A bolsa de valores voltou a perder os 120 mil pontos, ao fechar nesta segunda-feira (30) com menos 0,78%, indo a 119.739,96 pontos. O Ibovespa mostrou um humor mais azedo do que os visto em Nova York, onde o Dow Jones ficou no vermelho e o demais índices ficaram positivos.
Conforme vai se aproximando o dia 7 de Setembro, feriado nacional e dia marcado pelos bolsonaristas para uma manifestação em apoio a Jair Bolsonaro (sem partido), mas o presidente instiga seus aliados, com novas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Porém, é o mesmo STF que pode salvar as contas do governo, com uma solução mediadora na questão dos precatórios.
Manifesto “pela democracia” de entidades setoriais da economia, por sua vez, colocou mais fogo na quentura, fazendo atritar até mesmo aliados do Planalto, como o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf (MDB). A carta, que havia sido adiada para depois do 7 de Setembro, acabou vazada pelo jornal O Globo na tarde de hoje.
Dessa forma, o Ibovespa apresentou na mínima 119.354,12 pontos (-1,10%); e na máxima, 120.684,47 pontos (+0,006%).
O volume financeiro negociado foi de R$ 21,500 bilhões.
Confira a evolução do Ibovespa na semana, em cada fechamento de sessão:
- segunda-feira (30): -0,78% (119.739,96 pontos)
- semana: -0,78%
- agosto: -1,69%
- 2021: +0,60%
Juros
- D1F22: -0,02 p.p. para 6,74%
- D1F23: -0,04 p.p. para 8,41%
- D1F24: -0,05 p.p. para 9,04%
- D1F25: -0,05 p.p. para 9,35%
- D1F26: -0,05 p.p. para 9,54%
- D1F27: -0,04 p.p. para 9,73%
- D1F28: -0,02 p.p. para 9,94%
- D1F29: -0,04 p.p. para 10,00%
- D1F30: -0,01 p.p. para 10,17%
- D1F31: -0,01 p.p. para 10,17%
Dólar
O dólar começou a semana em queda. A moeda norte-americana perdeu 0,12% e passou a valer R$ 5,1893.
- segunda-feira (30): -0,12% a R$ 5,1893
- semana: -0,12%
Euro
- segunda-feira (30): -0,20% a R$ 6,1238
- semana: -0,20%
Criptomoedas*
- Bitcoin: +1,33% a R$ 252.164,61
- Ethereum: +5,37% a R$ 17.317,84
- Tether: +1,83% a R$ 5,19
- Cardano: -0,47% a R$ 14,68
- Binance: +1,18% a R$ 2.491,29
*(variação nas últimas 24h – corte: 17h)
Bolsa em Nova York e cenário mundial
Os índices no mercado mais polpudo do mundo fecharam de maneira mista, ainda entre o tapering adiado e o avanço cruel da variante delta da Covid-19.
“Não podemos descartar totalmente os riscos, incluindo a variante delta, interrupções na cadeia de suprimentos e pressões inflacionárias – principalmente salários. Mas esperamos que a eficiência corporativa e a força da reabertura continuem a impulsionar os lucros”, disse Ryan Detrick, estrategista-chefe de mercado da LPL Financial, em nota reproduzida pela CNBC.
As ações pareceram ter obtido outro impulso na semana passada, depois que o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, sinalizou que a redução de estímulos à economia ainda pode demorar.
Com base em declarações de outros funcionários do Fed, um anúncio de redução poderia ocorrer na reunião do Fed de 21 a 22 de setembro. Powell disse que o banco central tem “muito terreno a cobrir” para alcançar sua meta de pleno emprego.
Com a reunião do Fed em Jackson Hole em segundo plano, os investidores agora estão focados nos dados que devem surgir esta semana, como o da geração de empregos nos Estados Unidos.
Na Europa, a bolsa do Reino Unido fechou por conta de um feriado, enquanto França e da Alemanha registraram ligeiros ganhos.
Na Ásia-Pacífico, as ações subiram, mesmo com os australianos encarando um novo avanço da Covid-19 e consequente lockdown.
Nova York
- S&P 500: +0,43%
- Nasdaq: +0,90%
- Dow Jones: -0,16%
Europa
- Euro Stoxx 600 (Europa): +0,19%
- DAX (Alemanha): +0,22%
- FTSE 100 (Reino Unido): mercado fechado
- CAC (França): +0,08%
- IBEX 35 (Espanha): -0,61%
- FTSE MIB (Itália): +0,07%
Ásia e Oceania
- Shanghai (China): +0,17%
- SZSE Component (China): -0,09%
- China A50 (China): -0,93%
- DJ Shanghai (China): +0,15%
- Hang Seng HSI (Hong Kong): +0,52%
- SET (Tailândia): +1,40%
- Nikkei (Japão): +0,54%
- ASX 200 (Austrália): +0,22%
- Kospi (Coreia do Sul): +0,33%
Brasil: ambiente político e econômico
O boletim Focus, do Banco Central (BC), voltou a revisar para cima as projeções para inflação e dólar ao fim de 2021. O Produto Interno Bruto (PIB) foi revisado para baixo, no entanto.
