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Relatório Trimestral de Inflação: BC eleva projeções para inflação e percepção fiscal piora

Relatório Trimestral de Inflação: BC eleva projeções para inflação e percepção fiscal piora

O Banco Central publicou o Relatório Trimestral de Inflação, no qual revisou para cima as projeções de inflação para 2024; saiba mais

O Banco Central (BC) publicou nesta quinta-feira (27) o Relatório Trimestral de Inflação, no qual revisou para cima as projeções de inflação para 2024, passando de 3,5% para 4,0%.

Para os próximos anos, o Banco Central projeta uma inflação de 3,4% em 2025 e de 3,2% em 2026. “Na projeção do cenário de referência, a inflação sobe no segundo trimestre de 2024 e depois retoma uma trajetória de declínio, mas ainda permanece acima da meta”, afirmam.

O banco ainda destacou que embora os resultados fiscais de curto prazo não tenham surpreendido negativamente, “a percepção dos analistas consultados pelo BC sobre a situação fiscal piorou desde o relatório anterior“, divulgado em março.

Considerando a evolução das receitas e despesas, o governo federal manteve a indicação de que cumprirá a meta de resultado primário estabelecida para este ano. Não obstante, a mudança nas metas indicativas de resultado primário para 2025 e 2026, as resistências para aprovação de medidas de recomposição de receita e a tragédia no Rio Grande do Sul (RS) fizeram com que aumentasse a percepção de risco fiscal entre os analistas“, destacou o BC.

A autarquia prevê que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registre 0,33% em junho, 0,12% em julho, 0,07% em agosto e 0,21% em setembro.

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De acordo com o Banco Central, as chances de ultrapassar o teto da meta de inflação em 2024, 2025 e 2026 aumentaram para 28%, 21% e 18%, respectivamente. As probabilidades de a inflação ficar abaixo do piso são de zero, 9% e 11%.

O banco ainda esclarece que o aumento na projeção de inflação deve-se principalmente a uma atividade econômica mais forte do que o esperado, o que resultou em uma elevação no hiato do produto estimado, embora tenha sido parcialmente contido pela alta da taxa de juros real.

Relatório Trimestral de Inflação: Selic e PIB

Em relação à condução dos juros básicos, o Banco Central reiterou a mensagem da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de que a política monetária deve permanecer contracionista por um período suficiente para consolidar não apenas o processo de desinflação, mas também a ancoragem das expectativas em torno das suas metas.

A taxa Selic parte do valor de 10,50% ao ano, estabelecido na 262ª reunião do Copom (7 e 8 de maio de 2024), e segue a trajetória da mediana das expectativas extraídas da pesquisa Focus de 14 de junho de 2024. Nessa trajetória, a taxa Selic começa a cair na primeira reunião de 2025, terminando o ano em 9,50%. Na terceira reunião de 2026, atinge 9,00% e permanece nesse valor durante todo o restante do horizonte, até 2027”, afirmam.

A taxa de juros real neutra considerada para as projeções subiu para 4,75%. Quanto ao crescimento econômico, o Banco Central revisou para cima sua projeção do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, passando de 1,9%, estimado em março, para 2,3%.

Cenário externo

O RTI destaca que o ambiente externo “caracteriza-se pela resiliência da atividade e pela continuidade gradual do processo de desinflação”.

“As expectativas de inflação para prazos mais longos permanecem ancoradas nas economias avançadas, embora o núcleo da inflação ainda esteja em níveis elevados e acima da meta em muitas economias”, observou o Banco Central no comunicado.

Segundo a autoridade monetária, as expectativas de inflação indicam diferentes velocidades de desinflação entre os países, resultando em trajetórias prospectivas de juros de política monetária também distintas.

Tá, e aí?Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset

Para Stephan Kautz, economista-chefe da EQI Asset, o Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central não trouxe grandes novidades. O relatório já havia antecipado a alta da taxa de juros real de equilíbrio e a mudança na projeção do hiato. Além disso, manteve as mesmas projeções de inflação tanto para este ano quanto para o próximo.

As únicas novidades foram as projeções para 2026, que não haviam sido divulgadas anteriormente na ata do Copom. Segundo o relatório as projeções apontam para uma inflação de 3,2%, igual ao relatório anterior. Ou seja, com uma taxa de juros de 9,5% ao final do próximo ano, a inflação no final de 2026 deve atingir 3,2%, após alcançar 3,4% no final de 2025.

As únicas novidades ficaram com a projeção para 2026 que não tinham saido na ata e apontam uma inflação de 3,2 igual ao relatório anterior, ou seja, com uma taxa de juros de 9,5 ao final do ano que vem, a inflação no final de 2026 vai para 3,2 depois de bater 3,4 no final de 2025.

Portanto, em geral, foi um relatório com poucas novidades em relação às perspectivas futuras. Trata-se de um documento mais técnico, contendo diversas projeções sobre o setor externo e o PIB, além de novos modelos de previsão, mas com poucas informações novas“, complementa o economista.

Para finalizar, o Banco Central revisou para cima sua projeção do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, de 1,9% estimado em março para 2,3%. Esse ajuste se deve ao aumento mais robusto tanto do consumo quanto do investimento.

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