O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 66,6 bilhões em julho, resultado superior ao saldo negativo de R$ 47,1 bilhões do mês anterior. O montante foi composto por déficits de R$ 56,4 bilhões no Governo Central, R$ 8,1 bilhões nos governos regionais e R$ 2,1 bilhões nas empresas estatais.
Esse resultado mostra um aumento expressivo em relação ao mesmo mês de 2024, quando o déficit havia sido de R$ 21,3 bilhões. Em 12 meses até julho, o setor público acumulou déficit de R$ 27,3 bilhões, o que representa 0,22% do PIB, revertendo o superávit observado em períodos anteriores.

Impacto dos juros sobre as contas públicas
Além do déficit primário, o pagamento de juros teve forte influência sobre as contas do setor público. Apenas em julho, os juros nominais somaram R$ 109 bilhões, acima dos R$ 80,1 bilhões registrados no mesmo período de 2024. O aumento reflete tanto o crescimento do endividamento quanto a elevação da taxa básica de juros.
No acumulado de 12 meses, os juros alcançaram R$ 941,2 bilhões, ou 7,64% do PIB. Esse peso adicional levou o resultado nominal, que inclui o déficit primário e os juros, a um saldo negativo de R$ 175,6 bilhões em julho. No período de um ano, o déficit nominal chegou a R$ 968,5 bilhões, equivalente a 7,86% do PIB.
Dívida líquida e dívida bruta em alta
A trajetória da dívida também refletiu os desequilíbrios fiscais. A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) alcançou 63,7% do PIB em julho, somando R$ 7,9 trilhões. O aumento foi influenciado pelos juros, pelo déficit primário e pelo impacto da desvalorização cambial no período.
Já a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que engloba o Governo Federal, INSS e entes subnacionais, atingiu 77,6% do PIB, ou R$ 9,6 trilhões. O crescimento em julho foi puxado principalmente pelos juros apropriados, emissões líquidas de dívida e pela variação cambial. Em termos acumulados no ano, a alta reflete tanto o custo do endividamento quanto a desaceleração do PIB nominal.
Perspectivas e desafios
Os números reforçam a pressão sobre a política fiscal brasileira. O aumento do déficit primário, somado ao impacto dos juros, amplia a dificuldade de reduzir a trajetória da dívida pública no médio prazo. A necessidade de conter gastos e ampliar receitas torna-se mais urgente para equilibrar as contas e recuperar a confiança dos agentes econômicos.
A evolução recente mostra que, sem ajustes estruturais, o setor público pode enfrentar dificuldades crescentes para sustentar níveis adequados de investimento e serviços. O desafio, portanto, vai além de resultados mensais: trata-se de garantir sustentabilidade fiscal em um cenário de juros elevados e crescimento econômico moderado.