Com relação à inflação, o documento do BC reviu a taxa esta semana para 7,27%. Há uma semana, a projeção era de 7,11%, e há quatro semanas, a estimativa era de 6,79%.
Sobre o dólar, agora, o documento da autoridade monetária prevê R$ 5,15 para a moeda norte-americana, contra R$ 5,10 da semana passada, que era a mesma de quatro semanas atrás.
Já o PIB, o documento reviu este indicador para 5,22% ao fim do ano. Há uma semana, a estimativa era de 5,27%. E há quatro semanas, a pesquisa de mercado estimava algo em torno de 5,30%.
Com relação à Selic, foi mantida a projeção de taxa em 7,50% para o fim do ano. Há quatro semanas, a estimativa era uma taxa de juros a 7%.
Ainda em percepções, a FGV divulgou os Índices de Confiança do Comércio e do setor de Serviços.
A Confiança do Comércio caiu 0,1 ponto em agosto ante julho, para 100,9 pontos; e a Confiança de Serviços avançou 1,3 ponto, para 99,3, refletindo as melhorias do setor com a vacinação e a reabertura.
Já o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), inflação do aluguel medida pela FGV, desacelerou para 0,66% em agosto, ante 0,78% em julho, abaixo da projeção.
No ano, o IGP-M acumula alta de 16,75%. Em 12 meses, 31,12%. No mês, a estiagem impactou os preços ao produtor (IPA) e a energia elétrica os preços ao consumidor (IPC).
“Não fosse a crise hídrica, o IGP-M apresentaria desaceleração mais forte”, afirma André Braz, coordenador da pesquisa.
No IPA, culturas afetadas pela estiagem, como milho (-4,58% para 10,97%) e café (0,04% para 20,98%) registraram forte avanço em seus preços. No âmbito do consumidor, o preço da energia, para a qual é esperado novo reajuste em setembro, registrou alta de 3,26%, sendo a principal influência para a inflação ao consumidor, ele explica
O IGP-M é formado por três indicadores: IPA, IPC e INCC, na proporção de 60%, 30% e 10%, respectivamente.
O aumento da arrecadação e a diminuição de gastos relacionados à pandemia de Covid-19 fizeram o déficit do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) cair em julho na comparação com 2020. No mês passado, o resultado ficou negativo em R$ 19,829 bilhões.
A quantia representa queda de 79,3% em relação ao déficit do mesmo mês do ano passado. No período, os desembolsos para o combate à pandemia estavam no auge. Em julho de 2020, o déficit tinha ficado em R$ 87,886 bilhões, resultado negativo recorde para o mês.
O resultado veio melhor que o previsto. Conforme a pesquisa Prisma Fiscal, divulgada todos os meses pelo Ministério da Economia, as instituições financeiras projetavam déficit primário de R$ 31,4 bilhões para julho.
No campo político, os problemas. E as soluções.
Proposta do presidente do STF, Luiz Fux, foi bem vista e aceita pela equipe do Ministério da Economia, especialmente pelo titular da pasta, Paulo Guedes.
A ideia, já aventada semana passada, é sobre um entendimento de limitar o crescimento do valor dos precatórios à inflação, seguindo a lógica do Teto de Gastos.
“O Teto existe para evitar excessos de gastos do Executivo. E quando vem uma ordenação de despesas de um outro poder, como é o caso do Judiciário, todo mundo tem que se entender”, lembrou Guedes, que acha a solução até simples de Fux “mais efetiva” e “mais rápida”, comparando-se com a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apresentada pelo governo.
Como seria um “entendimento” do que já é lei, não seria necessário fazer outra lei ou emenda. Até juridicamente se mostra uma saída “mais adequada”, segundo o próprio Guedes.
“A Economia apoia muito a solução que foi considerada aqui, que saiu do ministro Fux e também do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas para justamente, respeitando o Teto, respeitando a Lei de Responsabilidade Fiscal, fazer o ordenamento via modulação dos pagamentos dos precatórios”, complementou.
Com essa solução, o governo poderia pensar em um mais robusto Auxílio Brasil, programa social que substituiria o Bolsa Família e que é a esperança de reerguer a popularidade de Bolsonaro, de olho em 2022.
O governo deve agradecer Fux pela solução – que ainda precisa passar pelo plenário do STF – mas Bolsonaro não parece ligar muito para isso.
