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Por que os ricos ficam mais ricos quando o governo imprime dinheiro?

Por que os ricos ficam mais ricos quando o governo imprime dinheiro?

Analogia do mel de Friedrich Hayek ilustra como o dinheiro novo chega primeiro ao centro – bancos e grandes empresas – e só depois escorre para as bordas

Imagine que você está em um salão com mil pessoas e todas recebem R$ 100 – mas não ao mesmo tempo. Você é o número 1.000 na fila. Enquanto espera, os primeiros já saíram comprando. Quando chega sua vez, os preços já subiram. Essa é a analogia com que Juliano Custódio, CEO da EQI Investimentos, abre seu vídeo (veja abaixo) sobre um dos fenômenos mais antigos e menos debatidos da economia: o Efeito Cantillon.

“Quem está perto da origem do novo dinheiro consegue se proteger da inflação causada justamente por ele”, explica Custódio.

O mecanismo é simples e brutal: quando um governo emite moeda, o dinheiro não chega a todos ao mesmo tempo. Ele flui primeiro para bancos e grandes empresas, que compram ativos enquanto os preços ainda estão baixos. Só depois, lentamente, escorre até salários e pequenos negócios – quando tudo já está mais caro.

Para ilustrar esse processo, Custódio recorre à famosa analogia do mel de Friedrich Hayek, ganhador do Nobel de Economia.

“É como o mel no prato: primeiro ele chega em quem está no centro, só depois em quem está nas bordas”, descreve. A expansão monetária funciona da mesma forma — centralizada, gradual e profundamente desigual.

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O fenômeno foi descrito pela primeira vez por Richard Cantillon por volta de 1730 — quando Adam Smith tinha cinco anos. Mas sua validade atravessou séculos. Um estudo do BIS de 2016 analisou o que aconteceu nas economias desenvolvidas após a crise de 2008, quando bancos centrais injetaram trilhões para evitar a recessão.

O resultado confirma Cantillon: “as ações e os ativos financeiros, que são aqueles que os primeiros receptores do dinheiro costumam comprar, subiram muito mais que os outros“, aponta Custódio. Como são os mais ricos que detêm mais ativos, a expansão monetária acabou concentrando ainda mais a riqueza.

A solução não é distribuir dinheiro diretamente à população – o equivalente, nas palavras do CEO, a “resolver unha encravada cortando o dedo fora.” O dinheiro chegaria de forma mais igualitária, mas perderia valor instantaneamente.

A conclusão de Custódio é pragmática: “se o mel sempre vai do meio pra borda, preste atenção para estar mais próximo do meio. Compre os ativos que a turma do meio quer comprar e não espere o dinheiro chegar na borda.”