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Cogna (COGN3) tem queda de 56% no ano; veja o que acontece

Cogna (COGN3) tem queda de 56% no ano; veja o que acontece

Apesar da desvalorização de 56% desde o início do ano, a ação da Cogna (COGN3) é das mais populares nas redes sociais e, além de muito comentada, é também das mais negociadas na bolsa brasileira.

Depois de chegar ao máximo de R$ 20,05 em 2017, agora a ação da Cogna se encontra na casa dos R$ 5. Mas ela tem oscilado muito ao longo do tempo.

Apesar do “burburinho” ao redor dos papéis, em seu último relatório, o do terceiro trimestre, a empresa apresentou seu pior resultado: um prejuízo de R$ 1,29 bilhão, revertendo o lucro de R$ 20,4 milhões de um ano antes.

Entenda o que acontece com as ações da Cogna.

Cogna

Reprodução/Google

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Cogna: ex-Kroton é o maior grupo de educação superior

A Cogna, ex-Kroton, é um dos maiores grupos educacionais do país, sendo o maior em ensino superior.

A empresa integra o Ibovespa, pelo seu alto volume de negociação registrado, o que ajuda a dar visibilidade às ações.
Até 2019, o foco da empresa era apenas o ensino superior. No entanto, depois de diversas aquisições, a Cogna engloba hoje Kroton, Somos, Saber e Platos. Sob sua gestão, estão marcas fortes de ensino básico e fundamental, como Sistema Anglo e PH, e a escola de idiomas Red Ballon.

Cogna: o “novo Magalu”?

Justamente no potencial fora do ensino superior é que reside grande parte da aposta daqueles que acreditam na Cogna.

Um deles é Henrique Bredda, gestor do famoso fundo Alaska, e a pessoa que enxergou o potencial de valorização do Magazine Luiza em 2015, quando ninguém dava nada pela empresa – e que surfou toda a onda de valorização dos papéis desde então.

Bredda defende que a Cogna pode vir a ser o “novo Magalu”. Como ele é muito atuante nas redes sociais, possivelmente tenha grande parcela de responsabilidade na atenção que a Cogna vem recebendo dos investidores.

Ele explica que, caso a ação custasse R$ 50, a empresa pouco lhe interessaria. No entanto, na faixa em que se encontra, torna-se atraente. Isto porque, em sua visão, existe um grande potencial de valorização, mas só no longo prazo – o que sinaliza, a quem busca ganhos rápidos, que o negócio envolve risco e paciência.

“Pode ser que eu esteja completamente errado em minhas análises”, ele alerta. O fato é que o Alaska detém 10% das ações da Cogna.

Na avaliação de Bredda, a grande “sacada” na análise da Cogna é sair do senso comum de avaliar a empresa pelo potencial do ensino superior e focar nas demais possibilidades.

Ele acredita que a empresa se tornará, em um futuro de médio e longo prazo, em uma grande plataforma educacional, através da qual pequenas escolas espalhadas pelo país poderão adquirir sistemas de ensino com assessoria, cursos extracurriculares para serem oferecidos no contraturno, e controle de pagamentos, com emissão de boletos e até antecipação de recebíveis.

BlackRock reduz participação

Enquanto Bredda aposta na empresa, a BlackRock reduziu recentemente sua parcela na Cogna, para 3,21%. A gestora possui 60 milhões de ações ordinárias e 54 mil ADRs da companhia, conforme anúncio feito no dia 3.

Já a gestora Studio encerrou recentemente sua posição vendida em Cogna, após a ação cair mais de 50%. A Studio alega, em relatório, que não conseguirá “margem de segurança relevante para seguir carregando uma posição vendida após tão pronunciada queda”.

A posição vendida havia sido montada na época da abertura de capital da Vasta, quando a gestora entendeu que o IPO já havia sido precificado, o que foi confirmado com a queda das ações logo após a estreia em Nova York.

Recomendações da Cogna

Para a maioria dos analistas, a ação da Cogna está próxima do preço adequado. As recomendações são, prioritariamente, neutras.

É o caso do Bradesco BBI, que tem recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 6,50 até o final do ano.

A corretora Ágora, do Bradesco, destaca em relatório que a Cogna sente a pressão da crise e da concorrência, que vem aumentando. E ainda luta contra a má fama de alguns de seus cursos, considerados de baixa qualidade. “Acreditamos que o aumento da ingestão em cursos premium é promissor. Ainda devemos ver alguma pressão no curto prazo, mas o impacto já será reduzido em 2021”, afirmam os analistas da casa.

O BTG Pactual também tem recomendação neutra e aposta em uma reestruturação da empresa em breve, especialmente na marca Kroton.

“Todos nós concordamos que os resultados do terceiro trimestre da Cogna eram para ser fracos. Mas a grande queda no negócio local nos preocupa, particularmente considerando que ele representa mais de 55% do Ebitda total”, comentaram os analistas Samuel Alves e Yan Cesquim em relatório. O banco reduziu o preço-alvo da ação para R$ 5,40.

