Assista a Money Week
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Economia
Notícias
Holanda segue EUA na restrição de exportação de semicondutores à China; veja o que ocorre

Holanda segue EUA na restrição de exportação de semicondutores à China; veja o que ocorre

A Holanda segue EUA na restrição de exportação de semicondutores à China.

Os Países Baixos são extremamente estratégicos para a América do Norte, visto que, dentre as inúmeras razões, a Região tem conquistado a preferência das empresas de tecnologia asiáticas, quando estas buscam uma localidade para colocar um “pezinho na Europa”.

Também porque com a inflação crescente na zona do euro, e os baixos salários praticados na Península Ibérica, bem como a saída do Reino Unido da União Europeia, os Países Baixos se tornaram o polo de atração de trabalhadores europeus.

Na prática, os jovens de Portugal e Espanha trocaram a Inglaterra e a Suíça pela nação cuja capital é Amstardã. E a ligação desse movimento com a China tem relação com o segmento de tecnologia. Há mão de obra tanto para o setor operacional quanto para tipos de trabalho mais qualificados por parte destes imigrantes.

Há quem diga que a Holanda rivaliza com San Francisco no quesito “polos tecnológicos”. Para se ter ideia, Amsterdã foi classificada em terceiro lugar para ampliações e startups em ranking de 2016. Analistas de tecnologia chegam a dizer que a casa da Philips tem o melhor ambiente de negócios para startups na UE, com especialistas altamente experientes, talento especial para tecnologia e cultura de negócios aberta. Com isso, desenvolveu um extraordinário ecossistema europeu para empreendedores.

Publicidade
Publicidade

Holanda segue EUA

Esta é a razão pela qual os EUA fizeram um afago nos Países Baixos, de maneira a trazê-los para perto e engajá-los em suas pautas, principalmente comerciais. Há, na prática, uma corrida de expertise para ver quem irá emergir como o grande “dragão tecnológico” do planeta, e a briga entre China e EUA é bastante acirrada.

Desta forma, em outubro do ano passado o Tio Sam introduziu regras abrangentes com o objetivo de cortar as exportações de chips e ferramentas semicondutoras para a China, uma medida que, segundo analistas, pode prejudicar as ambições de Pequim de impulsionar sua tecnologia doméstica.

Levantamento da CNBC aponta que, desde então, os EUA têm aumentado a pressão sobre as principais nações produtoras de chips e aliados, como Holanda e Japão, para introduzir restrições de exportação próprias.

Conforme o grupo de mídia especializado, por causa do papel crítico da ASML (empresa holandesa) em chips avançados Washington tem procurado colocar a Holanda do lado. O governo holandês estava em cima do muro, mas em março estabeleceu restrições à exportação de equipamentos semicondutores avançados. O anúncio desta sexta-feira (30) finaliza essas regras e dá mais clareza sobre o que pode ou não ser exportado.

Ainda assim, a lei não destaca nenhum país nem cita a ASML explicitamente.

Aplicações militares

Engana-se quem pensa que ao falar de tecnologia o que se pretende é produzir mais e melhores celulares e laptops. Isso também, mas há um temor relacionado às aplicações militares.

E isso vem na esteira do conflito Rússia-Ucrânia, com a China posicionada ao lado do presidente Vladimir Putin, fornecendo armas e também drones.

Os Países Baixos entenderam o recado que veio da Casa Branca e, embora a Rússia pretendia “tratorar” a Ucrânia em dois meses de guerra – mas barrou na resistência ucraniana, que agora reverte o “placar” e passa a ganhar território (o seu próprio, no caso), o que se vê no Leste Europeu é, de certa forma, um ensaio para o que pode vir à frente.

Por conta disto, embora não declare de forma direta, o governo holandês disse que as regras se aplicam a uma “série de tecnologias muito específicas para o desenvolvimento e fabricação de semicondutores avançados”, que poderiam ser usadas em locais como aplicações militares.

“Demos este passo por razões de segurança nacional. É bom para as empresas que serão impactadas saber o que podem esperar. Isso lhes dará o tempo necessário para se adaptarem às novas regras”, disse a ministra holandesa do Comércio, Liesje Schreinemacher, em um comunicado.

China responde

Ainda de acordo com a CNBC, a Embaixada da China na Holanda chamou a última lei do governo holandês de “um abuso das medidas de controle de exportação e interrompeu seriamente o livre comércio e as regras do comércio internacional”.

“Pedimos ao lado holandês que tenha em mente o interesse maior de salvaguardar as regras do comércio internacional e a cooperação econômica e comercial bilateral, corrigindo imediatamente seus erros”, disse o comunicado da embaixada.

A embaixada disse que está pronta para “trabalhar com o lado holandês para abordar a questão com base no princípio do benefício mútuo, de modo a promover conjuntamente o desenvolvimento saudável das relações econômicas e comerciais sino-holandesas”.

Próxima superpotência

Conforme noticiado pelo EuQueroInvestir no dia 20 de junho de 2023, com os EUA vendo sua economia definhar por conta de inflação, elevação do número de homeless (sem tetos) e crise de saúde pública devido aos usuários de drogas que se multiplicam pelas ruas das principais cidades, os investidores se perguntam: quem é a próxima superpotência.

Seu principal oponente, a China, parece estar “perdendo a mão” da economia, com os indicadores retraindo e centenas de “cérebros” deixando o país rumo à Cingapura, em busca de mais liberdade e possibilidade de atuar em corporações de outras partes do mundo.

Este panorama coloca em xeque a capacidade destas nações se perpetuarem como potências internacionais por muito mais tempo, e os analistas procuram, entre gráficos, mapas e indicadores comerciais, quem poderia emergir e tomar a dianteira nesta corrida ao topo do mundo.

Eurasia Group

O CEO da Eurasia Group, Ian Bremmer, diz acreditar que a terceira ordem mundial será digital. O executivo é cientista político. Para ele, que é cidadão estadunidense, “essa nova ordem não será gerenciada por governos ou governantes, mas sim por empresas de tecnologia”, destacou.

Bremmer participou do TED Talk recentemente, e ressaltou, a título de exemplo, que foram as empresas de tecnologia as responsáveis pela proteção ucraniana contra os ciberataques. A reportagem completa pode ser lida aqui!