Um dos maiores dilemas do investidor é buscar como proteger seu patrimônio e manter seus rendimentos. Com isso, torna-se fundamental saber como investir com a Selic em alta.
Historicamente, o Brasil costuma ter juros elevados, quase sempre na casa dos dois dígitos. Basta pegar o histórico: há cerca de 20 anos, a taxa Selic já esteve próxima a 30% ao ano. Dados do Banco Central (BC) mostram que, em 2003, a taxa chegou a incríveis 26% ao ano. A partir daí, começou a cair de forma gradual, até atingir 9,25%. Mas foi um longo tempo: a casa de um dígito foi alcançada somente em 2009. Ou seja: entre sair dos 26% e chegar aos 9,25%, foram necessários seis anos.
Porém, para que o inverso ocorresse não demorou muito. A economia observou os juros retornarem aos dois dígitos em junho de 2010, somente pouco mais um ano.
O que isso significa? Significa que investir no Brasil representa saber lidar com as volatilidades e principalmente com o cenário de subida de juros, principalmente no contexto atual, quando o Copom – Comitê de Política Econômica – está exercendo um ciclo de alta na taxa de juros.
O que é a Selic?
Antes de mais nada, o investidor precisa saber o que é a taxa Selic. Ela é a taxa básica de juros da economia e foi criada em 1979, em um ambiente de inflação extremamente elevada. Tem como principal função combater o descontrole inflacionário. Hoje, a taxa de juros é de 11,75% ao ano.
A cada 45 dias, o Copom se reúne para definir um novo patamar da taxa ou mantê-la, dependendo da política econômica que está vigorando. O nome Selic vem da abreviatura de O termo Selic é uma abreviação para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, conforme definição do próprio BC.
A taxa pode impactar a rotina dos brasileiros de diversas formas. Pode influenciar desde a taxa de juros praticadas em empréstimos ou financiamentos, passando pelo impacto na rentabilidade dos investimentos, até finalmente conter o avanço ou a impedir a retração da economia.
E como isso funciona? Quando há desaceleração econômica ou risco de recessão, provocada por algum fator contraproducente do ponto de vista econômico, promove-se a redução dos juros.
Com isso, há o estímulo ao consumo e concessão de crédito. Nesse cenário, o dinheiro fica mais barato. E dessa forma, a população consegue pegar mais dinheiro emprestado em operações de empréstimo ou financiamento, o que ajuda a roda da economia girar. Isso faz com que mais dinheiro circule e estimule o crescimento. Como resultado, espera-se que a economia acabe aquecida, gerando mais empregos e mais consumo. Porém, acompanhando a fartura de crédito, há o risco da inflação subir.
No oposto, quando já existe um cenário de muito dinheiro em circulação e uma inflação já instalada, é preciso desestimular o consumo para forçar os preços para baixo. Para isso, o Copom eleva a taxa básica de juros. Assim, o crédito fica mais caro e, por consequência, as pessoas passam a ter dificuldades para obter financiamentos para compras. Com isso, o consumo fica dificultado. O efeito esperado disso é a redução da oferta. E com isso, os preços tendem a diminuir e a inflação pode seguir o mesmo ritmo. O efeito colateral dessa medida é que, com os juros elevados, as empresas também ficam com dificuldades de pagar empréstimos, repassando essa dificuldade aos preços. E como reduz-se o consumo, muitas empresas precisam cortar custos. Isso significa um aumento do desemprego.
Diversas casas de análises, bancos e agências de classificação são unânimes quanto à duração do ciclo atual da taxa de juros no Brasil. Todos eles enxergam que o ciclo está próximo do fim.
Atualmente, o Brasil estaria pronto para entrar no período de recessão. Ou seja: o final de um ciclo, com um novo ciclo de estímulo sendo iniciado na sequência. Isso significa que os juros parariam de subir e passariam a ter uma tendência de queda. Analistas dizem que isto poderia ocorrer a partir de 2023.
Dados da EQI Research apontam, no entanto, que o Brasil já está em um ciclo recessivo. A projeção do Produto Interno Bruto (PIB) é de apenas 0,3% em 2022. O que causa preocupações, pois isso indica que a economia poderá “andar de lado”, em vez de crescer, gerando empregos e rendimento aos investimentos.
Além dos impactos verificados com a pandemia da covid-19, outro ponto que causa tensões no mercado, são os efeitos da guerra ocorrida entre a Rússia e a Ucrânia. O conflito, que teve início em fevereiro, ainda se arrasta e não se sabe até quando a guerra poderá se estender.
Essa guerra causa problemas ao Brasil. Isto porque o país é considerado um grande exportador de commodities, como produtos agrícolas, para a Rússia. Se o conflito persistir por muito tempo, provavelmente haverá queda na produção e distribuição. Outros complicadores é que o petróleo pode causar um desiquilíbrio nessa balança, pressionando a inflação. Além disso, há a dependência nacional dos fertilizantes russos, o que poderá encarecer os produtos agrícolas e também pressionar os preços para cima.
