A taxa de desemprego no Brasil ficou em 8,3% no trimestre encerrado em maio, ante 8,5% no trimestre encerrado em abril.
Esta é a menor taxa para um trimestre encerrado em maio desde 2015, quando também ficou em 8,3%.
Já em comparação com o mesmo período de 2022, a taxa de desocupação caiu 1,5 ponto porcentual.
Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (30) pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE.

Fonte: IBGE
“Esse recuo no trimestre foi mais influenciado pela queda do número de pessoas procurando trabalho do que por aumento expressivo de trabalhadores. Foi a menor pressão no mercado de trabalho que provocou a redução na taxa de desocupação”, explica Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílio.
A população desocupada ficou em 8,9 milhões de pessoas, uma queda de 3,0% em relação ao trimestre anterior e de -15,9% se comparado ao mesmo período de 2022. Já o número de pessoas ocupadas, de 98,4 milhões, ficou estável na comparação trimestral e cresceu 0,9% no ano.
O contingente de pessoas ocupadas (98,4 milhões) ficou estável ante o trimestre anterior e cresceu 0,9% (mais 884 mil pessoas) ante o mesmo trimestre do ano anterior.
Na avaliação de Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, em geral o mercado de trabalho continua gerando vagas, o que é bom. Mas a taxa de desemprego parece exagerar o bom momento ou o quanto o mercado de trabalho está apertado.
Para ele, a expectativa é que a taxa de participação volte a crescer ao longo do tempo.
“O resultado veio mostrando taxa de desemprego muito próxima das mínimas. E a ocupação ainda crescendo, mas com taxa de participação ainda caindo”, aponta.
“Se a gente fizesse ajuste para taxa de participação média histórica, seria 9,8%, quase 10%. Ainda existem distorções importantes, o que sugere que não esteja tão apertado quanto a taxa vem demonstrando”, diz.
A taxa real de salário voltou a cair, ele aponta. “Com ocupação crescendo menos que o ajuste dos salários, a massa salarial real voltou a cair e já tem se estabilizado há algum tempo”.
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Aumenta número de empregados do setor público
Os resultados da PNAD Contínua para maio também mostraram
que apenas o contingente de empregados no setor público (12,1 milhões de pessoas) cresceu na comparação trimestral, aumentando em 2,8%. No trimestre, a expansão foi de 3,9%. O aumento foi puxado pelos trabalhadores sem carteira no setor, que cresceram 14,1% no trimestre e 17,3% no ano.
Empregados sem carteira assinada
O número de empregados sem carteira assinada no setor privado manteve-se estável tanto na comparação trimestral quanto na anual, ficando em 12,9 milhões de pessoas. Já o contingente de trabalhadores com carteira foi de 36,8 milhões, ficando estável no trimestre, mas com aumento de 3,5% (mais 1,83 milhão de pessoas) no ano.
Trabalhadores por conta própria
O contingente de trabalhadores por conta própria (25,2 milhões) também ficou estável e a taxa de informalidade foi de 38,9% da população ocupada, totalizando 38,3 milhões de trabalhadores informais. No trimestre anterior também havia sido de 38,9% e, no mesmo trimestre de 2022, 40,1%.
Subutilização cai
A taxa composta de subutilização (18,2%) caiu nas duas comparações: 0,7 p.p. no trimestre e 3,7 p.p. no ano, totalizando 20,7 milhões de pessoas subutilizadas.
População desalentada recua
Houve queda na população desalentada, que ficou em 3,7 milhões de pessoas. Frente ao trimestre anterior, a redução foi de 6,2% (menos 244 mil pessoas) e, na comparação anual, de 14,3% (menos 621 mil pessoas). Com isso, também caiu o percentual de desalentados (3,4%) na força de trabalho: 0,2 p.p. no trimestre e 0,5 p.p. no ano.
População fora da força de trabalho aumenta
A população fora da força de trabalho ficou em 67,1 milhões de pessoas, um aumento de 0,6% na comparação trimestral, o que representa 382 mil pessoas a mais. Na comparação anual, o crescimento foi de 3,6%, um aumento de 2,3 milhões de pessoas.
Segundo Beringuy, “a crescente parcela da população em idade de trabalhar indo para fora da força de trabalho não sinaliza expansão do contingente de desalentados, uma vez que esse grupo vem registrando queda desde 2021.”
Rendimento fica estável
Em relação ao rendimento real habitual (R$ 2.901), houve estabilidade frente ao trimestre anterior e crescimento de 6,6% no ano. A massa de rendimento real habitual (R$ 280,9 bilhões) também ficou estável frente ao trimestre anterior, mas cresceu 7,9% na comparação anual.
“O aumento do contingente de trabalhadores do setor público não se refletiu em aumento de rendimento. Provavelmente, isso se deu em função de maior participação de trabalhadores sem carteira no setor e tendência de queda do rendimento mesmo entre os empregados com carteira assinada”, observa a coordenadora.
O que é a Pnad Contínua?
A Pnad Contínua é o principal instrumento para monitoramento da força de trabalho e a taxa de desemprego do país. A amostra da pesquisa por trimestre no Brasil corresponde a 211 mil domicílios pesquisados.






