O diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a permanência do juro dos Estados Unidos em níveis altos aumenta a dificuldade na disputa por capital. Diante disso, o BC quer tempo para entender o efeito da curva de juros norte-americana sobre o controle da inflação doméstica.
Em evento nesta quarta-feira (24), em São Paulo, Galípolo destacou: “Há uma adversidade adicional quando se fala de juro dos EUA mais alto. Com o Tesouro americano pagando o juro que paga, fica difícil competir por recursos“.
Para o diretor do BC, o nível de correlação entre as curvas de juros do Brasil e dos Estados Unidos aumentou muito. Esse cenário trouxe um alerta ao Banco Central sobre esperar demais para reagir aos eventos externos e ter o risco de se atrasar na política monetária.
Dessa forma, de maneira que o aumento da necessidade de rolagem da dívida norte-americana afeta a relação de oferta e demanda, o rendimento torna-se mais alto.
Além disso, Galípolo avalia que o estresse no rendimento dos Treasuries hoje está relacionado ao leilão do Tesouro dos EUA. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos leiloou nesta quarta-feira US$ 30 bilhões em notas de juro flutuante (FRN, na sigla em inglês) de 2 anos, com taxa máxima de desconto de 0,150%.

Na última semana, o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Jerome Powell, adicionou ainda mais incertezas ao mercado, ao mencionar que, diante de uma economia ainda resiliente, pode ser apropriado, neste momento, manter a política monetária em um território restritivo pelo tempo necessário.
Incertezas impactam ritmo de cortes de juros, diz Campos Neto
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, falou sobre os cenários possíveis para os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom). O líder da autoridade monetária reforçou que “se a incerteza diminuir”, o comitê poderá retomar a forma de atuação inicial. Caso contrário, o ritmo de cortes na taxa Selic pode diminuir.
“Se a incerteza diminuir, voltamos para a forma de atuação que tínhamos começado. Outra forma é o aumento da incerteza permanecer mais tempo e criar ruídos crescentes, então teremos de trabalhar como seria o ‘pace’, e precisaríamos diminuir [o ritmo dos cortes]“, disse Campos Neto.
O presidente do BC acrescentou que outro cenário seria o “crescimento da volatilidade da incerteza subir mais ainda” e começar a afetar o balanço de riscos. Nesse sentido, haveria uma mudança das variáveis de tal forma que faria com que “a realidade que projetamos não seja mais verdadeira, mudando o que chamamos de cenário base.“






