O economistas Joseph Stiglitz (Nobel de Economia em 2021) disse nesta segunda-feira (20) que o juro no Brasil é chocante e não combate a causa da inflação.
Ele participou de um seminário organizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Rio de Janeiro, com moderação do economista André Lara Resende.
Na próxima quarta-feira (22) acontece a Super Quarta, quando o Federal Reserve (Fed, banco central americano) e o Banco Central do Brasil divulgam suas taxas de juros.
Ambas as instituições estão operando com taxas em patamares elevados e, no caso do Brasil, a Selic, que é a taxa básica de juro, está em 13,75% ao ano.
Acontece que há uma indisposição entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os dirigentes do Bacen por conta do juro elevado.
A equipe ministerial e alguns deputados ligados ao PT fazem pressão para que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, reduza a taxa de juros para, assim, baratear o crédito.
Já o dirigente do Bacen justifica que este seria um remédio amargo para uma dor que aflige todos os brasileiros: a alta dos preços de produtos e serviços (inflação).

Stiglitz
Para Stiglitz, que também é professor da Universidade de Columbia (EUA), o aumento dos preços nos dias atuais está mais associado ao impacto da pandemia e da Guerra da Ucrânia sobre a oferta de bens, e não a fatores de demanda aquecida, que tende a ser contida pelo aumento dos juros.
Em relação à Selic, ele foi enfático ao dizer que “são chocantes os números de 13,75%, ou de 8% em termos reais”.
Conforme o especialista, esse nível de taxas é capaz de “matar” uma economia como a brasileira. “Parte das razões da sobrevivência a essas taxas de juros é a existência de bancos estatais de desenvolvimento”, destacou.
Também frisou que a resposta a choques como a pandemia e a guerra é o aumento dos investimentos, atualmente barrados pela alta taxa de juros. “O que é necessário para o Brasil é mais investimento, inclusive público”, disse.
James Galbraith
O também economista e professor James Galbraith, que integrou o mesmo painel de Stiglitz no evento, disse que a combinação de juros muito altos e impostos muito altos é profundamente recessiva e impede o crescimento da economia.
Ele atua como docente na Lyndon B. Johnson School of Public Affairs, e questionou os juros do país, como uma política que transfere renda dos mais pobres para os mais ricos. “É preciso pensar em uma alternativa para as políticas, porque as atuais falharam”, ressaltou.
Quem é Joseph Stiglitz?
Stiglitz nasceu em 1943 na cidade de Gary, Estados Unidos. Formou-se em economia em 1964 e, três anos após sua graduação, obteve o título de PhD no Massachusets Institute of Tecnology (MIT).
Nos anos 1990, o economista foi presidente do Conselho de Assessores Econômicos do presidente Bill Clinton. Além disso, desempenhou funções na área de desenvolvimento do Banco Mundial.
Já na esfera privada, Stiglitz lecionou em renomadas universidades, como Yale, Stanford, Columbia e Harvard. Crítico da globalização e dos defensores do “livre mercado”, o economista ajudou a explicar contextos nos quais o mercado não funciona sem a intervenção do estado. Inclusive, em seus trabalhos demonstra como a intervenção do governo de forma seletiva pode ajudar a melhorar a sua performance.
Em 2011, Stiglitz foi eleito uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.
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