O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comandou nesta sexta-feira (22) a cerimônia de posse de Kevin Warsh como novo presidente do Federal Reserve (Fed), colocando-o à frente do banco central americano em um momento marcado por turbulências econômicas e fortes pressões políticas em torno da trajetória dos juros.
Apesar de ter comandado a cerimônia de posse, durante o evento realizado na Casa Branca, Trump afirmou desejar que Warsh atue de forma independente no comando da autoridade monetária, apesar das recorrentes críticas do presidente americano à condução da política monetária nos últimos anos.
“Quero que Kevin seja totalmente independente”, declarou Trump no início da cerimônia. “Não olhem para mim, não olhem para ninguém.”
Posse na Casa Branca
A posse, no entanto, reforçou o nível incomum de proximidade entre a Casa Branca e o Fed durante o segundo mandato de Trump. Warsh se tornou o primeiro presidente do banco central americano a tomar posse na residência oficial do presidente desde Alan Greenspan, em 1987.
Nos bastidores, a nomeação vem sendo acompanhada com atenção por investidores e economistas, especialmente diante das reiteradas manifestações de Trump em favor de juros mais baixos para estimular a atividade econômica e os mercados financeiros.
A atuação do republicano em relação ao Fed tem provocado preocupações entre democratas e republicanos sobre possíveis pressões políticas sobre a independência da instituição, tradicionalmente considerada um dos pilares da estabilidade econômica dos Estados Unidos.
Warsh assume o comando do banco central em um cenário desafiador, marcado por desaceleração econômica, inflação ainda sensível e incertezas sobre o ritmo de cortes de juros nos próximos meses. Além da política monetária, o novo chairman também deverá conduzir debates sobre o tamanho do balanço patrimonial do Fed e o papel da instituição nos mercados financeiros.
Ex-governador do Fed e nome conhecido em Wall Street, Warsh vinha defendendo uma revisão mais ampla da atuação do banco central, incluindo limites mais claros para intervenções nos mercados e uma redução gradual da dependência de estímulos extraordinários adotados desde a crise financeira de 2008.
A cerimônia de posse simboliza ainda uma nova etapa na relação entre Trump e o banco central americano, após anos de embates públicos do presidente com dirigentes do Fed sobre o nível das taxas de juros e a condução da política econômica.
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