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Concessões de saneamento vão testar apetite do investidor, diz jornal

Concessões de saneamento vão testar apetite do investidor, diz jornal

Os investidores estão de olho nas concessões que devem entrar em vigor no país a partir de setembro, a exemplo da que ocorrerá no segmento de saneamento.

Os investidores estão de olho nas concessões que devem entrar em vigor no país a partir de setembro, a exemplo da que ocorrerá no segmento de saneamento.

Isso porque para acelerar obras por todo o país, o governo promoverá leilões tanto para concessões quanto para parcerias público-privadas (PPP).

Levantamento do Estadão mostra que o pontapé inicial começará por Maceió. As obras previstas para a região metropolitana demandam R$ 2,6 bilhões em investimentos.

Já no entorno de Cariacica, no Espírito Santo, os investimentos projetados giram em torno de R$ 580 milhões.

Segundo o jornal, o PPP Sanesul, em Mato Grosso do Sul, demandará R$ 3,8 bilhões, enquanto o PPP de dessalinização de Fortaleza pede R$ 500 milhões, em média.

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Na prática, significa dizer que esses empreendimentos serão um termômetro do interesse dos investidores – que vivem hoje num cenário de grandes transformações do ponto de vista social e ambiental.

Superintendente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Cleverson Aroeira da Silva disse que há uma grande movimentação no mercado, seja pela concessão de Alagoas ou pela Cedae (RJ), que ainda não tem data para o leilão.

Ao Estadão, ele disse que o banco de fomento está tendo papel fundamental na modelagem dos projetos a serem licitados.

“Hoje o banco tem, em carteira, R$ 50 bilhões em projetos, envolvendo oito Estados brasileiros, e está em conversas com outros três para iniciar estudos”, frisou.

Concessões na área do saneamento despertam o apetite do investidor

Regularidade no lançamento de licitações

De acordo com Silva, nos próximos anos haverá uma regularidade no lançamento de licitações, o que é muito importante para garantir o interesse de grandes investidores.

Já com a aprovação do novo marco regulatório, empresas de outros setores começaram a estudar possibilidades em saneamento, como é o caso das companhias CCR (concessões de transporte) e Equatorial (energia elétrica) e dos fundos de investimento Vinci Partners e Pátria.

Presidente da BF Capital, Renato Sucupira destacou que o setor é a melhor alternativa de investimento dentro da infraestrutura.

“Não tenho dúvida de que haverá grande concorrência nas licitações”, elencou.

A gestora Pátria, por sua vez, está de olho nas oportunidades que o novo marco regulatório trará para o setor.

A asset tem, neste momento, uma equipe avaliando a nova regulamentação, licitações e o modelo de negócio de cada projeto.

Cofundador e sócio da Pátria, Otavio Castello Branco disse que a empresa tem investimentos em soluções ambientais e num projeto de dessalinização no Chile.

Entretanto, frisou, a gestora não investiu em saneamento no Brasil, por enquanto, por mera falta de oportunidade.

A fala do executivo mostra o grande interesse dos investidores pelo segmento. “Já avaliamos aquisições no passado, mas sempre esbarramos em alguns entraves, como a falta de legislação.” Mas agora, diz ele, os ventos mudaram com o novo marco regulatório.

Concessões na área do saneamento despertam o apetite do investidor

Eles vão de parceria

De acordo com o Estadão, nesse primeiro momento a expectativa do mercado é que os novos investidores, sobretudo o financeiro (como fundos de investimento), façam parceria com outras empresas que já estão no setor.

Isso porque algumas licitações exigem atestação técnica, afirma o diretor executivo da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), Percy Soares Neto.

Ele destaca ainda que alguns ativos são tão grandes que exigirão uma estrutura de capital reforçada.

É o caso dos serviços de água e esgoto do Rio, hoje administrados pela Cedae. O BNDES espera lançar o edital de licitação em outubro e trabalha para fazer um leilão até o fim deste ano.

Pelo tamanho do investimento, de R$ 33,6 bilhões, a concessão será feita em quatro lotes. O ativo é um dos mais cobiçados no mercado, especialmente pelos fundos de investimentos.

Cedae, no Rio

Presidente e cofundador da gestora IG4, acionista da Iguá (empresa de saneamento), Paulo Mattos disse que o novo marco regulatório trará grandes avanços para a população e muitas oportunidades para investidores.

Também que a pressão ambiental em curso no mundo será positivo para o setor, que terá mais abertura no mercado de capitais.

Ele cita como exemplo a emissão de debêntures que a Iguá acaba de fazer em plena pandemia da Covid-19.

A empresa conseguiu no mercado quase R$ 900 milhões para investir na infraestrutura de saneamento em suas concessões de Cuiabá e Paranaguá, além de refinanciar a dívida.

“Esse mercado para capitais financeiros vai bombar. Todos querem ter um selo de qualidade.”