O IPO da Tiendas 3B, uma líder no setor de consumo no México, enviou um claro sinal às empresas brasileiras: o mercado está receptivo a companhias latino-americanas. A empresa atraiu interesse de investidores globais ao ponto de os bancos responsáveis pela oferta conseguirem precificar as ações acima do valor inicialmente pretendido, demonstrando o sucesso da transação.
A empresa registrou uma forte demanda e conseguiu captar cerca de US$ 700 milhões, incluindo a colocação do lote adicional, que foi exercido devido à alta procura. Em uma entrevista ao Valor Econômico, Bruno Saraiva, corresponsável pelo banco de investimento do Bank of America (BofA) no Brasil, observou que a oferta da empresa mexicana pode ser lida como um prova de que o mercado está acelerando.
IPO da Tiendas 3B: ofertas no Brasil
De acordo com o executivo, isso não implica necessariamente que o mercado esteja aberto para todos os casos, mas sim que está seguindo na direção correta. “Essa é a primeira derivada positiva, de que o mercado está andando na direção correta. Vemos um segundo semestre mais ativo”, diz
Saraiva também destaca que o sucesso está relacionado à tese de “nearshoring” (processo
em que se produz mais próximo do mercado consumidor), mas enfatiza que não foi apenas isso que explicou o êxito, mas também o interesse em exposição na região.
O executivo indica ainda que os sinais continuam favoráveis, apontando para uma reabertura do mercado de IPOs no Brasil neste ano. Ele menciona que há empresas considerando a possibilidade de lançar suas ofertas em abril, embora o movimento mais provável seja na segunda metade do ano. O Bank of America, juntamente com o Morgan Stanley e o J.P. Morgan, atuaram como coordenadores da oferta da empresa mexicana nos Estados Unidos.
Leia também – Shein estuda IPO em Londres, após dificuldades nos EUA
Ofertas no México
Fabio Federici, responsável pela área de renda variável do Goldman Sachs no Brasil, também em entrevista para o Valor Econômico observou que no México o sentimento é otimista e prevê que mais operações ocorrerão, especialmente porque os investidores estão procurando diversificar sua exposição regional e há poucos exemplos de empresas mexicanas listadas. Assim, essas empresas estão aproveitando esse movimento de mercado para se tornarem públicas.
“Estamos bem otimistas e deveremos ver empresas mexicanas abrindo capital no curto e médio prazo. Os investidores estão buscando exposição na América Latina e o México está bem posicionado nesse processo. Para as empresas brasileiras que têm tamanho, o mercado está aberto”, avalia o executivo.
O último IPO de uma empresa mexicana foi o da Jose Cuervo, famosa mundialmente pela produção de tequila, em 2017. Roderick Greenlees, chefe global do banco de investimento do Itaú BBA, ressalta que o IPO da Tiendas 3B após um período prolongado de baixa atividade para as empresas da América Latina, é positiva para as empresas brasileiras.