND3)

A Construtora Tenda (TEND3) divulgou nesta terça-feira (19) a prévia dos resultados operacionais do quarto trimestre de 2020.

No período, a Companhia lançou 20 empreendimentos, totalizando R$ 885,2 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV).

Os números refletem uma alta de 5,9% na comparação anual e queda de 10,1% na comparação com o trimestre anterior.

Em 2020, a região metropolitana de São Paulo passou a representar 37,1% do VGV lançado com 5.898 unidades lançadas. A região de Salvador representou 19,2% do VGV lançado, com 3.668 unidades lançadas.

Ainda no último trimestre de 2020, as vendas líquidas totalizaram R$ 795,2 milhões, alta de 29,1% na comparação com um ano antes.

“Trata-se do melhor trimestre em vendas líquidas na história da Tenda”, afirmou a Companhia.

O nível de distratos sobre vendas brutas apresentou redução de 4,2 pontos percentuais, para 7%.

O VGV repassado totalizou R$ 619,8 milhões no qarto trimestre de 2020, avanço de 12,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

“O bom desempenho deve-se à normalização dos financiamentos no decorrer do segundo semestre, dado que a Caixa Econômica Federal  adaptou seus procedimentos para superar os desafios operacionais verificados no início da pandemia”, destacou a Tenda.

No quarto trimestre de 2020 foram entregues 2.728 unidades e ao longo do ano, 9.246 unidades.

Gafisa (GFSA3)

A Gafisa (GFSA3) reportou vendas líquidas de R$ 271,8 milhões no quarto trimestre de 2020. O resultado representa crescimento de 354,3% na comparação com mesmo período de 2019.

No ano, as vendas líquidas cresceram 123%, atingindo R$ 437,9 milhões.

Em 2020, a companhia lançou R$ 898 milhões em VGV, sendo esse o melhor desempenho anual desde 2016.

No quarto trimestre, os lançamentos totalizaram R$ 627,2 milhões.

“A retomada dos lançamentos em 2020 é consequência direta da estratégia de crescimento da companhia tanto de maneira orgânica quanto através de M&A, uma vez que 67,5% desses lançamentos são oriundos de ativos adquiridos pela nova gestão via M&A” diz o documento.

Em 2020 a Gafisa adquiriu14 terrenos com VGV potencial de R$ 2,1bilhões, sendo R$ 877 milhões adquiridos organicamente pela Gafisa e R$ 1,1 bilhão via transações de M&A.

Cury (CURY3)

A Cury (CURY3) anunciou vendas líquidas de R$ 404,6 milhões no quarto trimestre de 2020, crescimento de 22,8%.

No trimestre foram lançados 6 empreendimentos totalizando um VGV de R$ 675 milhões, sendo 5 localizados em SP e 1 localizado no RJ. No acumulado do ano foram lançados 17 empreendimentos, totalizando um VGV de R$ 1,541 bilhão, um recorde histórico para a Cury.

A velocidade vendas (VSO) atingiu 35,1% no quarto trimestre, queda de 3,1 pontos percentuais.

A Cury apresentou R$ 170,3 milhões em geração de caixa em 2020, e R$ 49,2 milhões no trimestre.

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