A Lojas Renner (LREN3) reportou um 2TRI21 melhor do que os últimos trimestres, diz o BTG Pactual (BPAC11).
Conforme esperado, os números do 2T21 da Lojas Renner começaram a apresentar melhora, com menores restrições ao horário de funcionamento das lojas (no 2T21 a empresa estava com 80% da capacidade operacional, vs. 20% no 2T20) e a demanda reprimida por vestuário.
Como resultado, a receita líquida do varejo aumentou 11,8% vs. 2T19 para R$ 2,2 bilhões (em linha com a projeção do BTG), com SSS crescendo 5,1%.
Enquanto isso, as vendas digitais (14% das vendas totais) cresceram 66% a/a, considerando uma base de comparativa mais forte (ship-from-store disponível em todas as lojas, respondendo por 34% das vendas online, com novos clientes no canal online crescendo 29% a/a).
A receita líquida da bandeira Renner cresceu 10% vs. 2T19, enquanto as vendas da Youcom e da Camicado aumentaram 28%.
Margens das Lojas Renner sob pressão
A margem bruta do varejo caiu 150 bps vs. 2T19 para 55%, 30 bps abaixo da estimativa, impactada pelo câmbio menos favorável e pelas pressões inflacionárias sobre as matérias-primas.
As despesas de vendas, gerais e administrativas somaram R$ 837 milhões (alta de 23% vs. 2T19, alta de 350 bps como % da receita líquida), com a maior alavancagem operacional no período compensada por investimentos na plataforma digital (que o BTG espera persistir nos próximos trimestres).
Como resultado, o EBITDA ajustado do varejo atingiu R$ 278 milhões (queda de 19% vs. 2T19 e 7% abaixo das estimativas).
Na divisão de financiamento ao consumidor, a Renner apresentou resultados operacionais mais fracos (mas melhores do que o esperado), da ordem de R$ 51 milhões (vs. R$ 53 milhões no 2T20 e as expectativas de R$ 39 milhões).
Os resultados da intermediação financeira caíram 13% a/a, com o private label caindo 50% a/a e as receitas de co-branded subindo 5% a/a devido ao fraco desempenho do varejo nos trimestres anteriores, enquanto as provisões despencaram 42% a/a.
Como resultado, o EBITDA ajustado consolidado da Renner atingiu R$ 330 milhões (queda de 24% vs. 2T19 e 3% abaixo da projeção), com o lucro líquido chegando a R$ 193 milhões (o BTG estimava R$ 126 milhões), queda de 18% vs. o 2T19.
Melhor momentum deve persistir nos próximos meses
Enquanto a Lojas Renner caiu 7% no acumulado do ano, o BTG vê o 2T21 como o ponto de inflexão, abrindo espaço para um potencial de valorização de curto prazo.
“Enquanto isso, ainda vemos a Renner bem posicionada para ganhar participação de mercado nos próximos anos no fragmentado segmento dovarejo de vestuário brasileiro devido a sua (i) estrutura de ponta da cadeia de suprimentos; (ii) execução premium; e (iii) iniciativas omnichannel, que sustentam nossa visão positiva de longo prazo sobre o nome”, dizem os analistas.
Investimentos adicionais para impulsionar sua plataforma multicanal nos próximos anos devem exercer pressão sobre o EBITDA e lucro líquido, enquanto as futuras fusões e aquisições (usando parte dos recursos do recente follow-on) são fundamentais para um re-rating mais significativo.
Por fim, a recomendação é de compra até R$ 56.