Embora todo o mercado esteja sendo afetado pela pandemia do coronavírus, alguns setores da econonomia devem ter impactos operacionais mais altos que outros.
Isso certamente vai se refletir nas ações das companhias e na velocidade que elas devem se recuperar após a crise. Veja quanto a bolsa tem caído nos últimos dias:
O tombo é grande, mas o impacto não será igual para todos. Confira alguns dos setores que devem sofrer mais com a situação atual:
Turismo e aéreas em queda
Por razões óbvias, empresas diretamente ligadas ao turismo e aviação devem sofrer impactos operacionais relevantes.
O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) declarou para a Folha de São Paulo esta semana que a situação é séria, e que as empresas estão adotando medidas para reduzir custos.
Além disso, as companhias já anunciaram que farão cortes nas ofertas de voos domésticos e internacionais. Além da Gol e da Azul, a CVC é outra companhia que deve ter seus resultados impactados pela crise.
Outro fato importante foi o rebaixamento das companhias. Segundo relatório da Elite Investimentos, a Moody’s já rebaixou o rating da Azul e da Latam de B1 para B3 em razão da rápida e crescente disseminação da doença.
O rating da Gol entrou em revisão para um possível rebaixamento.
Para ter uma ideia do prejuízo: a agência de risco estima que as três empresas devem ter queda de tráfego de 70% no segundo trimestre.
Varejo deve ter dificuldades
Varejistas como GPA e Carrefour são exemplos de varejistas que terão efeito negativo nos seus negócios.
Vale citar que no primeiro final de semana depois de decretada a pandemia, o comércio da cidade de São Paulo recuou 16,3% em relação ao final de semana anterior, segundo a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Além da crise de demanda, os especialistas destacam que pode haver também um problema de oferta. A crise deve afetar principalmente os produtos importados da Ásia.
Isso porque pode haver congestionamento nos portos e limitação da produção. Entre os itens mais sensíveis estão eletroeletrônicos, itens farmacêuticos e vestuário.
Outro problema é que uma eventual redução na produção de fábricas nacionais também pode gerar um impacto negativo na oferta.
Para a XP, as ações mais resilientes no setor de varejo devem ser a Magazine Luiza – devido ao caixa elevado e boa posição online – e a Renner, que tem baixa alavancagem.
Segundo relatório do Google Retail AIT, as empresas varejistas mais afetadas pelo dólar mais alto serão Centauro, Renner e Hering.
Já a baixa do PIB será mais grave para Via Varejo, Magazine Luiza e B2w. Ainda segundo o relatório (que cita como fontes Goldman Sachs e JP Morgan), a redução do crédito vai impactar as empresas mais alavancadas, como a Via Varejo.
Um sopro positivo deve surgir para as empresas que são forte na venda online, como B2W, Mercado Livre e Magazine Luiza. No entanto, estas duas últimas trabalham com vendedores menores que têm níveis estoques mais baixos, o que pode causar problemas.
Shoppings terão desafio
O setor de shopping centers também pode ter impactos operacionais devido ao fechamento das operações e redução dos horários de funcionamento em vários locais do país.
Em relatório, a Terra Investimentos destacou que a BrMalls anunciou a suspensão das atividades de três shoppings no Estado do Rio de Janeiro por conta do surto de coronavírus.
A Multiplan decidiu encurtar os horários dos centers administrados a operar temporariamente das 12h00 às 20h00. Esta foi uma recomendação da Associação Brasileira de Shopping Centers.
Além disso, varejistas que concentram atividades em shoppings, como Centauro, C&A, Lojas Renner e Riachuelo também devem ser negativamente afetados pela queda na circulação dentro dos shoppings, destacou o Google AIT.
Incertezas na distribuição de combustíveis
Empresas como Cosan e Ultrapar podem sofrer um impacto médio a alto devido à pandemia, segundo a XP. O primeiro efeito negativo foi a perda de estoques causada pela desvalorização do preço do petróleo.
Os analistas ainda não preveem restrições do fluxo de pessoas e mercadorias até o momento. Mas destacam que isso teria um efeito muito negativo caso se concretize.
Bancos também vão sofrer
Embora os bancos também devam sofrer com o coronavírus, aqueles que estiverem bem capitalizados devem ser mais resistentes que outros.
Como exemplo, a XP destacou que o Banco do Brasil está em uma situação melhor. Isso ocorre devido à sua exposição ao crédito rural. Outro ativo menos afetado neste setor, para a XP, é o Itaú Unibanco. O motivo é sua alavancagem menor e à sua baixa volatilidade histórica na bolsa.
Em relatório divulgado no último domingo (15), o Morgan Stanley reiterou a sua recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para os American Depositary Receipts (ou ADRs) dos quatro maiores bancos brasileiros listados em bolsa: Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBDC3;BBDC4), Santander Brasil (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3).
Segundo reportagem da Infomoney, no entanto, os preços-alvos foram reduzidos devido à piora nas expectativas para a economia.
O preço-alvo dos papéis do Itaú caíram de US$ 12 para US$ 9; do Bradesco de US$ 11,50 para US$ 8,50; do Santander de US$ 13 para US$ 9,80, e do BB de US$ 69 para US$ 55.