Três anos após a invasão ao Congresso em Brasília, Jair Bolsonaro está fora do jogo político. Condenado a 27 anos de prisão por conspiração contra a democracia e inelegível até 2060, o ex-presidente deixa um vácuo na liderança da direita brasileira às vésperas das eleições presidenciais de outubro de 2026. A questão central, segundo análise da GZERO, da Eurasia Group, é: quem ocupará esse espaço? Donald Trump irá influenciar nesta escolha?
“A ausência de Bolsonaro deixa a oposição sem liderança e dividida”, afirma Tasha Kheiriddin, analista da Eurasia.
Essa fragmentação pode abrir caminho para um segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, caso a direita não consiga se reorganizar.
Em dezembro, Bolsonaro endossou seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, como candidato do PL. A escolha gerou reação negativa nos mercados e entre aliados, que esperavam apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, visto como “menos polarizador e mais palatável aos centristas”, observa Kheiriddin. No entanto, mensagens reveladas pelo Supremo indicam desconfiança entre bolsonaristas: Eduardo Bolsonaro acusou Freitas de não defender o pai durante seus processos, enquanto planejava sua própria candidatura.
Apesar disso, Freitas reconheceu a força do ex-presidente: “Não há direita sem Bolsonaro”, declarou em 2025, antes de apoiar Flávio. Mas os números não ajudam: pesquisas mostram que 70% dos eleitores independentes rejeitam qualquer membro da família Bolsonaro, e 56% têm visão negativa de Flávio.
Esse desgaste abre espaço para novos nomes, como Renan Santos, fundador do Partido Missão, que defende a criação de uma reserva nacional em bitcoin, em linha com políticas de Nayib Bukele em El Salvador.
O fator Trump
Outro elemento que pode influenciar o pleito é Donald Trump. “Bolsonaro sempre se apresentou como o ‘Trump dos trópicos’, e a relação entre ambos continua relevante”, destaca Kheiriddin. Após a condenação do brasileiro, Trump impôs sanções e tarifas ao Brasil, gerando um confronto com Lula que, paradoxalmente, ajudou o presidente a recuperar popularidade. Mais tarde, Trump recuou, retirando tarifas sobre alimentos brasileiros após pressão interna.
Agora, há sinais de que setores da direita brasileira esperam apoio explícito de Trump. Eduardo Bolsonaro, próximo ao movimento MAGA, chegou a sugerir que o republicano poderia “interferir” via pressão diplomática.
Mas Kheiriddin alerta: “Qualquer ingerência externa pode sair pela culatra. Muitos brasileiros veem isso como uma afronta à soberania nacional.”
Lula já advertiu que ações como a intervenção militar de Trump na Venezuela criam “um precedente extremamente perigoso” e evocam “os piores momentos de interferência na política latino-americana”.
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