A Ânima Educação (ANIM3) informou nessa segunda-feira (2) que assinou contrato com a Laureate para aquisição de todos os ativos da norte-americana no Brasil.
A finalização do negócio ocorreu após acordo com a Ser Educacional (SEER3), que tinha dado o lance inicial pelo grupo. O acerto prevê o pagamento da multa de R$ 180 milhões em dinheiro ou a incorporação de duas instituições pela Ser. E dá ainda uma opção de compra de outras três escolas.
Ao fechar o negócio com a Laureate, a Ânima expandirá sua presença para mercados que correspondem atualmente a 75% do total de matrículas no ensino superior brasileiro, segundo informa em comunicado ao mercado. A companhia também destaca a atuação em geografias complementares.
Além disso, irá se consolidar como o grupo de relevância em cursos de medicina, ao contar com novas vagas em cidades importantes. Assim, somará, na maturidade, um total de 2.260 vagas ou 16.254 alunos nesse segmento.
Transação
A Ânima pagará R$ 4,4 bilhões pelos ativos da Laureate, sendo R$ 3,777 bilhões em dinheiro e R$ 623 milhões referentes a dívidas.
Há ainda outros R$ 203 milhões a título de earn-out por 135 vagas de medicina pendentes de aprovação, além dos R$ 180 milhões da multa a que a Ser Educacional teria direito, de acordo com o contrato de Go Shop fechado com a Laureate na largada da disputa, em setembro.
A transação está atrelada ainda à venda de 100% da FMU ao fundo Farallon, por R$ 500 milhões, que precisa de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Direito de retirada
A transação será analisada em assembleia de acionistas da Ânima. Os que discordarem no negócio terão direito de retirada, por meio da venda de suas ações.
O valor, calculado com base no patrimônio líquido de 31/12/2019, será de R$ 8,71 por ação, podendo ser solicitado levantamento de balanço especial. Isto porque a assembleia ocorrerá mais de 60 dias depois da data do último balanço aprovado.
Laureate
O Grupo Laureate chegou ao Brasil em 2005 e expandiu suas operações, somando hoje 11 instituições de ensino superior, localizadas em 7 estados e 13 cidades. Isso significa um universo de 270 mil alunos.
Fazem parte do grupo a Universidade Anhembi Morumbi (UAM), o Centro Universitário FMU | FIAM-FAAM e a Business School , em São Paulo; a Universidade Salvador (UNIFACS), na Bahia; a Universidade Potiguar (UnP); no Rio Grande do Norte; o Centro Universitário Ritter dos Reis (UniRitter) e o Centro Universitário FADERGS, no Rio Grande do Sul; o Centro Universitário dos Guararapes (UniFG)e a CEDEPE Business School, em Pernambuco; o Centro Universitário IBMR, no Rio de Janeiro;e a Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), na Paraíba.
A saída da companhia do Brasil faz parte de uma estratégia global de desinvestimento, com a finalidade de pagar dívidas e se reestruturar.
Histórico
O primeiro lance do negócio foi dado pela Ser Educacional, que ofereceu R$ 4 bilhões pelos ativos da norte-americana. Mas o contrato previa a possibilidade de a Laureate receber proposta por valor maior em até 30 dias. Se isso acontecesse, a Ser teria direito a receber uma multa de R$ 180 milhões.
Não só a Ânima como a Yduqs (YDUQ3) manifestaram interesse. Porém, a proposta da Ânima foi considerada superior.
A Ser até entrou na Justiça questionando a decisão da Laureate, mas recuou e fechou acordo com a Ânima.
A companhia tem até quarta-feira (4) para decidir se receberá a multa ou se ficará com as duas instituições de ensino: Instituições Faculdade Internacional da Paraíba (FPB) e Centro Universitário dos Guararapes (UNIFG).
Na sexta-feira, quando o desfecho do negócio foi anunciado, as ações da Ânima encerraram o dia em alta de 2,16%, a R$ 27,91. E Ser Educacional fechou em R$ 13,30, alta de 3,99%.
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