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Itaú BBA revisa Selic terminal para 13,75% e corta projeção do PIB

Itaú BBA revisa Selic terminal para 13,75% e corta projeção do PIB

PIB de 2026 foi revisado de 2,1% para 1,9%, com corte adicional para 2027, de 1,7% para 1,5%, incorporando impactos esperados do El Niño na safra do próximo ano

O Itaú BBA revisou sua projeção para a Selic terminal de 14% para 13,75% em 2026, sinalizando espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização monetária sem comprometimento com os próximos passos.

A revisão reflete uma combinação de atividade econômica mais fraca e inflação mais benigna do que o esperado anteriormente — dois fatores que, juntos, abrem margem para que o Banco Central mantenha o processo de corte de juros.

“A combinação de atividade mais fraca e inflação mais benigna abre espaço para continuidade do ciclo de flexibilização monetária, sem se comprometer com os próximos passos”, afirma Diogo Guillen, economista-chefe do Itaú BBA.

PIB e inflação revisados para baixo

O Itaú BBA reduziu sua projeção de crescimento do PIB de 2026 de 2,1% para 1,9%, incorporando os dados mais fracos divulgados nos últimos meses. Para 2027, o corte foi de 1,7% para 1,5%, refletindo os impactos esperados do El Niño sobre a safra agrícola do próximo ano.

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No mercado de trabalho, a taxa de desemprego de 2026 foi mantida em 5,7%, contudo a de 2027 foi revisada de 6,0% para 6,1%, em linha com a maior desaceleração da economia prevista para o período.

Na inflação, o IPCA de 2026 foi revisado de 5,4% para 5,1%, incorporando leituras recentes mais benignas e a perspectiva de bandeira tarifária verde de energia elétrica no fim do ano.

“Em 2027, apesar da revisão baixista via menor inércia inflacionária, os riscos seguem assimétricos para cima, puxados pela incerteza sobre o El Niño e por custos de fertilizantes elevados, que pressionam os preços de alimentos”, ressalta Guillen. A projeção de IPCA para 2027 passou de 4,5% para 4,4%.

Real e câmbio: termos de troca ajudam, Fed pressiona

No câmbio, o Itaú BBA manteve sua projeção de R$ 5,30 por dólar em 2026 e R$ 5,50 em 2027. O real voltou a ter desempenho positivo, beneficiado pela melhora dos termos de troca após a reescalada da guerra no Oriente Médio — vetor que o banco considera o mais importante no ano —, com o diferencial de juros elevado também oferecendo suporte à moeda.

Contudo, o cenário para o fim do ano é de pressão.

“As duas altas de juros que esperamos do Fed tendem a fortalecer o dólar e tirar apetite por ativos de risco, enquanto, no contexto doméstico, o prêmio de risco deve seguir pressionado”, afirma Guillen.

Com isso, mesmo com os termos de troca e os juros sustentando o real no curto prazo, o banco segue projetando tendência de depreciação ao final do ano. No campo fiscal, as projeções de resultado primário foram mantidas em -0,5% do PIB em 2026 e -0,6% em 2027, com o balanço de riscos visto como mais equilibrado no curto prazo.