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Saída bilionária da poupança em SC marca nova fase dos investimentos

Saída bilionária da poupança em SC marca nova fase dos investimentos

Com rendimento limitado, caderneta perde espaço para opções mais rentáveis e diversificadas no estado

Durante décadas, a poupança foi o destino quase automático para quem queria guardar dinheiro no Brasil. Em Santa Catarina, esse hábito ainda existe, mas vem perdendo força de forma consistente. Nos últimos cinco anos, o estoque total de depósitos na caderneta caiu cerca de R$ 4 bilhões no estado, segundo dados do Banco Central.

O movimento acompanha uma tendência nacional.

Em 2025, a poupança registrou saída líquida de R$ 85,56 bilhões, um dos maiores volumes recentes. Mais do que números isolados, os dados revelam uma mudança no comportamento do investidor brasileiro, que passa a buscar alternativas mais rentáveis e alinhadas ao cenário econômico atual.

Diversificação ganha espaço entre investidores

Essa mudança tem sido puxada, em grande parte, pelas novas gerações. Embora a poupança ainda seja lembrada como uma opção tradicional, ela vem perdendo relevância no imaginário popular. Em Santa Catarina, isso se reflete no crescimento de outros tipos de investimento, como renda fixa, ações e criptomoedas.

Para Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin, essa migração está ligada à percepção de perda de poder de compra. “Na prática, quem deixou 5 mil reais na poupança nos últimos cinco anos até viu o dinheiro crescer, mas não o suficiente para acompanhar o aumento dos preços dos produtos no mercado e nas lojas, e acabou perdendo poder de compra no caminho”, afirma.

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Renda fixa segue como porta de entrada

Entre as alternativas, a renda fixa continua sendo a principal porta de entrada para quem decide sair da poupança. Produtos como CDBs e a chamada renda fixa digital oferecem retornos mais atrativos, geralmente atrelados ao CDI.

Enquanto CDBs tradicionais rendem entre 100% e 120% do CDI, a renda fixa digital tem ganhado destaque por oferecer taxas superiores, chegando a uma média de 132% do CDI em 2025, segundo dados do setor. Em alguns casos, há ainda benefícios como isenção de imposto de renda.

Ações e criptomoedas avançam no estado

Para quem busca maior potencial de ganho, a renda variável também vem ganhando espaço. Em Santa Catarina, o número de investidores em criptomoedas cresceu mais de 10% em 2025, enquanto a base de investidores em ações avançou cerca de 2% no mesmo período.

“De longe, investir em cripto pode parecer complexo, mas o crescimento da categoria em Santa Catarina, à frente da B3, mostra que o processo é mais simples do que se imagina. Com aportes regulares e carteira diversificada, é possível diluir riscos sem depender de análises técnicas”, comenta Szuster.

Novo perfil de investidor

O cenário indica uma transformação clara no perfil do catarinense. Mais informado e estratégico, o investidor passa a priorizar diversificação, planejamento e acompanhamento constante do mercado.

A poupança ainda não desapareceu, mas já não ocupa o mesmo papel de protagonista. Em seu lugar, surge um portfólio mais variado, que combina segurança e potencial de crescimento.

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