Com relação ao petróleo, os aumentos do barril, principalmente do Brent, tem levado a um aumento no preço dos combustíveis. O que acaba elevando o custo de todas as mercadorias transportadas pela via rodoviária. Atualmente, esse ainda é o principal modal usado no Brasil.
Diante desse cenário, o governo, via Copom, terá de agir para impedir um crescimento excessivo da inflação. Daí, um dos principais remédios para, é a elevação da taxa Selic.
E tendo a definição de Selic em mente, vamos compreender dois conceitos importantes: o que são a Taxa Selic Over e a Taxa Selic Meta. Pois mexem diretamente com os investimentos e como eles podem impactar as aplicações.
Taxa Selic meta
Esta é aquela estipulada pelo Copom durante a reunião de dois dias período. Em outras palavras, quando nos referimos à taxa Selic como um todo, estamos nos referindo à Selic meta.
Taxa Selic Over
A outra definição, a Taxa Selic Over, possui um pouco mais de complexidade. Esta não se refere à taxa de uma forma geral, como observado antes, mas sim ao percentual real colocado em prática na economia. Por isso, o cálculo da Selic Over possui outras variáveis. Ela é ligada principalmente aos empréstimos que ocorrem entre os bancos.
E como ocorre esse empréstimo entre as próprias instituições financeiras? Elas realizam operações de empréstimos entre si para impedir que o caixa feche o dia no negativo e assim consigam cumprir essa regra considerada de ouro para a saúde financeira para os bancos. E aí que entram os juros da Selic Over.
Esses empréstimos costumam ser a curto prazo, sendo pagos em até 24 horas. A garantia das operações, via de regra, é dada em títulos públicos adquiridos pelos bancos que contraem esses empréstimos.
Geralmente, a meta e a over são próximas. Mas quando o valor delas difere muito, o Banco Central pode intervir comprando ou vendendo títulos.
Há ainda as taxas mensais, que podem ser consultadas por meio do site da Receita Federal.
Por fim, a Selic também tem influência sobre o câmbio, que é a paridade entre o real e o dólar. Pode ser mais uma ferramenta para valorizar a moeda brasileira.
Funciona da seguinte forma: quando há elevação da Selic, investidores e especuladores externos fazem aplicações no país. A ideia é aproveitar os juros elevados. Daí mais dólares passam a circular na economia. Há então uma redução no câmbio – com uma oferta maior – e o real ganha força perante a moeda norte-americana, segundo dados do banco BTG Pactual (BPAC11).

Assim, a taxa básica de juros pode ser usada tanto para segurar a alta da inflação como também para valorizar o real. Ambos os mecanismos devem beneficiar a economia nacional e protege-la de movimentos que prejudiquem os investimentos.
Como investir com a Selic em alta: onde investir?
Como vimos, quando o Copom promove um aumento nos juros indica que há um movimento inflacionário em alta. Isso acaba por gerar volatilidade no mercado. Daí surge a importância de saber onde investir com a Selic em alta.
Geralmente, a elevação da taxa Selic beneficia investimentos de renda fixa. Isto porque estes costumam ter seus rendimentos indexados à própria taxa de juros ou à CDI.
Os títulos públicos, por exemplo, vendidos por meio do Tesouro Direto. Este tipo de investimento possui uma relação próxima da Selic. Inclusive uma das modalidades desse investimento recebe o nome de Tesouro Selic, pois rende o percentual de 100% da taxa básica.
Outros títulos que são influenciados pela Selic são os chamados pré-fixados ou os que acompanham o IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo.
Com relação à conhecida poupança, a rentabilidade deste tipo de investimento também envolve a Selic diretamente. Isso porque se a taxa for superior que 8,5% ao ano, o rendimento da poupança passa a ser de 0,5% ao mês acrescido da Taxa Referencial (TR). Por outro lado, se a Selic estiver igual ou menor que o patamar de 8,5%, o rendimento passa a ser de 70% da Selic mais a TR.
O problema com relação à poupança é que se a taxa estiver muito baixa, a caderneta acaba sofrendo o risco de ter uma rentabilidade negativa. Isso significa que passa a rende menos que a inflação e fica corroída.
Existem ainda outros tipos de investimentos de renda fixa que sofrem influência da Selic. É o caso da dos Certificado de Depósito Bancário (CDB), das Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI e a LCA). Estes possuem a vantagem de ter a rentabilidade acompanhando o CDI.
É importante ter em mente o que é a CDI. Trata-se da abreviação de Certificado de Depósito Interbancário. É um título emitido por um banco como garantia de empréstimo tomado junto a outro banco.
Tais empréstimos entre bancos ocorrem de forma que possam garantir a estabilidade do sistema financeiro nacional, e pode exigência do Banco Central, as instituições bancárias ficam proibidas de encerrar o dia com o caixa negativo.
Na prática, se ao final de um dia um determinado banco registrou mais retiradas do que entradas de dinheiro, este contrai um empréstimo de outro banco que tenha encerrado o dia com sobra de caixa.
