Os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Aço Brasil trouxeram sinais mistos para o setor siderúrgico brasileiro. Na avaliação do Banco Safra, o cenário continua mais favorável para as produtoras de aços planos, beneficiadas pela redução das importações e pelo crescimento das vendas domésticas, embora a fraqueza do consumo aparente de aço ainda gere preocupações sobre o ritmo da demanda no país.
Segundo o relatório do banco, as vendas domésticas de aço cresceram 1% em maio na comparação com o mesmo período do ano passado, mesmo diante de uma queda de 14% no consumo aparente. O resultado foi sustentado principalmente pela forte retração das importações de produtos laminados, que abriu espaço para os produtores locais ampliarem sua participação no mercado brasileiro.
“O ambiente segue mais construtivo para os fabricantes de aços planos, apoiado pelo crescimento das vendas domésticas e pela menor pressão das importações”, destacaram os analistas do Safra.
Entre os principais destaques positivos do mês, as importações de aço plano recuaram 67% na comparação anual, para 162 mil toneladas. Ao mesmo tempo, as exportações do segmento avançaram 44%, alcançando 70 mil toneladas.
No mercado doméstico, as vendas de laminados planos cresceram 6% em relação a maio de 2025, totalizando 1,08 milhão de toneladas.
Consumo fraco limita entusiasmo
Apesar dos indicadores favoráveis para as siderúrgicas de aços planos, o Safra alerta que a demanda final continua enfraquecida.
O consumo aparente de aço plano caiu 18% na comparação anual, para 1,25 milhão de toneladas, indicando que setores consumidores seguem operando em ritmo moderado.
A situação também é desafiadora para os produtores de aços longos, utilizados principalmente na construção civil. O consumo do segmento recuou 8% em maio, para 816 mil toneladas.
Além disso, as vendas domésticas de laminados longos caíram 7% na comparação anual, para 696 mil toneladas, enquanto as exportações recuaram 9%, para 105 mil toneladas.
Para os analistas, esses números mostram que a recuperação da demanda ainda não ganhou tração suficiente para sustentar um ciclo mais robusto de crescimento da indústria siderúrgica.
“O consumo aparente mais fraco sugere que a demanda permanece suave, apesar das melhorias observadas do lado da oferta”, afirma o relatório.
Menor pressão das importações melhora cenário competitivo
Um dos fatores mais acompanhados pelo mercado nos últimos meses tem sido a concorrência do aço importado, especialmente dos produtos asiáticos.
Os dados de maio indicam uma redução significativa dessa pressão. Além da queda de 67% nas importações de aço plano, as compras externas de aço longo também diminuíram 18% na comparação anual, para 104 mil toneladas.
Na avaliação do Safra, esse movimento pode representar uma mudança estrutural para o setor, especialmente diante das medidas de defesa comercial adotadas pelo governo brasileiro.
O banco destaca que a aplicação definitiva de tarifas antidumping para alguns produtos siderúrgicos, somada ao aumento das tarifas de importação para determinados códigos tarifários (NCMs), tende a favorecer um equilíbrio maior entre oferta e demanda ao longo de 2026.
Essa combinação pode permitir que as siderúrgicas exerçam maior disciplina de preços, reduzindo a necessidade de competir com produtos importados vendidos a valores mais baixos.
Espaço para reajustes de preços
Outro ponto observado pelo Safra é o comportamento dos preços domésticos do aço.
Segundo o banco, os produtores de aços longos possuem atualmente maior espaço teórico para implementar reajustes de preços em comparação ao segmento de aços planos. Isso ocorre porque os preços do vergalhão no mercado brasileiro ainda apresentam um prêmio considerado adequado em relação à paridade de importação.
Dados da Platts mostram que os preços da bobina laminada a quente (HRC) acumulam alta de 9% no ano, enquanto os preços do vergalhão avançaram 8% no mesmo período.
Os analistas avaliam que o avanço das medidas antidumping poderá contribuir para um mercado mais equilibrado e criar condições para novos aumentos de preços nos próximos trimestres.
Por outro lado, o banco faz uma ressalva importante: o cenário de demanda ainda fraca pode limitar o potencial de valorização.
“Reconhecemos as preocupações relacionadas ao consumo mais fraco e ao menor número de dias úteis em 2026, fatores que podem restringir a alta dos preços e frustrar expectativas de parte dos investidores”, afirma o relatório.
Utilização da capacidade cresce
Um indicador que reforça a melhora gradual do ambiente operacional foi o aumento da utilização da capacidade instalada das usinas brasileiras.
Em maio, a taxa de utilização da capacidade de produção de aço bruto atingiu 65,2%, avanço de 2,2 pontos percentuais em relação ao mês anterior.
O dado sugere uma recuperação da atividade industrial no setor, embora ainda permaneça distante dos níveis historicamente observados em períodos de maior aquecimento da demanda.
Para o Safra, o balanço de maio mostra um cenário que continua favorecendo as empresas mais expostas ao mercado de aços planos, graças à combinação de menor concorrência externa e crescimento das vendas domésticas. No entanto, a fraqueza persistente do consumo segue como o principal fator de atenção para investidores e empresas do setor siderúrgico brasileiro.
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