Assista a Money Week
Compartilhar no LinkedinCompartilhar no FacebookCompartilhar no TelegramCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsApp
Compartilhar
Home
Economia
Notícias
Grupo Wagner: entenda o que acontece na Rússia

Grupo Wagner: entenda o que acontece na Rússia

A Rússia viveu no último final de semana um “golpe de 24 horas”, em que o líder mercenário Yevgeny Prigozhin, à frente do Grupo Wagner, até então aliado do presidente Wladimir Putin, realizou um motim armado contra o regime.

Putin chegou a acusar o grupo, considerado “seu exército particular” de traição, mas retirou a acusação após fechar acordo com os mercenários, depois de estes terem tomado duas cidades russas.

Segundo o acordo, os combatentes do Grupo Wagner devem retornar às suas bases e Prigozhin se mudar para a vizinha Bielorrússia.

A rebelião armada de Prigozhin indica, segundo a imprensa internacional, uma crise política dentro da Rússia e destrói o mito da invencibilidade e do poder avassalador do país.

O que foi o “golpe de 24 horas”?

Na sexta-feira (23), o líder do Grupo Wagner questionou a viabilidade da guerra contra a Ucrânia.

No dia seguinte, Moscou teria ordenado a prisão de Prigojin e o líder do grupo mercenário chegou a divulgar que suas forças paramilitares conseguiram chegar a pelo menos 200 km da capital russa.

Publicidade
Publicidade

Prigozhin e suas forças mercenárias tomaram no sábado uma das principais bases militares russas no sul do país, e a cidade de Rostov-on-Don, antes de prosseguir para o norte, em direção a Moscou. No entanto, a rebelião foi cancelada antes que os rebeldes chegassem à capital.

O fim do conflito teria sido mediado pelo presidente da Bielorússia, Alexander Lukashenko, um dos principais aliados de Putin. Ele teria convencido Prigojin a encerrar rebelião e retirar suas tropas, o que de fato acabou ocorrendo.

Especialistas russos e analistas políticos caracterizaram o levante como “24 horas que abalaram o Kremlin” e o maior desafio para Putin e a elite russa em décadas.

“Mesmo em uma Rússia acostumada à crise e ao caos, os eventos do fim de semana foram extraordinários”, disse Chris Weafer, executivo-chefe da consultoria econômica Macro-Advisory, com sede em Moscou, em nota.

“Uma força militar fortemente armada e determinada chegou a 200 quilômetros de Moscou – um feito historicamente alcançado, ou tentado, por muito poucos exércitos”, observou Weafer, acrescentando que a revolta levanta “sérias questões que levarão a tensões nos escalões superiores do poder na Rússia”.

O prefeito de Moscou chegou a pedir, em rede nacional, para que as pessoas ficassem em casa.

Mas as tensões começaram semanas antes, quando o Ministério da Defesa russo anunciou que todas as empresas militares privadas, incluindo o Grupo Wagner, teriam que assinar contratos. Putin endossou a medida, mas Prigozhin se recusou a assinar.

Prigozhin também acusou o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e o comandante do exército, Valery Gerasimov, de virar as costas para sua força mercenária, que desempenhou um papel fundamental na guerra contra a Ucrânia. Ele chegou a acusar Serguei Choigu de ter bombardeado um acampamento do grupo.

A aparente tolerância do Kremlin com Prigozhin, apenas o mandando para a Bielorrússia, é vista com ceticismo. O analista geopolítico Ian Bremmer descreveu o chefe mercenário como um “homem morto andando” e Prigozhin não foi visto em público desde que deixou Rostov-on-Don na noite de sábado.

O motim armado na Rússia mostra “rachaduras reais” na autoridade do presidente Vladimir Putin, disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken.

O que é o Grupo Wagner?

Fundado em 2014 pelo tenente-coronel Dmitry Valerievich Utkin, o Grupo Wagner é a principal organização de mercenários que atua em operações paramilitares alinhadas aos interesses de Putin.

Esse grupamento é usado para realizar ações que não poderiam ser feitas pelo exército russo, sob risco de condenação pela comunidade internacional.

Em janeiro de 2023, os Estados Unidos categorizaram o grupo Wagner como uma “organização criminosa transnacional”. A declaração foi feita por John Kirby, coordenador de Comunicações Estratégicas do Conselho de Segurança Nacional. Segundo ele, cerca de 50 mil mercenários estariam em campo de batalha, sendo 10 mil contratados e 40 mil prisioneiros russos.

O nome do Grupo Wagner viria do compositor alemão Richard Wagner, admirado por Dmitry Utkin e por Adolf Hitler, em quem Utkin diz se inspirar.

INVISTA LÁ FORA: DESCUBRA O CAMINHO MAIS FÁCIL, RÁPIDO E SEGURO PARA DOLARIZAR SUA CARTEIRA