Parece até fake news, mas integrantes do governo dos Estados Unidos estariam pressionado o órgão responsável pela impressão do dinheiro americano para desenvolver uma nota de 250 dólares com Donald Trump. As informações foram publicadas pelo jornal The Washington Post e atribuídas a quatro funcionários e ex-funcionários ligados ao Departamento do Tesouro.

Segundo a reportagem, os pedidos teriam partido do tesoureiro dos EUA, Brandon Beach, e de seu principal assessor, Mike Brown, que desde o ano passado estariam insistindo para que o Bureau of Engraving and Printing (BEP) elaborasse protótipos da nova nota.
Caso avance, a iniciativa marcaria a primeira vez em mais de 150 anos que uma pessoa viva apareceria em uma cédula americana. A legislação federal atual permite apenas a presença de pessoas falecidas no dinheiro em circulação nos Estados Unidos.
De acordo com os relatos, Beach chegou a apresentar modelos visuais da proposta entre agosto e setembro do ano passado, incluindo um design com o rosto de Trump no centro da nota de US$ 250.
O artista britânico Iain Alexander, que afirmou ter criado uma das maquetes, disse ao jornal americano que chegou a conversar diretamente com Trump sobre o projeto. Segundo ele, o presidente teria sugerido mudanças no design, incluindo elementos com as cores da bandeira americana e um selo comemorativo dos 250 anos da independência dos Estados Unidos.
Obstáculos legais e resistência interna
Funcionários do órgão responsável pela impressão do dinheiro teriam alertado repetidamente integrantes do governo sobre as dificuldades legais e operacionais para criação da nova cédula.
Segundo relatos obtidos pelo The Washington Post, a então diretora do BEP, Patricia Solimene, explicou que a emissão de uma nova nota exige anos de planejamento, testes e aprovação institucional.
Um dos funcionários ouvidos afirmou que o processo completo poderia levar entre seis e oito anos, especialmente em se tratando de uma cédula de valor elevado e sem precedente recente.
Apesar disso, os representantes políticos ligados ao Tesouro teriam reagido com pouca receptividade aos alertas técnicos.
A legislação que proíbe pessoas vivas em cédulas existe desde 1866, após um funcionário do próprio Tesouro ter estampado sua imagem em uma nota de cinco centavos.
Diretora do órgão foi retirada do cargo
Pouco depois das discussões sobre o projeto, Patricia Solimene foi removida da direção do órgão de impressão de moeda.
Em um e-mail enviado a colegas e obtido pelo jornal americano, ela afirmou que sua saída “não foi uma escolha pessoal” e disse deixar o cargo com o “coração pesado”.
O Departamento do Tesouro não comentou oficialmente a mudança de função da executiva.
Mike Brown, assessor apontado como um dos articuladores da proposta, assumiu posteriormente o cargo de diretor interino do órgão.
Governo admite estudos para nota comemorativa
Em nota enviada ao jornal, o Departamento do Tesouro confirmou que o órgão realiza estudos e planejamento relacionados à proposta legislativa que tramita no Congresso americano.
O projeto citado prevê a criação de uma nota comemorativa de US$ 250 em celebração aos 250 anos da independência dos Estados Unidos.
Segundo o governo, qualquer avanço dependeria de aprovação formal do Congresso.
Assinatura de Trump já estaria em novas notas de US$ 100
Além da proposta envolvendo a nota de US$ 250, funcionários relataram que o governo autorizou outro movimento inédito: a impressão de notas de US$ 100 com a assinatura de Trump.
Segundo os relatos, essas cédulas já estariam sendo produzidas nas instalações do órgão em Washington.
Se confirmada, a medida representaria a primeira vez que um presidente em exercício teria sua assinatura inserida diretamente em notas americanas durante o mandato.
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