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No Senado, Haddad defende ação “a muitas mãos” e Campos Neto reitera postura “técnica”

No Senado, Haddad defende ação “a muitas mãos” e Campos Neto reitera postura “técnica”

Os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento, Simone Tebet, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participaram de um debate sobre política econômica nesta quinta-feira (27)  Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tenha feito fortes críticas à política monetária do BC no combate à inflação, o encontro de Haddad e Campos Neto no Senado foi marcado por postura tranquila de parte a parte.

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Mediador do debate, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) adotou um tom conciliador desde a primeira fala. Ele disse compreender a necessidade de trazer a inflação para mais perto da meta, de 3,25% ao ano em 2023, com margem de 1,5 p.p. para cima ou para baixo, mas deixou claro sua postura favorável à redução dos juros.

“Se a contração do crédito por parte da população e das empresas é impactada pela variação da taxa Selic, é simples perceber que uma taxa de juros alta prejudica o consumo e o crescimento econômico. Ao mesmo tempo em que não é viável o aumento descontrolado de preços, também não se deseja o estrangulamento da economia no curto prazo”, disse o senador, segundo a Agência Senado.

Haddad, por sua vez, repetiu fala feita em outras ocasiões, dizendo que a política monetária, de responsabilidade do Banco Central, e a política fiscal, que cabe ao governo, precisam ser integradas.

“O trabalho tem que ser a muitas mãos, um reforçando o trabalho do outro, o monetário fortalecendo o trabalho do fiscal, o fiscal, do monetário, e também o prudencial, porque nós estamos com vários setores da economia drasticamente afetados”, defendeu o ministro,

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Simone Tebet reforçou o discurso, dizendo que a equação entre juros e inflação precisa incluir também o crescimento da economia, que “não pode ficar no meio do caminho”.

“Não há contradição em dizer: o Banco Central é autônomo e o governo não interfere nas suas decisões técnicas, mas o Banco Central também não pode considerar que as suas ações são apenas técnicas, pois também interferem na política, especialmente os comunicados e as atas”, disse a ministra.

Haddad e Campos Neto no Senado ao lado de Rodrigo Pacheco
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Haddad e Campos Neto no Senado: presidente do BC reforça tecnicismo

Em sua fala, Campos Neto reiterou que as decisões do Banco Central são técnicas e têm “um horizonte de metas um pouco distante do horizonte da política”, o que justificam, segundo ele, a autonomia da instituição. 

Ele disse entender a postura do governo de priorizar a agenda social na busca do crescimento econômico, de forma a melhorar a vida dos mais pobres, mas explicou que vê as classes mais baixas sendo atingidas de forma mais perversa pela inflação.

“Se eu reduzo os juros sem credibilidade, essa queda dura muito pouco. E o que importa na economia não é a Selic, mas o que a gente chama de condições financeiras, que é o que eu tenho total de liquidez na economia. A Selic é um instrumento que, para gerar condições de liquidez, tem que ser conduzida com credibilidade”, defendeu.

Haddad reforçou que o novo arcabouço fiscal, enviado há duas semanas ao Congresso, deve provocar uma melhora nessas condições gerais.Pediu ainda celeridade na aprovação da reforma tributária e defendeu o fim de renúncias fiscais, segundo ele avaliadas em R$ 500 bilhões por ano. “Os conflitos distributivos no Brasil [do ponto de vista social] são tão severos que eles só se equacionam com o crescimento!, defendeu.

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Haddad e Campos Neto no Senado: entidades defendem juros mais baixos

Representantes do setor produtivo e do mercado financeiro também participaram do evento, expondo suas posições para o atual cenário de restrição de crédito, baixo nível de investimento público na infraestrutura da economia e déficit fiscal.

“Estamos sofrendo muito com a demanda fraca, setores que têm passado por diversas dificuldades. E com a falta de investimento público. O impacto na indústria tem sido devastador, e investimento baixo significa queda na produtividade”, defendeu o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Robson Braga de Andrade,

Fernanda Schwantes, representante da Confederação Nacional do Transporte (CNT), disse que a Selic alta dificulta o investimento em infraestrutura de transportes e afeta toda a cadeia de produção. “É uma preocupação muito grande para o setor a perda de capacidade de investimentos pelo poder público e como a taxa de juros elevada prejudica investimentos privados”, disse..

O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Josué Gomes da Silva, engrossou o coro apontando a necessidade de modernização do parque industrial brasiliero. “Uma indústria moderna, digitalizada em todas as suas etapas produtivas, comprometida com a produção de baixo carbono, integrada às cadeias internacionais de valor, tudo isso implica em ambientes de negócios estimulantes, com crédito acessível a juros compatíveis e um sistema tributário simples e isonômico”, alegou.

Isaac Sidney Menezes de Ferreira, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), pediu melhores condições no ambiente de negócios que vão além da queda dos juros. “Quando não temos equilíbrio fiscal, a sociedade paga um preço muito alto e nós, então, temos a elevação de impostos, mais endividamento e mais emissão de moeda. Isso tudo retroalimenta a inflação e inibe o crescimento”, afirmou.

O economista Armínio Fraga, que foi presidente do BC em parte do governo de Fernando Henrique Cardoso, disse que o atual governo precisa ir além em sua busca por ajuste fiscal, com reformas de longo prazo que devem ser feitas o mais rápido possível. “Isso está no manual político mais clássico do planeta, que é O Príncipe, de Maquiavel: as coisas mais complicadas a gente faz logo e depois usufrui dos resultados”, sugeriu.

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