Mirae tem recomendação de compra

Já a Mirae Asset tem recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 7,26.

Analista da casa, Pedro Galdi explica que o setor de educação foi severamente afetado pela pandemia, tendo que alterar totalmente seu modelo de aula presencial para remoto.

Tal condição impôs gastos para avanço tecnológico em todas as instituições de ensino do país. No caso da Cogna, em especial, o impacto foi ainda mais forte. Isto devido a seu alto nível de endividamento e gastos adicionais, o que levou a prejuízo no terceiro trimestre. “Aguardamos que o próximo trimestre ainda será desafiador para o setor”, pondera.

Promoção na Black Friday

Entre os momentos de altos e baixos recentes das ações, um para cima foi durante a Black Friday, quando a empresa fez uma promoção de 50% de desconto nos cursos presenciais, em todas as mensalidades, do início ao fim. As mensalidades dos cursos semipresenciais também tiveram promoção: R$ 199 ao longo de todo o curso.

A medida visou estimular o retorno dos estudantes no pós-pandemia. Isto porque a educação é um dos setores cíclicos da bolsa, tendo sido fortemente atingido pela crise do coronavírus, com inadimplência e evasão. Especialmente o ensino superior é dependente do bom desempenho do mercado de trabalho brasileiro – resumidamente, quando há emprego, há salário para pagar a mensalidade da faculdade.

Para o Bradesco BBI, a estratégia foi acertada e deve impulsionar o processo de admissão antecipada para o próximo semestre.

Vasta estreia na Nasdaq

Outro tema que gerou alta na bolsa foi a estreia da Vasta, subsidiária da Cogna, na Nasdaq, em Nova York. A empresa obteve US$ 405,8 milhões em sua oferta inicial de ações (IPO).

O papel da Vasta saiu a US$ 19, acima da faixa indicativa que era entre US$ 15,50 e US$ 17,50, e teve demanda 15 vezes superior à oferta. Com o IPO, 25% da Vasta passou para as mãos de acionistas.

Neste momento, as ações da Cogna chegaram a R$ 9.

Só que houve também muita perda na bolsa no mesmo mês. Isto porque, incentivados pelas redes sociais, muitos investidores pessoas físicas passaram a entrar no mercado de opções, sem o preparo e conhecimento necessário para tanto.

Na sequência do IPO, os papéis começaram a apresentar recuo novamente, quando muitos tinham apostado em uma subida vertiginosa que não veio. Vale lembrar que, no mercado de opções, os investidores podem alavancar seus investimentos, o que significa que, com pouco dinheiro, pode-se ter um ganho muito superior ao investido, ou um tombo proporcionalmente grande.

Terceiro tri: maior prejuízo da história da Cogna

Em seu último relatório financeiro, a Cogna apresentou seu pior resultado. Ela teve prejuízo líquido de R$ 1,292 bilhão, revertendo lucro de R$ 20 milhões no mesmo período do ano passado.

O prejuízo líquido ajustado foi de R$ 162,884 milhões, contra lucro de R$ 134.959 milhões na mesma base de comparação.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) foi negativo em R$ 610,048 milhões. Isto contra um Ebitda positivo de R$ 511,548 milhões no terceiro trimestre de 2019. O Ebitda recorrente registrou queda de 50,5%, somando R$ 229,268 milhões.

A margem Ebitda passou de 33,7% para margem negativa de 48,6%.

Segundo a companhia, o prejuízo foi motivado pela queda do resultado operacional e a maior alavancagem financeira.

Empresa afirma que fez diferença, apesar do ano difícil

Dentro da marca Kroton, a captação de alunos da graduação teve queda de 2% frente ao segundo semestre de 2019. Mas a queda foi compensada pelo crescimento na captação do ensino digital.

Com relação à Vasta, a receita de subscrição no ciclo comercial encerrado em setembro cresceu 18%, para R$ 692 milhões. O que é 3% inferior ao valor de contrato anual (ACV) anunciado no começo do ano.

Até a divulgação do relatório, a Vasta havia fechado contratos para o ano letivo 2021 que totalizavam R$ 835 milhões. O que representa crescimento de 17% em relação ao montante registrado no ciclo comercial de 2020. Ou, então, 21% em relação à receita de subscrição registrada em 2020.

De acordo com a Cogna, esse crescimento comprova que, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas ao longo desse ano difícil, a marca conseguiu se diferenciar no mercado educacional. E se posicionou como uma plataforma com as melhores soluções acadêmicas.

“Essa resiliência, apresentada mesmo em um ambiente difícil, reforça a sustentabilidade do negócio. E o potencial que ainda se pode capturar nos próximos anos”. Foi o que disse a empresa em fato relevante.

 

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