Home
Notícias
Mercados
Ouro volta aos US$ 4,6 mil e ganha força com temor fiscal nos EUA

Ouro volta aos US$ 4,6 mil e ganha força com temor fiscal nos EUA

Metal precioso se recupera das mínimas de julho com retomada da demanda de investidores e preocupações fiscais nos Estados Unidos, mas inflação e juros ainda representam riscos

O ouro voltou a ganhar força no mercado internacional após a forte correção registrada em julho. O metal precioso avançou de cerca de US$ 4 mil por onça, em meados do mês passado, para aproximadamente US$ 4,6 mil, retornando aos níveis observados pela última vez em maio.

A recuperação ocorre em meio ao aumento da procura por investimentos, à desvalorização do dólar e às crescentes preocupações com a situação fiscal dos Estados Unidos. Apesar do movimento positivo, a trajetória do metal ainda enfrenta incertezas, principalmente relacionadas à inflação e aos próximos passos do Federal Reserve (Fed).

Situação fiscal dos EUA favorece o ouro

Um dos fatores por trás da valorização foi a decisão do Tesouro dos Estados Unidos de ampliar as recompras de títulos públicos de longo prazo. O valor máximo das operações no segmento de 10 a 30 anos passará de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões.

Embora o efeito sobre o mercado de títulos tenha sido temporário, o preço do ouro continuou avançando. Segundo a análise do ING, esse comportamento mostra que a recuperação não está ligada apenas à movimentação das taxas de juros.

O aumento das recompras também voltou a direcionar a atenção dos investidores para o endividamento público e a credibilidade fiscal dos Estados Unidos. Nesse cenário, cresceram as preocupações com uma possível desvalorização da moeda, reforçando o papel do ouro como reserva de valor.

Publicidade
Publicidade

Investidores voltam a procurar o metal

Outro sinal favorável vem dos fundos negociados em bolsa lastreados em ouro, os ETFs. Em julho, os ETFs globais atraíram US$ 3 bilhões e ampliaram suas reservas em 23 toneladas, segundo dados do Conselho Mundial do Ouro citados pelo ING.

A recuperação continuou em agosto. Fundos acompanhados pela Bloomberg adicionaram cerca de 18 toneladas de ouro em apenas um dia, o maior aumento diário registrado em quase um ano.

Os bancos centrais também permanecem importantes compradores. As aquisições líquidas reportadas chegaram a 51 toneladas em junho, levando o total do primeiro semestre a 102 toneladas. Polônia e China lideraram as compras no período.

Inflação pode limitar recuperação

Apesar dos sinais positivos, a inflação permanece como um dos principais obstáculos para uma recuperação mais consistente do ouro. O avanço dos preços da energia aumenta a pressão inflacionária nos Estados Unidos e pode fazer com que a política monetária permaneça restritiva por mais tempo.

A ata da reunião de julho do Fed mostrou que alguns integrantes do comitê defendiam um aumento imediato dos juros, enquanto outros estavam preparados para apoiar um aperto adicional caso a inflação continuasse elevada.

Juros mais altos tendem a elevar os rendimentos dos títulos e fortalecer o dólar, criando um ambiente menos favorável para o metal precioso.

Recuperação ganha bases mais sólidas

O ING mantém uma projeção média de US$ 4.150 por onça para o quarto trimestre. A estimativa considera que a inflação persistente continuará limitando uma queda sustentada dos rendimentos nos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a retomada dos ETFs, a desvalorização do dólar e as preocupações fiscais aumentam os riscos de alta para essa perspectiva. A análise aponta que a correção recente do ouro parece ter encontrado um piso e que a recuperação está se tornando mais consistente.

A continuidade desse movimento, porém, dependerá principalmente da manutenção da demanda dos investidores e da resposta do Federal Reserve à inflação. Assim, mesmo com o retorno do interesse pelo investimento em ouro, o caminho para novas máximas ainda pode ser marcado por volatilidade.

Leia também: