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Leilão de transmissão da Aneel pressiona retornos do setor

Leilão de transmissão da Aneel pressiona retornos do setor

O destaque ficou para o deságio médio de 53,2% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima estipulada pela Aneel

O leilão de transmissão da Aneel realizado nesta sexta-feira confirmou a forte competitividade do segmento de infraestrutura elétrica, com deságios elevados e disputas que, na avaliação da Ativa Investimentos, reforçam a necessidade de disciplina na alocação de capital e na execução dos projetos. Embora Alupar (ALUP11) e Axia Energia (AXIA3) tenham sido as principais vencedoras do certame, a casa de análise considera que os impactos sobre as teses de investimento das companhias são limitados no curto prazo.

A segunda etapa do Leilão de Transmissão nº 1/2026 relicita quatro lotes que haviam sido devolvidos ou tiveram a concessão encerrada após problemas envolvendo a MEZ Energia. Ao todo, os projetos somam R$ 1,8 bilhão em investimentos estimados, contemplando 61 quilômetros de linhas de transmissão e capacidade adicional de transformação de 2.400 MVA.

O destaque ficou para o deságio médio de 53,2% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima estipulada pela Aneel. A receita contratada pelos vencedores totalizou R$ 147,5 milhões por ano, praticamente metade do teto de R$ 315,2 milhões previsto no edital.

Ambiente ainda bem competitivo

Para a Ativa, esse resultado evidencia que o ambiente permanece bastante competitivo, pressionando a rentabilidade dos novos projetos e exigindo maior rigor das empresas na estruturação financeira e na gestão dos investimentos.

A Alupar conquistou o maior empreendimento do leilão por meio do Consórcio Olympus XX. O lote 7 prevê investimentos estimados em R$ 1,09 bilhão, com Receita Anual Permitida de R$ 96,7 milhões e deságio de 52%.

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Segundo a Ativa, o projeto amplia o portfólio da companhia no segmento de transmissão, mas traz um desafio importante de execução por envolver a construção de linhas subterrâneas na cidade de São Paulo, uma obra considerada mais complexa do ponto de vista técnico e operacional.

Na avaliação da casa, a conquista representa um fator marginalmente positivo para a Alupar, mas ainda insuficiente para alterar de forma relevante sua tese de investimento no curto prazo, justamente em razão do elevado desconto oferecido no leilão e dos riscos inerentes à execução da obra.

A Axia Energia, por sua vez, venceu os lotes 8, 9 e 10, oferecendo receitas anuais permitidas de R$ 10,8 milhões, R$ 16,2 milhões e R$ 23,7 milhões, respectivamente. Os deságios variaram entre 51,8% e 59%.

Para a Ativa, embora a conquista fortaleça a estratégia de expansão da companhia em ativos de transmissão regulada, o impacto financeiro tende a ser pouco significativo diante do porte atual da empresa.

A leitura cautelosa também foi refletida no mercado acionário. Durante o pregão, as units da Alupar registraram leve valorização de cerca de 1%, enquanto as ações da Axia operaram próximas da estabilidade, com pequena queda.

Na visão da Ativa, o principal recado deixado pelo leilão de transmissão da Aneel vai além dos vencedores individuais. O certame reforça que o setor continua atraindo forte interesse dos investidores, mas em um ambiente no qual os retornos tendem a ser cada vez mais comprimidos pela elevada concorrência.