As siderúrgicas chinesas seguem sem pressa para acelerar a produção. O consumo de minério de ferro importado ficou praticamente estável entre 3 e 9 de setembro, em 618 mil toneladas por dia.
O levantamento cobre 64 usinas acompanhadas pela Mysteel, consultoria chinesa especializada em commodities. Os estoques também quase não se mexeram e fecharam a semana em 13,7 milhões de toneladas.
O volume equivale a 22 dias de consumo, um dia acima da média histórica de cinco anos. O dado interessa às mineradoras exportadoras, como a Vale (VALE3), que têm na China o principal destino do minério.
Carvão caro aperta as siderúrgicas
A explicação para a cautela está no custo de produção. Minério de ferro e carvão metalúrgico são os insumos básicos do alto-forno, e qualquer descompasso entre eles e o preço do aço aparece direto na margem das usinas.
“A forte alta dos preços do carvão metalúrgico superou a recuperação das cotações do aço, enfraquecendo a rentabilidade das siderúrgicas e aumentando o número de usinas operando com prejuízo”, afirmaram Rafael Barcellos, do Bradesco BBI, e Renato Chanes, da Ágora Investimentos.
Com margens no vermelho, produzir mais significa ampliar perdas. As usinas preferem, portanto, manter o ritmo atual e comprar apenas o necessário para repor o que consomem.
Sem gatilho para a demanda
Nem os fatores sazonais mais favoráveis mudaram essa postura. Para os analistas, estoques parados e cautela na produção apontam para uma demanda ainda moderada pela matéria-prima.
“Não observamos, neste momento, sinais de uma retomada relevante da produção chinesa capaz de impulsionar estruturalmente a demanda pela matéria-prima”, avaliaram Rafael Barcellos, do Bradesco BBI, e Renato Chanes, da Ágora Investimentos.
Com 22 dias de cobertura, as usinas têm minério suficiente para atravessar as próximas semanas sem voltar às compras com força. Uma virada, contudo, depende de o aço recuperar terreno frente ao carvão.






