O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) sugeriu, em entrevista ao portal TMC News, que o Brasil deveria colocar o Pix na mesa de negociações com os Estados Unidos e considerar a adoção do Zelle, sistema americano de transferências digitais, em seu lugar.
A declaração gerou reações imediatas, e para entendê-la é preciso compreender o que é o Zelle.
O que é o Zelle e como funciona
O Zelle é uma rede de pagamentos digitais dos Estados Unidos que permite transferências de dinheiro entre pessoas de forma direta, sem intermediários nem taxas para o usuário. As transações são liquidadas em minutos e os valores vão diretamente da conta do remetente para a do destinatário, sem retenção de fundos pela plataforma.
Para usar o Zelle, é necessário ter conta corrente ou poupança em um banco ou cooperativa de crédito participante nos EUA. Em abril de 2025, o serviço descontinuou seu aplicativo próprio e passou a funcionar exclusivamente dentro dos aplicativos dos bancos parceiros.
De clearXchange ao Zelle: uma história de grandes bancos
O serviço nasceu em 2011 como clearXchange, lançado pelo Bank of America, JPMorgan Chase e Wells Fargo. Em 2016, foi adquirido pela Early Warning Services, empresa controlada pelos maiores bancos americanos. Em 2017, a plataforma foi relançada com o nome Zelle.
Hoje, o Zelle está disponível em mais de 2.300 instituições financeiras — 95% delas bancos comunitários ou cooperativas de crédito. Em 2024, processou mais de US$ 1 trilhão em transações, incluindo US$ 283 bilhões movimentados por pequenas empresas, com 151 milhões de contas conectadas.
Pix e Zelle: semelhantes, mas com diferenças estruturais
Apesar da comparação feita por Bolsonaro, Pix e Zelle têm diferenças relevantes. O Pix é uma infraestrutura pública regulada pelo Banco Central do Brasil, acessível a qualquer pessoa com conta em banco, fintech ou instituição de pagamento. O Zelle é uma plataforma privada, controlada por grandes bancos, e restrita a correntistas de instituições participantes.
Eduardo afirmou que o Brasil poderia ir “para a mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, citando também terras raras e manganês como possíveis moedas de troca para evitar retaliações americanas sobre meios de pagamento brasileiros.






