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Vitória de Lula já está no preço do real, avalia Société Générale

Vitória de Lula já está no preço do real, avalia Société Générale

Banco francês destaca carry atrativo do real, valuations mais baratas após queda recente e perspectivas de trégua EUA-Irã

Grande parte do prêmio de risco político atrelado à possível reeleição do presidente Lula nas eleições de outubro já parece estar embutido nos preços atuais, limitando a depreciação incremental do real a partir desse evento — essa é a avaliação do Société Générale, que recomenda posição vendida em EUR/BRL com entrada em 5,9002, meta de retorno total de 10% e horizonte de seis meses.

O banco francês aposta na valorização do real frente ao euro nos próximos meses, sustentado pelo alto carry da moeda brasileira e por um perfil atrativo de carry ajustado pela volatilidade.

“Antecipamos que o real brasileiro superará o euro nos próximos meses, ajudado pelo atrativo alto carry da moeda e pelo forte perfil de carry-to-vol”, afirmou o Société Générale em relatório. O Banco Central do Brasil cauteloso, relutante em afrouxar prematuramente a política monetária, é visto como um fator adicional de suporte ao real.

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Real mais barato e beta elevado favorecem a moeda

O banco destaca que o real ficou mais barato ao longo do último mês, tornando as valuations mais atraentes.

Além disso, o real carrega um beta de mercado materialmente mais alto do que o euro, posicionando-o para capturar ganhos expressivos em condições favoráveis ao risco — ambiente que se torna mais plausível à medida que as perspectivas de uma trégua entre os EUA e o Irã se consolidam.

“O real carrega um beta de mercado materialmente mais alto do que o euro, posicionando-o para capturar ganhos desproporcionais em condições favoráveis ao risco”, destacou o banco.

Entretanto, o Société Générale alerta que um aumento abrupto na volatilidade de ativos cruzados poderia levar a uma realização de lucros nas posições compradas em real, gerando perdas expressivas na moeda.

Euro pressionado por desafios estruturais

Na ponta vendida da operação, o banco aposta no enfraquecimento do euro, diante dos desafios políticos, de coordenação fiscal e regulatórios que devem limitar o crescimento da zona do euro em 2026. O Société Générale projeta que o EUR/USD cairá ao longo dos próximos quatro trimestres, chegando a 1,12.

Entre os riscos monitorados para a operação estão eventos idiossincráticos negativos para o Brasil — como escalada nas tensões diplomáticas com os EUA, renovado estresse no mercado de crédito brasileiro ou deterioração fiscal acentuada.

“Riscos idiossincráticos negativos para o Brasil ou positivos para a Europa pesariam adversamente sobre o desempenho do trade”, concluiu o Société Générale, que estabeleceu stop de perda em -5% de retorno total e carry estimado de 0,87% ao mês para a posição.