O Euro hoje registra queda de 0,90% frente ao real, cotado a R$ 5,5801, em meio a preocupações sobre a situação fiscal da França e os riscos de uma eventual crise da dívida soberana na segunda maior economia da zona do euro.
O alerta foi feito pelo economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, que avalia que o país pode estar caminhando para uma trajetória fiscal insustentável e se tornar grande demais para ser socorrido pelo Banco Central Europeu (BCE).
Em publicação na plataforma Substack, na quinta-feira, Krugman chamou a atenção para a combinação de déficits orçamentários elevados, aumento dos custos de financiamento da dívida pública e dificuldades políticas para implementar medidas de ajuste fiscal.
A avaliação ocorre em um momento de tensão na política francesa, com protestos estudantis contra o subfinanciamento da educação e dificuldades do primeiro-ministro Sébastien Lecornu para aprovar o orçamento de 2027. A proposta prevê um esforço de consolidação fiscal de dezenas de bilhões de dólares.
Euro hoje: crise fiscal francesa preocupa economistas
Na avaliação de Krugman, a França enfrenta desafios estruturais para equilibrar suas contas públicas, especialmente diante do envelhecimento da população e das dificuldades para lidar com a idade relativamente baixa de aposentadoria.
O economista argumenta que o aumento das despesas públicas, combinado com déficits fiscais persistentes, pode elevar a desconfiança dos investidores em relação à capacidade do governo francês de administrar sua dívida.
O risco, segundo ele, está na possibilidade de um ciclo de deterioração financeira: investidores deixam de comprar títulos públicos, os juros sobem, aumentam os temores de inadimplência e ocorre uma fuga adicional de capitais.
Krugman destacou que a participação da França na zona do euro torna esse cenário particularmente delicado, uma vez que o país não controla individualmente a emissão da moeda nem dispõe de política monetária própria para responder a uma crise dessa natureza.
França pode enfrentar crise semelhante à de 2010
Para sustentar seu alerta, Krugman comparou os riscos enfrentados pela França à crise da dívida soberana europeia observada entre 2009 e 2012, quando Grécia, Portugal, Espanha e Itália passaram por fortes pressões financeiras.
Naquele período, a deterioração das contas públicas e a perda de confiança dos investidores elevaram os custos de financiamento de governos europeus e exigiram respostas das instituições da União Europeia e do BCE.
Segundo o economista, uma crise envolvendo a França poderia ser ainda mais complexa devido ao tamanho de sua economia e à importância do país para a estabilidade financeira e política do bloco.
A preocupação central é que uma eventual turbulência francesa coloque em xeque a capacidade de resposta das instituições europeias, além de aprofundar divergências entre os países integrantes da união monetária.
Krugman advertiu que a França pode ter ultrapassado o limite entre ser grande demais para quebrar e grande demais para ser salva, em referência às dificuldades que uma operação de resgate poderia representar para a Europa.
O que pode acontecer com o euro?
A evolução da situação fiscal francesa pode influenciar o comportamento do euro nos mercados internacionais, especialmente se as preocupações com a dívida pública se traduzirem em maior percepção de risco entre investidores.
Uma deterioração da confiança pode pressionar os ativos europeus e aumentar a volatilidade cambial. Por outro lado, medidas fiscais consideradas críveis, avanços políticos na aprovação do orçamento e uma resposta coordenada das instituições europeias poderiam ajudar a reduzir as tensões.
No Brasil, a cotação do euro também depende de fatores como o comportamento do dólar, as expectativas para os juros brasileiros e europeus, o apetite global por risco e os fluxos internacionais de capital.
Assim, embora o alerta de Krugman destaque riscos relevantes para a economia francesa, não significa que uma crise da dívida seja inevitável. O impacto sobre o câmbio dependerá da evolução das contas públicas, das decisões políticas e da reação dos investidores.
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