Os lançamentos e as vendas sólidas devem garantir um bom segundo trimestre para os resultados das empresas de construção civil, diz relatório do BTG Pactual (BPAC11).
Depois que as autoridades abrandaram as restrições da Covid-19 no final de abril, as empresas conseguiram aumentar os lançamentos e as vendas, alavancando a forte demanda por imóveis, dizem os analistas do BTG.
Portanto, a expectativa é por um trimestre sólido para a maioria das empresas da construção civil – que já relataram fortes números operacionais, com lançamentos atingindo 170% a/a e vendas crescendo 57% a/a.
Renda média/alta: trimestre forte com bom crescimento de receita e margens crescentes
As construtoras de renda média/alta devem registrar um trimestre forte, diz o BTG.
“Esperamos um crescimento sólido da receita após as empresas aumentarem os lançamentos e as vendas (prevemos receita de 48% a/a), enquanto as margens brutas também devem aumentar (margem de 35% em média; +250 pontos-base a/a) graças ao aumento dos preços de venda para compensar custos de material de construção mais elevados”, afirmam os analistas.
Portanto, o BTG espera um sólido crescimento de resultados financeiros de 200% a/a para as construtoras residenciais de média/alta renda.
Baixa renda: 2T21 fraco, com margens espremidas pelos custos de construção
Já as construtoras de baixa renda aumentaram os lançamentos (+84% a/a) e as vendas (+29% a/a) no segundo trimestre, o que deve garantir um bom crescimento de receita (expectativa de receita líquida de +21% a/a).
Porém, os custos mais altos das matérias-primas devem impactar as margens (o BTG espera que a margem bruta consolidada caia 130 bps t/t para 30,8%).
O lucro líquido ainda deve crescer (+65% a/a), mas a geração de FCF (já divulgada pela maioria das empresas) foi fraca devido a problemas de cobrança (os bancos mudaram algumas regras que impactaram o segundo trimestre).
Sólido 2T21 para empresas de habitação: destaques para LAVV, CURY e LPSB
No geral, o BTG espera que o 2T21 seja um trimestre sólido, com lucro/ação e ROE continuando a se expandir para a maioria das empresas.
Os destaques positivos devem ser: (i) Lavvi no (LAVV3) segmento de médio/alto padrão, com o maior ROE anualizado entre seus pares (28%) no forte desempenho de seu projeto “Villa Versace”; (ii) Cury (CURY3) no segmento de baixa renda, com aumento de lucro/ação em
90% a/a; e (iii) Lopes (LPSB3), que também deve apresentar bom desempenho graças à forte venda de imóveis e ao bom crescimento do crédito hipotecário (por meio de sua JV CrediPronto).
Expectativas para a construção civil no segundo semestre
Embora os custos do material de construção estejam aumentando e alguns bancos aumentaram as taxas de hipoteca recentemente, a acessibilidade continua melhor do que em qualquer outro momento da história do Brasil, então o BTG espera um segundo semestre forte à frente.
O macro parece um desafio, mas o setor está indo muito bem.
As ações de habitação caíram 20-30% no acumulado do ano, o que parece injusto, considerando que as construtoras registraram fortes resultados operacionais no 1S21, diz o BTG.
Apesar da Covid-19 (fechamento dos estandes de vendas em março e abril), as construtoras aumentaram os lançamentos em 124% a/a para R$ 16,7 bilhões, com os lançamentos nos últimos 12 meses atingindo R$ 36,2 bilhões (+47% a/a).
Por segmento, as construtoras de média/alta renda lançaram R$ 8,0 bilhões no primeiro semestre (+157% a/a), enquanto as construtoras de baixa renda aumentaram os lançamentos para R$8,7bilhões(+100%a/a).
As empresas também conseguiram aumentar as vendas, apesar dos ventos contrários da Covid-19. As vendas agregadas totalizaram R$ 15,0 bilhões no 1S21, representando um crescimento de 44% a/a, enquanto as vendas líquidas nos últimos 12 meses totalizaram R$ 30,9 bilhões (+ 30% a/a).