Esses empréstimos são de apenas 24 horas e possuem taxa de juros prefixada – a taxa DI. Esta taxa é baseada na média dos juros cobrados nessas transações entre bancos. Sua variação é diária. Porém, ela é normalmente expressa com um percentual anualizado.
Com relação aos Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), não há um consenso estabelecido. Há quem defenda que, em momento de juros elevados, o melhor caminho é investir nos chamados fundos de fundos (FOFs) que possuem investimentos em FIIs de tijolos.
Ainda em FIIs, alguns especialistas apontam que ainda vale mais a pena ter Fundos Imobiliários do que Tesouro IPCA+ hoje. Isto porque, mesmo que ocorra um aumento na tributação, pode ocorrer uma alta nos nos aluguéis e no INCC (Índice Nacional de Custo de Construção) a longo prazo. Esses dois itens favoreceriam os rendimentos dos FIIs.
Mas sempre é bom lembrar que os FIIs são investimentos de longo prazo e deve ser encarado dessa forma para que o investidor não corra o risco de perder dinheiro.
Sobre os criptoativos, bastante popular hoje em dia, é preciso ter cautela. Esses ativos eletrônicos registraram uma elevada volatilidade no ano passado. Por outro lado, também chegaram a altas históricas. O mais conhecido deles, o bitcoin (BTC), por exemplo, chegou a passar dos US$ 68 mil. Fato este ocorrido em novembro de 2021. O segundo maior critpoativo, o ether (ETH), passou dos US$ 4,7 mil no mesmo mês.
Porém, especialistas chamam a atenção para o fato de que o mercado pode próximo de uma desaceleração, temor que é agravada com a guerra na Ucrânia. Outros fatores são a intensificação da fiscalização sobre as criptomoedas em diversos países do mundo e as intensas flutuações de preços. Esse cenário reduziram as perspectivas do bitcoin recentemente.
E falando no bitcoin, especificamente, especialistas apostam em uma forte queda neste ano. Inclusive já é considerado no mercado de que ocorra uma possível bolha desse critpoativo, que poderia ocorrer em um futuro próximo. Tal como aconteceu com as empresas da internet no começo dos anos 2000.
Em outras palavras: esse aumento intenso nos preços podem acabar não se mantendo. E desta forma, ocorre uma desvalorização acelerada.
Como investir com a Selic em alta: quem ganha?
Quem ganha com a Selic em alta são os investimentos considerados de menos risco, e são justamente aqueles de renda fixa. Principalmente os títulos públicos. Porém, é necessário considerar que, em contrapartida, quanto mais conservador for o investimento, menor é sua possibilidade de obter uma rentabilidade maior.
Apesar disso, os investimentos mais seguros são aqueles que protegem o patrimônio do investidor em momentos de alta volatilidade no mercado e impedem de ocorrer perdas diante de um cenário de inflação elevada.
Tá, e aí? O que isso significa para o investidor?
Ao que tudo indica, é provável que, apesar de ocorrer um vislumbre do fim do ciclo de alta nos juros, é bem possível que os juros permaneçam na casa dos dois dígitos.
Para grande parte do mercado, incluindo o BTG, é praticamente esperado que o Copom optar pela alta, de forma a conter a inflação. Isso porque o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em dois dígitos em 2021, em 10,06%. Este é considerado o maior aumento desde 2015, quando atingiu 10,67%. Superando em muito o teto da meta estipulada pelo governo, que é de 5,25%. O centro da meta era de 3,75%.
Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos, declarou que a diversificação é a palavra de ordem nos momentos atuais. Então nada mais importante do que ter uma carteira preparada para obter ganhos e ao mesmo tempo evitar exposições excessivas à inflação e às volatilidades do mercado.
Portanto, está claro que, em momentos como este que vivemos atualmente, é preciso diversificar os investimentos. Ter uma carteira que possa fazer frente às limitações impostas pela inflação elevada e de cenários de alta volatilidade.
Como saber a melhor forma de construir uma carteira bem diversificada e com rendimentos adequados aos cenários mais adversos, procure a EQI Investimentos, que possui uma especializada equipe de assessores de investimentos altamente qualificada.
O investidor pode investir em diferentes produtos, desde Tesouro Direto até fundos de investimento, renda fixa, COE e renda variável.
Além disso, investidores com mais experiência podem buscar ganhar na valorização de papéis que se beneficiam com o rebaixamento dos juros. É o caso do Tesouro Pré-Fixado e do Tesouro IPCA+.
Porém, como em quase tudo, esse tipo de estratégia requer um conhecimento profundo dos movimentos de mercado. E é indicado para investidores com mais estrada e mais conhecimento dos mecanismos,
Por isso, é importante contar com uma assessoria de investimentos valorizada e graduada, como o time da EQI Investimentos. A empresa tem como parceira o BTG Pactual (BPAC11), considerado o maior banco de investidores da América Latina. Com essa expertise à disposição, o investidor pode saber como investir com a Selic em alta. E evitar perdas e ainda possibilitar algum ganho.





