A produção industrial brasileira recuou 0,2% em maio na comparação com abril, primeiro resultado negativo de 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo IBGE. Em relação a maio de 2025, o setor avançou apenas 0,2%, bem abaixo do crescimento de 2,7% registrado em abril.
O acumulado do ano segue positivo, com alta de 1,4%, mas o ritmo de expansão desacelerou. Nos últimos 12 meses, a variação foi de apenas 0,4%, sinalizando que a indústria perde fôlego num ambiente de juros elevados e demanda mais contida.
Petróleo e extrativa lideram as perdas em maio
Na comparação mensal, as quedas mais intensas vieram de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%). Produtos alimentícios (-1,3%), produtos têxteis (-4,0%) e equipamentos de informática (-2,0%) também pressionaram o resultado.
Do lado positivo, produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+13,1%), veículos automotores (+4,1%) e produtos químicos (+3,1%) foram os destaques. Bens de consumo duráveis foi a única grande categoria com resultado positivo na comparação mensal, com alta de 3,6%, revertendo a queda de 3,1% de abril.
Bens de capital aprofundam queda anual
Na comparação com maio de 2025, bens de capital recuaram 6,7% e intensificaram a queda de 4,9% registrada em abril.
Os segmentos de bens de capital agrícolas (-23,1%) e de uso misto (-19,9%) foram os principais responsáveis pela piora. Máquinas e equipamentos acumulam queda de 8,8% no ano, pressionados pela menor produção de colheitadeiras, tratores agrícolas e ar-condicionado.
Bens intermediários cresceram 1,4% na comparação anual, quinta alta consecutiva nessa base. A expansão foi puxada por petróleo e derivados (+8,5%), indústrias extrativas (+3,1%) e veículos (+5,1%). Bens de consumo duráveis avançaram 1,5%, sustentados pela fabricação de automóveis (+13,9%), motocicletas (+7,0%) e eletrodomésticos da linha branca (+5,2%).
Um sinal de alerta no relatório do IBGE é o grupamento de insumos típicos para construção civil, que registrou a 12ª queda consecutiva na comparação anual, com recuo de 3,4% em maio.
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