Relatório do banco BTG Pactual (BPAC11) aponta que as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) poderão passar por um período de grande volatilidade até outubro. Isso ocorre por conta de incertezas voltadas aos preços dos combustíveis. Com isso, o banco recomenda neutralidade com relação à petroleira.
Segundo o banco de investimentos, até recentemente o mercado vinha aprendendo a lidar com o ruído político em torno dos preços dos combustíveis e minimizando os potenciais impactos no Petrobras. Contudo, separar a retórica das ameaças reais à independência política tornou-se cada vez mais complexa.
Ainda de acordo com o relatório, o mundo inteiro vem sofrendo com a alta dos preços dos combustíveis, mas a dependência do Brasil da importação de combustíveis agrava o impacto.
“O governo parece cada vez mais disposto a evitar aumentos adicionais dos preços dos combustíveis no curto prazo. Apesar de acharmos que esse objetivo é legítimo, as regras fiscais do país, juntamente com o enorme capital político necessário para implementar algumas medidas, transformaram a política de preços de combustíveis da Petrobras em uma meta ainda maior”, aponta trecho do relatório.
BTG (BPAC11) analisa questão do combustíveis em três cenários
Para o BTG, os estatutos da empresa são um bom mecanismo de defesa contra irregularidades. E alterá-los pioraria o sentimento dos investidores, reforçando a percepção de que impedir que a empresa siga a paridade internacional de preços não é uma tarefa fácil.
Mas depois de mais uma mudança de CEO, a queda de 7% no preço das ações desde quinta-feira sugere que, mesmo aos olhos dos investidores, os riscos parecem ser maiores agora.
Diante desses fatos, o banco simulou três cenários sobre a questão dos combustíveis e suas implicações sobre a petroleira.
Cenário 1: Petrobras não subsidia importação, mas vende combustível com desconto para paridade de preços
Em março, o banco argumentou que a Petrobras não estava maximizando os retornos de downstream mantendo os preços dos combustíveis domésticos abaixo da paridade de preços.
“Contudo, a nosso ver, o fato de a empresa ter reduzido as importações de combustíveis (queda de 50% desde outubro) e ter começado a dividir esse ônus com as distribuidoras de combustíveis fez uma grande diferença”, informa trecho do documento.
Em um cenário em que a Petrobras não subsidia a importação de combustíveis, assumindo Brent no spot (US$ 120) e câmbio em R$ 5,0/US$, o banco estima que a empresa está deixando US$ 6 bilhões (R$ 30 bilhões) de EBITDA para cada desconto de US$ 15 por barril de óleo equivalente (boe) nos preços da gasolina e do diesel.
“Isso significa que para cada desconto de US$ 15/boe, a Petrobras abre mão de US$ 3,6 bilhões em potencial pagamento de dividendos”, aponta o BTG.
Cenário 2: Petrobras subsidia importações e brent permanece nos níveis atuais
A questão agora é um aumento dos rumores sobre uma possível mudança na política de preços da Petrobras, ou até mesmo colocando a Petrobras de volta à posição de importadora chave do volume necessário para abastecer o país.
Se isso ocorrer, diz o BTG, a visibilidade do fluxo de dividendos também diminui. Nos últimos 12 meses, o Brasil consumiu 508 mil boe/d de gasolina e 971 mil boe/d de diesel, enquanto produzia apenas 447 mil boe/d (88% da demanda) e 751 mil boe/d (77% da demanda), respectivamente.
Supondo que toda a diferença seja suprida por importações, que todas as importações de combustíveis sejam feitas pela Petrobras por um ano e preços do Brent em US$ 120 por barril, então o prejuízo incorrido pela empresa totalizaria US$ 1,5 bilhão para cada US$ 15/boe de desconto nos preços domésticos, ou menos US$ 0,92 bilhão em dividendos.
“Caso adicionemos isso ao valor deixado na tabela descrita no Cenário 1, estimamos uma perda total de EBITDA de US$ 7,5 bilhões e redução de dividendos de US$ 4,5 bilhões para cada desconto de US$ 15/boe para PPI, significando um yield de 5,5%”, explica o banco de investimentos.
Cenário 3: Petrobras subsidia importação de combustíveis com preços mais baixos do Brent
Na avaliação do banco, o grande risco para o Petrobras está em um quadro em que ele subsidia os preços dos combustíveis e os preços do Brent caem, uma vez que a redução do EBITDA e do pagamento de dividendos pode ser material dependendo do tamanho do subsídio ao combustível.
Um subsídio combinado de US$ 90/boe para gasolina e diesel implicaria em uma redução de EBITDA de US$ 45 bilhões para Petrobras. Mas se os preços do brent caírem para US$ 70/barril, o EBITDA consolidado da Petrobras cairia para US$ 700 milhões.
“Obviamente, achamos que isso é um risco de cauda, pois uma queda nos preços do petróleo dessa magnitude parece muito improvável neste momento. Além disso, mesmo que isso acontecesse, a pressão política sobre o Petrobras diminuiria substancialmente, assim como a necessidade de subsídio ao preço do combustível”, destaca o relatório.
Recomendação neutra
O banco não acredita que um subsídio direto financiado pela Petrobras seja um resultado altamente provável, nem seria fácil de implementar. Porém, as chances aumentaram.
Com uma perspectiva de curto prazo que aponta para preços do petróleo ainda mais altos, levando a uma pressão ainda maior para manter os preços dos combustíveis inalterados, preferimos investir no setor via outros nomes e acreditamos que as ações da Petrobras permanecerão altamente voláteis de agora até outubro, conforma finaliza o relatório BTG.