Nesta segunda, de olho noe 7 de Setembro, reafirmou que a pauta principal dos atos é a “liberdade de expressão”, referindo-se às decisões recentes de ministros do STF, sobre a prisão do ex-deputado federal e presidente do PTB, Roberto Jefferson, do deputado federal Otoni de Pauta (PSC-RJ) e do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos.
“Não pode uma pessoa do STF e uma do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se arvorarem como donas do mundo”, defendeu o presidente, em entrevista a uma rádio goiana, sem se referir que a prisão foi pedida pelo Procurador-Geral da República, Augusto Aras, indicado e reconduzido ao cargo pelo próprio Bolsonaro.
O manifesto pela democracia articulado pela Fiesp e Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) deu o que falar na virada da semana. Banco do Brasil (BBAS3) e Caixa Econômica Fedral ameaçara, inclusive, deixar a Febraban caso a entidade seguisse em frente com o manifesto.
Paulo Guedes chamou o documento que angariou mais de 200 assinaturas de associações setoriais de “ataque ao governo” e disse que o conteúdo não era uma defesa à democracia.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, aliado de Bolsonaro, para evitar atritos com o Palácio, chegou a adiar a publicação para depois do dia 7 de Setembro, o que causou estranheza.
Mas hoje à tarde o jornal O Globo publicou o texto vazado, que pedia “pacificação” na relação entre Executivo e Judiciário. O título do manifesto é “A Praça é dos três poderes”.
“A praça dos três poderes encarna a representação arquitetônica da independência e harmonia entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, essência da República. Esse espaço foi construído formando um triângulo equilátero, cujos vértices são os edifícios-sede de cada um dos poderes”, começa o texto. “Esta disposição deixa claro que nenhum dos prédios é superior em importância, nenhum invade o limite dos outros, um não pode prescindir dos demais. Em resumo, a harmonia tem de ser a regra entre eles”.
“As entidades da sociedade civil que assinam este manifesto veem com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas”, segue. “O momento exige de todos serenidade, diálogo, pacificação política, estabilidade institucional e, sobretudo, foco em ações e medidas urgentes e necessárias para que o Brasil supere a pandemia, volte a crescer, a gerar empregos e assim possa reduzir as carências sociais que atingem amplos segmentos da população”.
E termina ressaltando a importância da “pacificação”: “Mais do que nunca, o momento exige do Legislativo, do Executivo e do Judiciário aproximação e cooperação. Que cada um atue com responsabilidade nos limites de sua competência, obedecidos os preceitos estabelecidos em nossa Carta Magna. Este é o anseio da Nação brasileira”.
Bolsa: ações
Das 84 ações negociadas na bolsa, 16 subiram, 2 ficaram estáveis (ENGI11 e TIMS3) e 66 caíram em relação à sessão anterior.
Mais negociadas
- Vale (VALE3): R$ 100,05 (-0,64%)
- Petrobras (PETR4): R$ 28,30 (-0,67%)
- Itaú Unibanco (ITUB4): R$ 30,54 (-0,72%)
- Bradesco (BBDC4): R$ 23,02 (-1,07%)
- Petrobras (PETR3): R$ 28,72 (-1,24%)
Maiores altas
- Lojas Americanas (LAME4): R$ 6,12 (+2,86%)
- Americanas (AMER3): R$ 43,19 (+2,69%)
- Minerva (BEEF3): R$ 8,44 (+1,08%)
- Totvs (TOTS3): R$ 39,90 (+1,06%)
- Ambev (ABEV3): R$ 17,18 (+0,82%)
Maiores baixas
- Cyrela (CYRE3): R$ 20,45 (-4,04%)
- Cogna (COGN3): R$ 3,26 (-3,83%)
- Yduqs (YDUQ3): R$ 26,36 (-3,76%)
- Azul (AZUL4): R$ 37,89 (-3,27%)
- Gol (GOLL4): R$ 20,13 (-3,13%)
Outros índices brasileiros
- IBrX 100: -0,77% (51.383,71 pontos)
- IBrX 50: -0,75% (19.996,27 pontos)
- IBrA: -0,81% (4.856,39 pontos)
- SMLL: -1,05% (2.886,52 pontos)
- IFIX: +0,37% (2.741,19 pontos)
- BDRX: +0,85% (13.809,47 pontos)
Commodities
Petróleo Brent (novembro)/barril
- segunda-feira (30): +0,87% (US$ 73,33)
- semana: +0,87%
Petróleo WTI (outubro)/barril
- segunda-feira (30): +0,49% (US$ 69,08)
- semana: +0,49%
Ouro (dezembro)/onça-troy
- segunda-feira (30): -0,49% (US$ 1.810,55)
- semana: -0,49%
Prata (setembro)/onça-troy
- segunda-feira (30): -0,41% (US$ 24,01)
- semana: -0,41%
Com Wisir Research, BDM e CNBC