No fim de semana, o noticiário informou que a Petrobras (PETR4) está considerando trocar ativos da Braskem (BRKM5) com a Novonor (ex-Odebrecht). A participação é de 36%.
A ideia seria manter as operações que estão localizadas próximas às refinarias que não se encontram à venda na região, principalmente no estado do Rio de Janeiro, embora a unidade localizada no estado de São Paulo (SP) também está sendo considerada.
O NOC informou na segunda-feira que continua a buscar a venda total de sua participação na Braskem, embora oportunidades no segmento petroquímico não sejam divulgadas publicamente, deixando espaço para algumas especulações.
Mais perguntas do que respostas
As operações do RJ respondem por 9% da capacidade de produção de produtos químicos da Braskem no Brasil, enquanto São Paulo responde por 21%.
Avaliar o valor potencial de cada um desses segmentos é difícil, dada a natureza verticalmente integrada dos negócios no Brasil, que provavelmente também comanda sinergias operacionais via originação de matéria-prima e capacidade de arbitrar oportunidades em todos os locais, diz o BTG.
“Em outras palavras, avaliar esses ativos exige mais do que apenas pensar os resultados do Brasil por sua capacidade de produção. Também não está claro se o acordo incluiria qualquer porção da dívida no nível de titularidade ou se, com as mudanças na Braskem, seriam necessários estatutos de governança”, afirmam os analistas.
Opção positiva para acionistas da Braskem
O BTG acredita que a capacidade de avaliar os ativos de RJ e SP separadamente é limitado.
Com isso em mente, e assumindo um Ebitda “ao longo do ciclo” para as operações no Brasil entre US$ 1,25-1,4 bilhão, o Ebitda do RJ e SP seria aproximadamente de US$ 115 milhões e US $ 280 milhões, respectivamente, com base nas capacidades de produção.
Considerando um múltiplo EV/EBITDA de 5x, em linha com a média de 10 anos para Braskem, mas acima dos 3,4x de hoje, isso implicaria em uma avaliação de ~ US $ 2,1 bilhões para as regiões combinadas, muito abaixo da participação atual da Petrobras na Braskem de US$ 3,5 bilhões com base no último fechamento de preço.
Embora o BTG reconheça que este exercício pode ser muito simplista, ele deve ajudar investidores a navegar nas incertezas dos resultados potenciais do desinvestimento da Petrobras em Braskem.
Na segunda-feira, outra notícia afirmou que a Unipar mostrou interesse nos ativos da Braskem no hub ABC, parte das operações de SP, e apresentou uma oferta para a Novonor.
Embora uma proposta formal tenha sido negada, a sensação do BTG é que a venda da Braskem está esquentando.
“Dito isso, uma aposta na Braskem é muito mais do que apenas capturar as vantagens de sua venda potencial. Negociação abaixo dos pares e sua média histórica, embora também à beira de dividendos potencialmente mais elevados, vemos as ações como uma boa história de transição, e assim, permanecem compradores”, afirma o BTG.
Sentimentos mistos para Petrobras
Em primeiro lugar, o BTG considera importante enfatizar que de acordo com o comunicado da Petrobras, a empresa ainda considera a venda de toda a sua participação na Braskem como seu caso base.
Mantendo seu braço químico no Sudeste, porém, pode ser um movimento interessante, visto que continuará operando várias refinarias na região, oferecendo os benefícios de integração downstream.
“Manter a exposição à petroquímica também estaria alinhado com tendências vistas em outras empresas de petróleo em todo o mundo, que estão cada vez mais procurando ganhar exposição a produtos menos comoditizados”, dizem os analistas do BTG.
A preocupação mais uma vez está nas implicações para a alocação de capital da Petrobras.
Depois de anos transformando a Petrobras em uma empresa aerodinâmica com foco em ativos de E&P de classe mundial, o BTG questiona se isso poderia em última análise, significar uma mudança de mentalidade em direção ao crescimento, agora que a alavancagem é de menor interesse.
Assim, o BTG permanece neutro para Petrobras.