O ouro atingiu um novo recorde histórico ao ultrapassar a marca de US$ 4.600 por onça, refletindo um ambiente de forte aversão ao risco nos mercados globais. A valorização ocorre em meio a uma combinação de instabilidade política nos Estados Unidos, tensões geopolíticas em diferentes regiões e mudanças nas expectativas sobre a política monetária americana.
Somente neste início de ano, o metal acumula ganhos relevantes, ampliando um movimento que já vinha forte desde 2025. Investidores buscam proteção diante de choques sucessivos, recorrendo ao ouro como reserva de valor em momentos de incerteza econômica e institucional.
A escalada do preço reforça um padrão histórico: sempre que a confiança nas instituições e nas moedas fiduciárias é colocada em xeque, o ouro tende a assumir protagonismo nos portfólios globais.
Pressão política sobre o Fed impulsiona ativos de refúgio
Um dos principais catalisadores do novo recorde do ouro foi a intensificação do embate político entre o governo dos Estados Unidos e o Federal Reserve. A abertura de investigações envolvendo o presidente do banco central americano, Jerome Powell, elevou o grau de incerteza sobre a condução futura da política monetária.
Segundo análises de mercado, a possibilidade — ainda que remota — de mudança na liderança do Fed alimenta apostas em cortes mais rápidos nas taxas de juros. Esse cenário é tradicionalmente favorável ao ouro, já que juros mais baixos reduzem o custo de oportunidade de manter um ativo que não oferece rendimento.
A reação dos mercados foi imediata: o dólar perdeu força, os rendimentos dos títulos do Tesouro subiram e os investidores migraram para ativos considerados mais seguros, com destaque para o ouro.
Leitura dos mercados
De acordo com Derek Holt, vice-presidente e chefe de economia dos mercados de capitais do Scotiabank, os mercados estão “se rebelando” contra os ataques diretos à autonomia do Fed. O ouro subiu cerca de US$ 75 por onça em um curto espaço de tempo, aproximando-se rapidamente do novo recorde observado nesta semana.
Holt destaca que, ao contrário de outros momentos de estresse, ativos como criptomoedas não têm cumprido o papel de proteção. Enquanto isso, contratos futuros de ações americanas recuam e o dólar apresenta fraqueza generalizada frente às principais moedas globais.
Para o analista, o episódio expõe um risco institucional relevante: a interferência política na política monetária tende a elevar prêmios de risco, favorecendo o ouro como proteção contra decisões imprevisíveis.
Geopolítica reforça a corrida pelo ouro
Além da política interna dos EUA, conflitos internacionais também contribuíram para a alta do ouro. Tensões envolvendo o Irã e a Venezuela reacenderam preocupações com segurança global, cadeias de suprimento e estabilidade regional.
Mesmo quando episódios específicos parecem ter resolução rápida, o acúmulo de focos de tensão reforça uma sensação persistente de instabilidade. Nesse contexto, o ouro se beneficia como ativo que preserva valor em cenários extremos.
Analistas destacam que, somado a déficits fiscais elevados, fragmentação geopolítica e reavaliação das reservas globais, o movimento estrutural de valorização do ouro permanece intacto.
Perspectivas: o ouro pode ir além do novo recorde
Projeções de grandes instituições financeiras indicam que o ouro pode continuar avançando nos próximos trimestres. Há estimativas que apontam para preços próximos de US$ 5.000 por onça até 2026, mesmo com períodos de volatilidade e correções pontuais.
A demanda contínua de bancos centrais, a fraqueza estrutural do dólar e a instabilidade política reforçam a tese de que o ouro seguirá como um dos ativos mais relevantes do ciclo atual.
O novo recorde, portanto, não é apenas um marco de preço, mas um sinal claro das transformações em curso no cenário econômico global.






