O Livro Bege do Fed destacou a desaceleração das pressões inflacionárias e também no mercado de trabalho, ao longo dos últimos meses, em sua edição divulgada nesta quarta-feira (12), dando pistas de que o aperto monetário adotado pelo banco desde o ano passado começa a dar resultado.
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O Livro Bege é publicado oito vezes por ano, sempre duas semanas antes da reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Fed, que define a taxa de juros. O próximo encontro será nos dias 25 e 26 deste mês, e a tendência deixada pela ata da reunião era de que haveria pelo menos mais duas altas na taxa, hoje no intervalo entre 5% e 5,25% ao ano.
A publicação, no entanto, sai no mesmo dia em que o CPI de junho, um dos índices de inflação dos EUA, foi divulgado com alta de 0,1%, abaixo do esperado pelo mercado, e com acumulado de 3% nos últimos 12 meses – 4,8% no núcleo, que desconsidera índices de energia e alimentação, mais voláteis.
A ata da última reunião já havia apontado uma divisão no board, com parte dos diretores favoráveis a mais um aumento, enquanto outros defendiam uma pausa para verificação dos índices mais recentes.
“Os preços aumentaram em um ritmo modesto em geral, e vários distritos notaram alguma desaceleração no ritmo de aumento. Os preços ao consumidor em geral aumentaram, embora os relatórios tenham diferido na medida em que as empresas conseguiram repassar os aumentos de custos de insumos”, aponta o texto divulgado nesta quarta-feira.
Os diretores apontam que “as pressões sobre os custos de insumos permaneceram elevadas para as empresas de serviços, mas diminuíram notavelmente no setor manufatureiro”, e que as tarifas de frete caíram, juntamente com os preços de muitos insumos da construção civil.
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Livro Bege do Fed: temor de recessão persiste
O texto cita duas vezes a palavra “recessão”, atrelada a falas dos diretores locais do Fed em Chicago e Cleveland que relatam ter ouvido de contatos locais o temor de que o excessivo aperto monetário possa restringir a atividade econômica ao ponto de uma estagnação.
Os dados, porém, apontam, segundo os diretores, que a atividade econômica geral aumentou ligeiramente desde o final de maio, na última reunião, com cinco dos 12 distritos relatando crescimento leve, outros cinco estagnação e dois apontando “declínios leves e modestos”.
“Os relatórios sobre os gastos do consumidor foram mistos; o crescimento foi geralmente observado em serviços ao consumidor, mas alguns varejistas observaram mudanças nos gastos discricionários. A atividade de turismo e viagens foi robusta e os contatos de hospitalidade esperavam uma temporada de verão movimentada”, relatam os diretores.
Mesmo do ponto de vista da indústria, que vem mostrando queda em dados do PMI (Índice de Gerente de Compras) e do mercado de trabalho, metade dos 12 distritos apontaram crescimento. “As expectativas econômicas gerais para os próximos meses continuaram, em geral, a exigir um crescimento lento”, diz o livro.
Do ponto de vista do mercado de trabalho, o texto registra um aumento modesto, confirmado por números do payroll e do relatório ADP, que reúne apenas os dados do setor privado. “A demanda por mão de obra permaneceu saudável, embora alguns contatos tenham relatado que as contratações estão ficando mais direcionadas e seletivas. Os empregadores continuaram a ter dificuldade em encontrar trabalhadores, especialmente em cuidados de saúde, transporte e hospitalidade, e para cargos altamente qualificados em geral”, diz o texto.
No entanto, continua o relato, muitos distritos relataram que a disponibilidade de mão de obra havia melhorado e que alguns empregadores estavam tendo mais facilidade para contratar do que antes. “Os empregadores também relataram que as taxas de rotatividade anormalmente altas nos últimos anos parecem estar voltando às normas pré-pandemia”, diz o texto.
Os salários também voltaram a subir, segundo os relatos feitos ao Fed, a um ritmo similar ao de antes da pandemia. “Contatos em vários distritos relataram que os aumentos salariais estavam voltando ou se aproximando dos níveis pré-pandêmicos”, conclui o texto.
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