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Indústria: produção tem alta de 0,3% em março, mas trimestre fecha em baixa

Indústria: produção tem alta de 0,3% em março, mas trimestre fecha em baixa

A produção industrial teve variação positiva de 0,3% na passagem de fevereiro para março, após alta de 0,7% no mês anterior.

A produção industrial teve variação positiva de 0,3% na passagem de fevereiro para março, após alta de 0,7% no mês anterior. Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, no entanto, o setor acumula queda de 4,5% no mesmo período.

Produção industrial: gráfico mostra alta de 0,3% no índice de março

Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta terça-feira (3) pelo IBGE. A alta acumulada nos últimos 12 meses chegou a 1,8%. Em março, a produção industrial ficou 2,1% abaixo do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

Indústria automotiva em alta

A atividade com mais influência positiva no mês de março foi a de veículos automotores, reboques e carrocerias, com crescimento de 6,9%. Funcionando como termômetro da indústria geral, o setor marca o segundo mês de expansão, mas ainda assim não recupera o mês de janeiro.

Outras atividades que contribuíram para a variação positiva de março foram:

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  • outros produtos químicos – 7,8%
  • bebidas – 6,4%
  • máquinas e equipamentos – 4,9%
  •  equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos – 7,9%
  • produtos de couro, artigos para viagem e calçados – 8,9%
  • indústrias extrativas – 0,9%

Indústria alimentícia em queda

Já entre as 12 atividades em queda, a principal influência veio de produtos alimentícios (-1,7%), que interrompe quatro meses consecutivos de alta, quando acumulou expansão de 14,9%. “Além de ter partido de um índice mais alto, alguns itens específicos, de produção mais volátil, como o açúcar, acabaram contribuindo para a queda no setor”, afirma André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE.

Coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,1%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-8,4%) também exerceram importantes impactos no mês. Os recuos nas atividades de ramos de produtos de metal (-3,6%) e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-4,9%) foram outras com quedas a serem consideradas.

Categorias econômicas

Três das quatro grandes categorias econômicas tiveram alta, sendo bens de capital (8%) e bens de consumo duráveis (2,5%) as com maiores taxas positivas. O setor produtor de bens intermediários (0,6%) teve crescimento menor que em fevereiro (1,8%). Já bens de consumo semi e não-duráveis (-3,3%) foi a única com taxa negativa, interrompendo três meses consecutivos de avanço na produção, período em que acumulou alta de 4,3%.

Em comparação com março de 2021, o setor industrial teve queda de 2,1%. Os resultados negativos atingiram três das quatro grandes categorias econômicas, além de 17 dos 26 ramos, 55 dos 79 grupos e 60,1% dos 805 produtos pesquisados. Cabe citar que março de 2022 teve 22 dias úteis, um a menos do março de 2021.

Análise dos resultados

Análise do Time Macro & Estratégia do BTG Pactual

Os analistas do Time Macro & Estratégia do BTG Pactual lembram que o indicador antecedente de Confiança da Indústria para o mês de abril avançou 2,4 pontos, registrando a primeira alta após oito quedas consecutivas.

“A melhora na percepção do setor ocorreu pelo leve alívio dos problemas com fornecimento de insumos e pela melhora da situação sanitária no país. Além disso, como vetor positivo destacamos as medidas de estímulos fiscais (linha de crédito direcionado para pessoa física e micro empreendedor individual, liberação do FGTS, redução do IPI etc.), que têm provocado revisões altistas do crescimento econômico para o ano.”

Nesse sentido, para o curto prazo, o sentimento é de uma melhora do setor industrial, especialmente para as atividades vinculadas ao comércio externo, devido às avaliações favoráveis em relação à demanda. Para o médio e longo prazo, porém, é preciso ter cautela com as expectativas.

“Por sua vez, ressaltamos que, para o segundo semestre de 2022, considerando os impactos da taxa Selic em patamar significativamente contracionista, possível depreciação do Real, redução da renda real das famílias e aumento do endividamento, a indústria deve enfrentar ambiente desafiador.”

Análise do gerente do IBGE

André Macedo, gerente da pesquisa, explica que a manutenção do comportamento positivo em fevereiro e março não conseguiu eliminar a perda de 2% que ocorreu no mês de janeiro. Além do mais, os fatores que dificultam uma retomada da indústria ainda permanecem. “São questões complicadoras na oferta, que é algo mais global, afetado pelo mercado internacional, e na demanda doméstica”.

De acordo com Macedo, as plantas industriais ainda percebem o aumento do custo de produção e refletem a escassez de algumas matérias-primas provocadas pela guerra entre Rússia e Ucrânia.

“Além disso, a inflação vem diminuindo a renda disponível e os juros sobem e encarecem o crédito. Também o mercado do trabalho, que apresenta alguma melhora, ainda mostra índices como uma massa de rendimentos que não avança”, explica.

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