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O Lado B da Nova Ordem Mundial

O Lado B da Nova Ordem Mundial

O que os ataques norte-americanos ao Irã significam para a economia e para os seus investimentos?

Desde o ano passado já alertamos para uma mudança na organização da relação entre as nações. Os alicerces do pós-2ª Guerra Mundial eram o livre comércio, interdependência econômica e organismo multilaterais fortes.

Essa estrutura gerou diversos benefícios por décadas, como crescimento econômico com inserção dos países emergentes nas cadeias globais de produção. Havia mantido a paz, com o período mais longevo da História sem grandes conflitos globais.

Porém, esse arcabouço básico já não se sustentava. Os organismos internacionais não possuíam força e legitimidade para impor sanções. E a globalização já vinha sendo restrita em diversas frente, ganhando força com o novo governo Trump.

Os ataques americanos ao Irã são mais uma etapa nessa Nova Ordem Mundial. Além da parte econômica, havia a coordenação entre as principais potências, com a liderança americana, para ações militares. Tanto é que o governo americano buscou apoio na ONU para a invasão ao Iraque.

Dessa vez, o governo americano busca agir com Israel, subvertendo a estrutura histórica. É a mudança militar, de ação buscando interesses próprios. Essa realpolitik americana já foi utilizada na Venezuela, com a remoção do presidente Maduro. A época de negociações para coordenar ações ficou para trás.

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As mudanças econômicas vieram para ficar, ou seja, novas disputas comerciais, restrições ao livre comércio e a busca por interesses individuais serão o “novo normal” dos próximos anos.

E, no lado militar, ataques e conflitos regionais serão mais frequentes. As incertezas econômicas e geopolíticas estarão presentes nas decisões de investimentos pelos próximos anos.

O que então fazer com isso? Como agir?

Será necessário ter uma visão de médio-prazo para os investimentos. Definir objetivos será fundamental. Pergunte-se o motivo de estar guardando dinheiro. Isso ajudará a definir prazos, volatilidade e retornos esperado.

Portfólios serão mais voláteis, refletindo um mundo mais fluido. Ajuste o tamanho das posições dos seus investimentos para aguentar oscilações maiores. Tenha uma alocação em caixa/liquidez para reduzir a volatilidade do portfólio e aproveitar as oportunidades que as mudanças de preços apresentarão.

Não venda no pânico. Decisões tomadas em momentos de incerteza, com mercados realizando são as piores decisões. Os fundamentos dos seus investimentos foram alterados pelos novos eventos? Se não, siga alocado.

Diversificação geográfica será mais importante. A concentração de investimentos externos em ativos americanos ficou para trás. Comprar na Europa e em Emergentes representa um aumento da diversificação da alocação internacional e trará retornos mais sustentáveis ao longo do tempo.

Ter proteção para os temas mais otimistas no portfólio. Dentre as opções, nossa preferência continua sendo pelo ouro, mas as commodities de energia podem ser outra maneira de hedge.

Mas o que esperar dos ataques americanos ao Irã?

A resposta é não sei. O petróleo deve subir, o dólar deve apreciar, as bolsas devem cair. Por quanto tempo e em qual magnitude, dependerá da duração do conflito. O risco de uma escalada depende de quanto tempo as defesas iranianas sustentarão retaliações, qual o desgaste que a nova administração estará disposta a aceitar em negociações com os EUA e se haverá um espalhamento dos ataques, atingindo outros países ou atraindo novos países, como Rússia, China e etc.

Mas o governo americano não irá invadir o Irã com tropas, restringirá sua ação a ataques aéreos. Assim, uma mudança de regime dependerá de fatores domésticos do Irã. O objetivo americano é evitar a construção de armas nucleares e mísseis balísticos intercontinentais. Com diversos bombardeios estratégicos esse objetivo pode ser alcançado em dias.