A Europa tem inúmeras cidades que são o sonho de consumo de milhares de pessoas. Entretanto, duas delas estão no “hype”, e o fluxo de novos moradores só aumenta. Trata-se de Lisboa, em Portugal, e Madri, na Espanha.
A distância entre uma e outra é de pouco mais de 620 quilômetros e a briga para ver quem atrai mais dinheiro emergente é das grandes, visto que ambas têm dois países enormes que foram ex-colônias. Trata-se de Brasil e México.
Para se ter ideia, a capital portuguesa tem, pelos registros oficiais, quase 78 mil brasileiros residindo, e todo dia chega mais gente pelo aeroporto Humberto Delgado. No país, a comunidade brasileira ultrapassa as 210 mil de pessoas.
Já o número de latinos vivendo na Espanha é superior a 1,5 milhão, e os imigrantes estão mais bem-distribuídos, visto que o país é imenso, em comparação a Portugal. O número de brasileiros residindo na terra de Cervantes encosta em 100 mil.
Em um passado recente, falar de imigração era sinônimo de subemprego e dependência econômica. Isso ainda acontece, mas o volume de cidadãos mais bem-posicionados na vida, que optam por mudar de país, está alterando esse quadro.
No caso da Espanha, os “endinheirados” que chegam estão mudando os hábitos e a paisagem local. Acontece que os espanhóis costumam almoçar por volta das 14h e ainda fecham o comercio à tardinha para tirar a sesta, ou seja, dormir. Quando o sol baixa, eles retornam ao comércio para dar prosseguimento às atividades.
Entretanto, esse público que acaba de chegar continua almoçando entre 12h30 e 13h30, e os bares e restaurantes já estão se adaptando. Os imigrantes também adquirem imóveis e fazem grandes reformas, o que implica em renovação de edifícios residenciais e seu entorno.
Do lado negativo, esse fluxo acaba inflacionando o valor dos aluguéis, dificultando a vida de outros imigrantes com menos dinheiro no bolso, bem como da própria população local. Tanto Madri quanto Lisboa vivem esse fenômeno, mas a capital dos portugueses tem um agravante: não há imóveis o suficiente e a construção civil “parou no tempo”.
- PIB do México: US$ 1,091 trilhão (2020);
- PIB do Brasil: US$ 1,449 trilhões (2020);
- Habitantes do México: 126,7 milhões (2021);
- Habitantes do Brasil: 214,3 milhões (2021);
- Renda Per Capta do México: US$ 10.045 mil/ano (2021);
- Renda Per Capta do Brasil: US$ 7.507 mil/ano (2021);

Lisboa versus Madri: injeção de dinheiro
Em Portugal, a cidade que atrai o maior volume dos endinheirados brasileiros é Cascais, que fica na Região Metropolitana de Lisboa, distante cerca de meia-hora.
O Brasil também é o segundo país na compra de imóveis em Lisboa e Porto, cujos gastos mínimos ultrapassam os R$ 2,9 bilhões, segundo dados de 2020.
Em Madri, os latino-americanos investiram 600 milhões de euros (R$ 3,153 bi) somente no primeiro semestre de 2022. Os especialistas divergem acerca de qual capital europeia é, de fato, a porta de entrada dos latinos.
Esse volume de gente chegando tem dois vieses: o primeiro destaca pessoas e famílias que já possuíam dinheiro em seu núcleo ou acumularam ao longo dos anos recentes. Já o segundo indica um profissional mais especializado, nômade, com alto salário, e que não veio, necessariamente, das camadas mais abastadas, mas encontrou seu lugar ao sol crescendo na carreira, seja trabalhando de forma efetiva ou prestando serviços.
Tanto é assim que os dois países precisaram acelerar a lei dos nômades digitais. Portugal antecipou a notícia, mas como o país ainda está debaixo de uma estrutura organizacional pública pesada, a Espanha disponibilizou o visto para esta classe de trabalhadores mais cedo.
Vantagem competitiva
Devido ao seu tamanho – a Espanha é cinco vezes maior do que Portugal – o país de língua castelhana consegue oferecer mais possibilidades às companhias que querem se instalar por lá.
Ainda assim, como o Brasil e Portugal aparentam ser mais “aliançados”, inúmeras empresas brasileiras já deram o primeiro passo para instalar unidades pelo país, principalmente porque não querem perder a mão de obra especializada dos próprios brasileiros que passaram a residir em terras lusitanas.
Já há polos tecnológicos idealizados e implantados por empresas brasileiras no Porto e empresas se instalando de forma autônoma na Região de Évora, um dos distritos que, inclusive, faz fronteira com a Espanha.
Há, ainda, benefícios por parte do governo para empresas brasileiras que queiram se instalar em Portugal, preferencialmente no interior, como Évora, Portalegre, que também faz fronteira com a Espanha, e outros distritos.
Capital emergente
Não dá para definir, de fato, qual das duas cidades atrai mais capital emergente, pois a “disputa” é forte, e também porque não é do interesse de ambos os governos fornecer detalhes tão aprofundados assim, para não dar a entender que estas cidades, e outras localidades de cada um dos países, é um Eldorado, ou lugar de sonho, coisa que realmente não é.
O boom que as duas localidades estão vivenciando gera pressão na economia local e, para piorar, ainda há muita gente chegando com muitos desejos, pouco dinheiro e nenhuma informação, o que faz aumentar os rincões de pobreza (sim, há pobreza na Europa).
Mas um pequeno detalhe pode ser revelador: Portugal se esforça para segurar esses imigrantes que encontram trabalho em suas fronteiras, visto que muitos chegam, ficam tempo necessário para se documentar, e partem para a Espanha.
Já na terra de Cervantes, não há relatos tão cotidianos de pessoas querendo deixar o país em busca de trabalho e renda, apesar de a Espanha ter a maior taxa de desemprego da Europa. Nessa conta, Portugal ocupa a quinta colocação.
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