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Pressão de Trump sobre Powell já saiu pela culatra

Pressão de Trump sobre Powell já saiu pela culatra

Powell poder ficar no Fomc até 2018, escolha do próximo presidente demorar mais tempo e, por fim, a reação dos mercados foi de juros mais altos

A pressão que Donald Trump faz sobre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, para que este reduza os juros no país – aliado ao recente anúncio de uma investigação do Departamento de Justiça – foi um tiro que já saiu pela culatra.

Essa conclusão possui três explicações.

Mais Powell, e por mais tempo

A primeira é o fato de que o mandato do líder do BC dos EUA na presidência do Fomc (Federal Open Market Committee) termina em maio, porém como diretor só acaba em janeiro de 2018. Talvez por isso a investigação do DOJ se somo às pressões de Trump.

“Uma investigação aberta pode aumentar a probabilidade de ele permanecer no cargo para reforçar a defesa da independência do banco central, mas ainda consideramos mais provável que ele se demita após seus 14 anos de serviço”, analisa o Wells Fargo em uma nota assinada pelos economistas Tom Porcelli, Sarah House e Michael Pugliese.

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Jerome Powell
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve Imagem: Flickr/ Federal Reserve)

Próximo presidente

O segundo argumento se baseia no processo de escolha do próximo presidente do Fed, que pode levar mais tempo.

“O senador Thom Tillis (republicano da Carolina do Norte) declarou que não apoiará nenhum indicado para a presidência do Fed até que essa questão legal seja resolvida. Dado que ele integra a importante Comissão Bancária do Senado e já anunciou planos de se aposentar no final deste ano, isso confere a Tillis considerável influência sobre a situação”, explicam.

O custo para o mercado

Por fim, a terceira bala pela culatra foi percebida pela reação do mercado: aumento das taxas de juros dos títulos do Tesouro, uma curva de juros mais acentuada, um dólar mais fraco e uma alta nos preços do ouro.

“Esperamos que o Fomc continue a tomar decisões de política monetária com base no ambiente econômico — e não no ambiente político —, como ficou claramente exposto por Powell em uma declaração em vídeo. No entanto, este último episódio corre o risco de prejudicar a credibilidade da independência do Fed e das boas práticas de governança dos EUA”, concluem os economistas do Wells Fargo.