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Inteligência artificial vira a nova moeda do mundo

Inteligência artificial vira a nova moeda do mundo

Infraestrutura de IA demanda US$ 3 trilhões com chips representando 50% dos gastos

A inteligência artificial está se tornando a nova moeda do mundo, afirma Stephen Byrd, chefe global de pesquisa temática e de sustentabilidade do Morgan Stanley, em podcast divulgado na sexta-feira (6). O executivo explica que, em um cenário de infraestrutura limitada, a preferência recai sobre a melhor computação disponível.

“Se há quantidade limitada de infraestrutura disponível, você quer colocar a melhor computação. E, em última análise, de certa forma, a inteligência se torna a nova moeda do mundo. Então eu gostaria de possuir os provedores de inteligência”, destacou Byrd.

A afirmação se baseia em trabalhos de economistas que estudam a “economia da IA transformacional” e analisam como ativos que não podem ser deflacionados pela inteligência artificial tendem a valorizar. Segundo o executivo, há apenas um resort principal em Kauai (Havaí) e quantidade limitada de metais — o mesmo princípio se aplica à computação de alta performance.

“O que eles estão analisando é como ficam as economias à medida que vemos IA muito poderosa entrar em muitas indústrias, causar reduções de preços, deflação. Uma das conclusões interessantes é que o valor relativo de ativos que não podem ser deflacionados pela IA sobe”, explicou Byrd.

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Financiamento de US$ 3 trilhões

A questão ganha relevância diante da necessidade de US$ 3 trilhões em investimentos globais em data centers ao longo de quatro anos. Lindsay Tyler, analista de crédito de telecomunicações do Morgan Stanley, detalhou como esse montante será financiado.

“Os hiperescaladores de alta qualidade geram uma boa quantidade de fluxo de caixa. Então há caixa das operações que pode financiar aproximadamente metade disso. Mas achamos que os mercados de renda fixa são críticos para financiar o restante da lacuna de financiamento”, afirmou Tyler.

A analista destacou que o crédito privado lidera esse movimento, auxiliado por crédito corporativo e crédito securitizado. Nos últimos nove meses, o mercado testemunhou emissão de títulos investment grade por hyperscalers, empréstimos de construção e uma novidade: emissão de high yield bonds para financiamento de construção.

Tyler ressaltou ainda que chips representam mais de 50% dos gastos em um site de um gigawatt, tornando-se o próximo foco importante.

“Estamos realmente nos estágios iniciais dos gastos agora. À medida que começamos a trabalhar nas fases iniciais de construção, o próximo foco é: ok, mas e os chips? Algo novo que está emergindo no foco dos investidores são financiamentos garantidos por chips ou contratos de computação, como soluções mais criativas”, pontuou.

A analista calcula que há mais de US$ 600 bilhões em obrigações de arrendamento não iniciadas que começarão nos próximos dois a cinco anos entre os grandes players, além de cerca de US$ 700 bilhões em CapEx de caixa necessário este ano.