O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta terça-feira (24) o fim oficial do conflito com Israel, encerrando o que chamou de “guerra de 12 dias” provocada por ações militares israelenses. Em pronunciamento transmitido pela agência estatal Irna, o líder classificou o cessar-fogo como uma “grande vitória” da nação iraniana e responsabilizou Tel Aviv pelo início dos confrontos.
“Hoje, após a resistência heroica de nossa grande nação, cuja determinação faz história, estamos testemunhando o estabelecimento de uma trégua e o fim desta guerra de 12 dias imposta pelo aventureirismo e pela provocação de Israel”, afirmou Pezeshkian. O presidente também destacou que o país ainda avalia a reabertura completa do espaço aéreo, fechado desde o início dos ataques.
A trégua foi anunciada horas antes pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com apoio direto do Catar, e entrou em vigor às 1h (horário de Brasília) desta terça. Apesar do acordo, relatos de novos bombardeios e acusações de violações por ambos os lados colocaram a estabilidade da trégua sob dúvidas. Trump, por sua vez, criticou duramente as atitudes das duas nações envolvidas.
Guerra de 12 dias: Trump pediu à Israel que respeitasse o cessar-fogo
“Israel tem de se acalmar. Tenho de fazer Israel se acalmar”, afirmou o presidente norte-americano antes de embarcar para a cúpula da Otan em Haia. Em publicação nas redes sociais, alertou: “Israel, não jogue suas bombas. Se fizer isso, será uma grande violação.”
Do lado israelense, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Eyal Zamir, confirmou o fim dos ataques ao território iraniano. Em sua declaração, Zamir afirmou que o foco agora será redirecionado à Faixa de Gaza, em especial no combate ao Hamas. “Nosso foco agora é resgatar os reféns em Gaza e desmantelar o regime do Hamas”, disse.
Israel havia retomado os bombardeios em Gaza em março, após um período de trégua. Desde então, a região vive uma crise humanitária agravada, com relatos de longas filas e tiroteios em pontos de distribuição de alimentos, mesmo após a liberação parcial de ajuda.
O cessar-fogo entre Irã e Israel também reflete uma mudança no tom da liderança iraniana. O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país, havia dito, antes da trégua, que “a nação iraniana não é uma nação que se rende”, indicando a postura firme de Teerã diante dos bombardeios americanos e israelenses.
Em tom de advertência, o Comando Militar Conjunto do Irã declarou que Israel e os Estados Unidos “devem aprender com os golpes esmagadores” sofridos durante os ataques, incluindo os lançamentos de mísseis que atingiram tanto território israelense quanto a base americana de Al-Udeid, no Catar.
Ainda nesta terça, o site FlightRadar 24 mostrou que alguns voos internacionais já estavam pousando e decolando do Aeroporto de Teerã, com autorização especial, apesar do fechamento do espaço aéreo ainda não ter sido oficialmente revogado.