De acordo com análise do BTG Pactual (BPAC11), a Vale (VALE3) pode optar por antecipar o pagamento de dividendos este ano como resultado dos impactos da reforma tributária que, se aprovada, deve começar a valer em 2022.
Segundo os analistas, enquanto o mercado ainda está digerindo a atual proposta de reforma, os analistas preveem impactos moderados no valor patrimonial da Vale e nos lucros por ação.
“Concluímos que há um incentivo claro para a administração intensificar e antecipar dividendos mais altos no segundo semestre de 2021, o que seria um resultado natural para aumentar o valor para os acionistas”, afirma a análise do BTG.
Os analistas também acreditam acreditamos que a administração da Vale pode estar inclinada a administrar a empresa com metas de maior alavancagem.
“Portanto, o ponto principal aqui é que a proposta fiscal atual não deve atrapalhar o caso de investimento da Vale, que ainda consideramos um dos melhores trades do Ibovespa”, diz o BTG.
Assim, a recomendação é de compra até R$ 30.
Impacto compensado por preços mais altos do minério de ferro
O impacto da reforma tributária para a Vale seria de aproximadamente US$ 8,5 bilhões (ou -8% nos níveis atuais), com base nos cálculos do BTG.
Se os preços do minério de ferro de longo prazo estiverem US$ 3/t mais altos, isso compensaria totalmente o impacto sobre a avaliação da reforma tributária.
“Portanto, qualquer pequena mudança na curva do minério de ferro poderia mais do que compensar esses efeitos. Como um lembrete, os preços do minério de ferro podem variar mais de 10% em uma semana”, dizem os analistas.
Recompra mais agressiva: a escolha futura da Vale?
O BTG diz ficar contente em ver a administração anunciar um programa relevante de recompra de ações há alguns meses, o que representava cerca de 5% da capitalização de mercado da Vale na época.
Debaixo de um cenário de tributação de dividendos, o ideal é priorizar recompras, a fim de postergar o pagamento de impostos (especialmente se houver uma diferença entre o ganho de capital impostos vs. dividendos).
“Em nossa opinião, recompras só devem ser evitadas quando a liquidez é um problema, o que não é o caso da Vale. Os rendimentos de dividendos parecem atraentes, mesmo em meio a uma tributação mais elevada”, afirmam os especialistas.
A estimativa é que a Vale possa pagar cerca de US$ 15 bilhões em dividendos em 2022. Assim, implicaria em um yield de 13%.
Portanto, mesmo em um cenário de imposto sobre dividendos de 15-20%, a Vale ainda pagaria um dividend yield de dois dígitos, o que coloca a empresa como uma das ações mais interessantes do Ibovespa.
Os dividendos da Vale estão bem encaminhados e o BTG vê retornos de caixa relevantes para 2021 (rendimento de 15-20%).
Por fim, no ESG, a gestão continua gradualmente preenchendo lacunas e pretende se tornar uma referência no setor nos próximos anos (isso levará tempo), diz o BTG.






