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IBC-Br de fevereiro desafia tese do BC e sinaliza juros elevados por mais tempo

IBC-Br de fevereiro desafia tese do BC e sinaliza juros elevados por mais tempo

Economista da EQI Assetafirma que atividade segue forte apesar da Selic em 14,75% e coloca em xeque a narrativa de desaceleração sustentada pela autoridade monetária

Os dados de atividade econômica de fevereiro de 2026 não apenas vieram em linha ou acima do esperado, como contradizem uma das premissas centrais do Banco Central. É o que avalia Igor Cadilhac, economista da EQI Asset, após a divulgação do IBC-Br, indicador considerado a prévia do PIB, que registrou alta de 0,6% na margem, com todos os setores no campo positivo.

“O que os dados estão mostrando é que essa teoria de que a desaceleração da atividade econômica no Brasil tem se mostrado mais clara simplesmente não se confirma nos dados”, afirmou Cadilhac.

Para o economista, o IBC-Br de fevereiro funciona como um balanço do mês. “Ele é o último dado de atividade que sai. A gente meio que reflete sobre tudo que foi saindo ao longo do mês”, complementa.

Cadilhac cita que o diagnóstico do mercado é de resiliência generalizada. A indústria avançou 1,2% no mês, os serviços subiram 0,3% e a agropecuária cresceu 0,2%.

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Atividade resiste à Selic

Na avaliação de Cadilhac, o resultado de fevereiro não é um episódio isolado. Os indicadores antecedentes de março monitorados pela gestora também apontam na mesma direção, o que consolida a expectativa de crescimento do PIB acima de 1% no primeiro trimestre, mesmo com a taxa básica de juros em 14,75% ao ano.

“Por mais que algumas pesquisas tenham vindo abaixo das expectativas, ainda assim foi um mês que a atividade econômica performou muito bem”, disse o economista.

Ele destaca que o mercado de trabalho segue nas mínimas históricas de desemprego, com rendimentos robustos, enquanto o crédito mantém ritmo forte e o impulso fiscal do ano eleitoral permanece ativo.

Para o ano completo, a EQI Asset projeta crescimento de 2,1% do PIB em 2026, com inflação de 4,6%. No acumulado de 12 meses, o IBC-Br já acumula alta de 1,9%.

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Juros mais alto por mais tempo

A persistência da atividade tem consequências diretas para o ciclo monetário. Com a economia resistindo ao aperto já implementado, a EQI Asset projeta taxa terminal de 13,5% ao fim de 2026, patamar significativamente acima dos 12,5% apontados pelo relatório Focus.

“Esses dados colocam ainda mais riscos de inflação mais alta e, consequentemente, de juros mais alto por mais tempo”, afirmou Cadilhac.

O economista avalia que o IBC-Br de fevereiro coloca em cheque a possibilidade de o Banco Central se sentir confortável com a trajetória de desaceleração da economia, narrativa que os dados de fevereiro voltaram a contrariar.

O próximo IBC-Br, referente a março de 2026, será divulgado em 18 de maio.