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Alta das commodities: como a queda afeta as empresas e investimentos

Alta das commodities: como a queda afeta as empresas e investimentos

As commodities têm peso significativo na composição do PIB brasileiro. Os ciclos de alta e baixa são influenciados por inúmeros fatores, entre eles, a sazonalidade e as políticas econômicas globais.

Nesse contexto, a bolsa de valores brasileira também tem seus resultados diretamente influenciados por esses ciclos. Empresas importantes do cenário econômico pertencem ao segmento, por exemplo, Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4). As ações dessas duas companhias representam, juntas, 21,9% da carteira teórica do Ibovespa.

Sendo o Brasil um importante player global no agronegócio, temos ainda as commodities agrícolas como soja, café, milho, açúcar, com alta relevância. Sua movimentação no mercado é determinante para os resultados da bolsa de valores e, obviamente, para os dados de crescimento econômico.

O cenário atual

Nos últimos dias temos percebido o mal humor dos mercados, ocasionado por fatores de ordem macroeconômica.

A divulgação da ata do Fomc, comitê do Federal Reserve, as medidas de restrição para conter disseminação da variante Delta do coronavírus nos países asiáticos, a pressão regulatória chinesa sobre o minério de ferro, queda nos preços do petróleo, alta do dólar e um novo ciclo inflacionário voltando à pauta nos mercados, são aspectos fundamentais a avaliar para entender para onde vão as commodities.

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O mercado internacional

A semana da bolsa norte-americana teve sua pior queda desde junho deste ano. Uma forte correção, com ações caindo de máximas históricas, afetou especialmente os setores ligados aos ciclos econômicos, como as empresas de energia e as petrolíferas.

Apesar dos resultados positivos das empresas, incertezas vindas de fatores macro geram preocupação e movimento forte de vendas, derrubando as cotações.

Divulgação da ata do FED

A ata da reunião do Federal Open Market Committee (Fomc) divulgou na última quarta-feira a possível retirada de estímulos à economia com a diminuição da compra de títulos pelo FED, começando em breve.

A medida aponta para a retomada da economia americana. Além disso, o recuo de 29 mil solicitações de auxílio-desemprego na última semana, divulgado pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, corrobora essa tendência.

Contudo, a reação imediata do mercado foi de correção de preços dos papéis e índices futuros.

Além da ata do FED, a revisão para baixo do PIB americano no terceiro trimestre e os dados vindos da economia chinesa estressaram o mercado.

Desaceleração da economia chinesa

Uma combinação de fatores, oriundos principalmente da China, tem contribuído para o acirramento dos ânimos nos mercados mundiais.

A intensificação das restrições à mobilidade nos países asiáticos visando conter a disseminação da variante Delta do coronavírus é um deles.

O bloco asiático é um dos grandes consumidores de petróleo e derivados. Com as medidas sanitárias desacelerando a retomada econômica, essa demanda cai e derruba o preço do minério.

Essa redução de demanda é pontual, podendo ser compensada com a retomada da China no último trimestre de 2021. Entretanto, o mercado se retrai ante à imprevisibilidade dos próximos resultados da atividade econômica. No curto prazo, esse mapeamento de demanda irá pautar a cotação do petróleo no mercado mundial.

Minério de ferro

O cenário chinês impôs impacto relevante a outra commoditie importante: o minério de ferro.

No primeiro semestre, mesmo com o encolhimento das economias em escala global, houve crescimento da produção de aço. O impulso veio principalmente do mercado chinês. Como a oferta do minério de ferro estava abaixo da demanda, a cotação atingiu patamares históricos.

Essa alta levou a China a interferir na variação de preço nos mercados futuros, exercendo forte pressão regulatória.

No segundo semestre, porém, o consumo de aço na China será menor. Há o arrefecimento no setor da construção, e medidas do governo chinês para conter a poluição industrial tendem a se intensificar.

A China é responsável por aproximadamente 31% das emissões globais de CO2, e tem a ambiciosa meta de limitar as emissões até 2030, e zerar até 2060.

Essa questão, que sofre pressão extra com a proximidade das Olimpíadas de Inverno de Pequim 2022, deve continuar latente após o evento, influenciando continuamente as cotações do minério de ferro.

Com isso, as altas históricas verificadas no primeiro semestre de 2021, não devem se repetir. Além da questão conjuntural, temos também um reordenamento das demandas naturais de uma economia menos aquecida.

Esse desaquecimento terá também reflexo nas exportações de commodities agrícolas para o país. Ante ao cenário incerto, os analistas já trabalham com perspectiva de queda nos preços a partir do segundo semestre deste ano até 2024.

Os efeitos das commodities sobre o mercado brasileiro

Com a economia chinesa em desaceleração, as previsões do Brasil quanto às exportações de commodities estão sendo revistas para baixo.

A China é o principal parceiro comercial do Brasil. No primeiro semestre deste ano, a participação chinesa no volume global de exportações brasileiras foi de 34,4%.

A soja, o minério de ferro e o petróleo bruto responderam por 83% desse total. A carne bovina e a celulose significaram, respectivamente, 4,2% e 2,9% do volume embarcado para o país asiático.

Sendo a China o maior comprador mundial de commodities agrícolas, a perspectiva de redução em suas importações torna pouco provável que o Brasil atinja o recorde de exportação de soja, anteriormente estimado entre 86 e 87 milhões de toneladas.

De janeiro a julho deste ano, as vendas de soja para o mercado chinês tiveram uma retração: foram 46,8 milhões de toneladas contra 49,6 milhões no mesmo período de 2020.

Não será somente a soja a sentir os efeitos do arrefecimento da economia chinesa. De forma geral, a queda na produção de suínos no país asiático vai reduzir a demanda por grãos no segundo semestre de 2021.

No caso das siderúrgicas e mineradoras, os reflexos já ficaram bem claros ao longo desta última semana, quando os papéis tiveram quedas significativas.

A pressão chinesa para limitar a produção de siderúrgicas e reduzir a poluição já vinha ocasionando quedas. Ainda assim, as novas variáveis macroeconômicas refletiram fortemente nos preços de Vale (VALE3), CSN (CSNA3), Bradespar (BRAP4), Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4).

Apesar dessas empresas ainda terem ganhos acumulados em 2021, decorrentes dos resultados recordes das commodities no primeiro semestre, o momento de mercado é de incerteza.

A volatilidade nas commodities veio para ficar?

Grande parte dos analistas têm ponderado que estamos próximos de janelas de oportunidade importantes. Ainda assim, o cenário de curto prazo pede cautela.

As commodities lideraram altas nas bolsas durante o primeiro semestre de 2021. Isso porque as economias globais reagiram ao avanço da vacinação e à flexibilização das medidas sanitárias.

Entretanto, os fatores macroeconômicos têm intensificado as correções. Dessa forma,  a volatilidade ainda será forte até que o mercado tenha uma leitura mais consistente quanto ao desempenho da economia global.

O fluxo de curto prazo aponta para a continuidade do processo de ajustes. Contudo, se formos pensar em fundamentos, os resultados das empresas vieram fortes, e tendem a melhorar ainda mais com o avanço da vacinação no país e a retomada da economia a partir deste mês.

Estamos falando de empresas com alta capacidade de geração de caixa, boas pagadoras de dividendos. Sendo assim, quanto mais se corrigir as distorções, melhor será a relação risco-retorno dos ativos.

Com isso, quando o mercado der sinais claros de fundos e inverter, os gatilhos operacionais de tomada de riscos serão acionados. Será, então, uma ótima oportunidade para o investidor mais paciente.

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