A JBS (JBSS3) reportou outro trimestre forte, com crescimento de receita de dois dígitos em todos os segmentos, diz o BTG Pactual (BPAC11) em relatório.
A JBS entregou um trimestre forte, com vendas crescendo 27% a/a para R$ 85,6 bilhões e Ebitda recorrente atingindo R$ 11,7 bilhões (+ 10% a/a), ambos em linha com as estimativas otimistas e marcando novos máximos históricos.
A margem EBITDA de 13,7% caiu 200 bps a/a devido a uma base comparativa mais difícil, mas ainda é a segunda maior já registrada.
A geração de FCF de R$ 2,8 bilhões ficou abaixo de nossa projeção, impactada pelo consumo de capital de giro, com a JBS mencionando problemas logísticos no Brasil, mas a alavancagem ainda ficou em confortáveis 1,8x, mesmo com a aceleração do crescimento inorgânico e recompra de ações.
O lucro de R$ 4,2 bilhões foi forte e impactado pelos acordos antitruste dos Estados Unidos, sem os quais teria atingido R$ 5,7 bilhões.
Margens impressionantes da divisão dos Estados Unidos
Esperava-se que os resultados da carne bovina nos Estados Unidos um ano atrás fossem pontuais, mas com ampla oferta de animais e uma demanda excessiva, a divisão entregou um EBITDA impressionante de R$ 7,1 bilhões, 6% acima da estimativa e 13% maior no a/a, diz o BTG.
As receitas de carne suína dos EUA foram bastante fortes, mas os resultados operacionais decepcionaram com os custos mais altos dos animais e a demanda chinesa mais fraca.
No Brasil, o desempenho da receita continuou a surpreender, expandindo em 40% a/a no caso da Seara (ajudada pela incorporação dos ativos de margarina da Bunge), com melhorias contínuas de volume e preço em várias categorias de FPP.
O volume de exportação da divisão superou o da indústria (+ 25% a/a), sugerindo que a produção in natura continua elevada.
A margem EBITDA foi mais fraca em 9% (-280bps t/t) devido às pressões de custo, assim como a da JBS Brasil, que ficou em 3,4%.
O volume de abate de gado da JBS no Brasil foi forte mais uma vez e ajudou a impulsionar um crescimento de vendas de 46% a/a.
Histórico da JBS é incomparável
Com fortes resultados operacionais e geração de caixa, a JBS está trabalhando intensamente para alocar o capital excedente.
A empresa anunciou um dividendo intermediário de R$ 2,5 bilhões (yield de 3%), indicando que a distribuição de caixa aos acionistas (totalizando R$ 12,1 bilhões desde 2020) continua sendo uma prioridade.
Ao mesmo tempo, as ambições de crescimento voltaram totalmente, com ~R$ 13,3 bilhões sendo aplicados em aquisições desde 2019, além de outras iniciativas orgânicas relevantes.
“Tendemos a ser mais céticos do que a média sobre o crescimento acelerado neste setor, mas, enquanto a solidez do balanço patrimonial se mantiver, o histórico da JBS é incomparável no mercado. Negociando com valuations ainda atrativo, reiteramos a compra”, diz o BTG. Assim, o preço alvo é de R$ 45.